quarta-feira, 25 de setembro de 2013

Em dia com a política - Baptista Chagas de Almeida

Os discursos e os recados
Antes do agrado de Obama, Dilma fez o seu ao condenar com veemência o ataque com armas químicas na Síria

Espionagem? De quem? O discurso da presidente Dilma Rousseff na abertura da Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU) ontem, em Nova York, recebeu diversos adjetivos. Pela emissora de TV CNN, ela foi considerada "áspera". O sisudo The Guardian, como convém aos britânicos, classificou de "contundente". O jornalão norte-americano The New York Times citou palavras fortes na fala da presidente brasileira. Mas quem matou a charada mesmo foi o espanhol El País: "Uma afronta aos direitos internacionais e aos princípios que devem reger os Estados". Espionagem? De quem? É o El País que responde, ao destacar que Dilma não citou os Estados Unidos da América, pelo menos não especificamente, em nenhum momento de seu discurso. Nem precisava.

Já o presidente norte-americano, Barack Obama, como era de se esperar, falou de Oriente Médio, de Irã e, como não poderia deixar de ser, das armas químicas na Síria. Mas repetiu a estratégia de Dilma. Sem citar o Brasil ou o discurso da brasileira, a certa altura argumentou: "Enquanto revisamos o emprego de nossa extraordinária capacidade militar de acordo com os nossos ideais, começamos a revisar a forma como coletamos inteligência". Menos mal. Se serve de consolo, Obama deu pelo menos um pequeno sinal de que o cancelamento da viagem de sua única convidada para uma visita de Estado aos EUA fez efeito.

Recado para cá, recado para lá, e a vida continua. Antes do agrado de Obama, Dilma fez o seu ao condenar com veemência o ataque com armas químicas na Síria e se dispôs a apoiar, com os Estados Unidos e a Rússia, o processo de eliminação delas no país. Mas fez questão de salientar a necessidade de haver, antes, autorização do Conselho de Segurança da ONU. Só para lembrar, o Brasil atua há anos para ganhar um assento permanente no conselho. Outro recado.

PEC da Bengala
O presidente da Câmara dos Deputados, Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN), chegou a anunciar que colocaria ontem em pauta a proposta de emenda constitucional (PEC) que aumenta a idade limite da aposentadoria compulsória dos magistrados, de juízes a ministros dos tribunais superiores, além dos servidores públicos. Só que não houve acordo, e a PEC nem chegou a entrar na pauta. Só de curiosidade: a proposta tem apelido entre os parlamentares. É chamada de PEC da Bengala.

Quórum alto
Está confirmada para segunda-feira que vem a audiência pública da comissão do novo Código de Mineração. Será na Assembleia Legislativa, às 14h. Antes, os integrantes da comissão farão uma visita ao governador Antonio Anastasia (PSDB). É certo de dar quórum alto. Afinal, além do presidente Gabriel Guimarães (PT-MG) e do relator Leonardo Quintão (PMDB-MG), os três outros vice-presidentes são mineiros. Em tempo: está prevista também a presença do vice-governador do Pará, Helenilson Pontes (PSD).

O jogo de futebol
Na quarta-feira da semana passada, o senador cruzeirense Zezé Perrella (PDT-MG) convidou o presidente do Senado e botafoguense doente, Renan Calheiros (PMDB-AL), para comemorar seu aniversário, que tinha sido na segunda-feira, com um jantar em seu apartamento. Era dia de jogo, e o Cruzeiro venceu o Botafogo por 3 a 0. Por coincidência, no dia seguinte quem esteve no Senado foi o presidente do alvinegro, Maurício Assumpção, e Renan contou do jantar na casa de Perrela. "Pois é, deu no que deu", comentou. O dirigente botafoguense admitiu: "Pois é, não adiantava".

O dele é melhor
Isso é que é desprendimento político. O deputado Cândido Vaccarezza (PT-SP) agora defende a aprovação, também na Câmara dos Deputados, do projeto de minirreforma eleitoral que foi aprovado pelo Senado na semana passada. "O texto do Senado é bom e dá para a gente trabalhar a partir dele, disse Vaccarezza, em referência ao relatório do senador Romero Jucá (PMDB-RR). E ainda avisou que conversaria sobre essa possibilidade com o presidente da Câmara, Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN). Só que tem um detalhe. Sabe quem foi o relator da minirreforma na Câmara? Resposta rápida: Cândido Vaccarezza.

Toma lá dá cá
O deputado Paulo Maluf (PP-SP) não ganhou, mas levou. Ele topou recuar e cancelou a convenção estadual que o tornou presidente do partido em São Paulo. A Executiva Nacional da legenda criou então uma comissão provisória. Quem a comanda? Paulo Maluf, é claro. Só que ficou definido que todas as chapas nos estados terão de ter o aval nacional. A tática pepista é a da compensação. Se ceder para o PT ou PSDB em um estado, vai querer ser atendido em outro que for de seu interesse. Como se diz, o toma lá dá cá chegou às coligações nas eleições do ano que vem.

PINGAFOGO
Já que falamos em aniversário, quem também comemorou o seu na segunda-feira foi o vice-presidente Michel Temer (PMDB). E em grande estilo, afinal estava no exercício da Presidência da República com a viagem de Dilma a Nova York

E foi por isso que a fila em seu gabinete foi muito grande ontem. Meio mundo político de Brasília fez fila para dar um abraço pessoalmente no presidente Michel Temer.

A Comissão de Assuntos Municipais da Assembleia Legislativa fará audiência pública para discutir a atuação da BHTrans. E, pelo andar da carruagem, haverá um engarrafamento de questionamentos.

A principal questão a ser abordada provavelmente será a proibição de a BHTrans aplicar multas. Foi uma decisão da Justiça, porque ela foi constituída como empresa de economia mista e, portanto, não pode ter poder de polícia.

O senador Aécio Neves (PSDB-MG) pegou pesado desta vez: "A revisão das regras para concessão do aeroporto de Confins é nova demonstração do improviso que marca o relacionamento do governo federal com o setor privado e, infelizmente, mais uma vez, o povo mineiro é a maior vítima".

No Ceará, há quem garanta: o governador Cid Gomes está com um pé fora do PSB do governador de Pernambuco, Eduardo Campos. E há também quem garanta que ele já está com os dois pés fora.

Fonte: Estado de Minas

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