quinta-feira, 9 de janeiro de 2014

Campos começa a articular candidaturas à sua sucessão em PE

Murillo Camarotto

RECIFE - Bombardeado desde o início do ano passado com perguntas sobre as próximas eleições, o governador de Pernambuco, Eduardo Campos (PSB), se cansou de repetir: "2014 a gente só discute em 2014". Chegado, enfim, o ano eleitoral, o pernambucano começa a colocar a própria candidatura presidencial na rua e também a definir sua sucessão no Palácio do Campo das Princesas.

Entre os muitos postulantes - sete nomes são cotados, todos do PSB -, o Valor PRO, serviço de informação em tempo real do Valor apurou que o secretário estadual de Fazenda, Paulo Câmara, saiu na frente na disputa pela indicação de Campos. Seu nome e o do secretário da Casa Civil, Tadeu Alencar, estão sendo submetidos a pesquisas de aceitação comandadas pelo publicitário argentino Diego Brandy, espécie de sombra de Campos.

Ambos têm laços familiares com o governador e jamais disputaram uma eleição, mas de acordo com interlocutores de Campos, o titular da Fazenda tem a preferência. Paulo Câmara, de 41 anos, é casado com uma prima de Campos, enquanto Tadeu Alencar, 50, é primo do governador e leva o sobrenome do avô de Campos, Miguel Arraes de Alencar, morto em 2005.

Formado em economia pela Universidade Federal de Pernambuco - mesmo curso feito por Campos -, Câmara fez mestrado em gestão pública, é auditor do Tribunal de Contas do Estado e está no governo desde o início da gestão, em 2007. De lá para cá, comandou as secretarias de Administração, Turismo e Fazenda. Seu nome nunca esteve entre os mais falados para a sucessão, mas a idade, o perfil técnico e, principalmente, a confiança do governador o colocaram como favorito.

Confirmada sua candidatura, será repetida a estratégia vencedora nas eleições municipais de 2012, quando Campos apresentou à população o então desconhecido secretário Geraldo Julio (PSB), que jamais havia recebido um voto e foi eleito em primeiro turno para a Prefeitura do Recife.

A eleição de Pernambuco é fundamental para a manutenção da hegemonia política do PSB, principalmente em caso de insucesso de Campos na eleição presidencial - hipótese que está longe de ser desprezada. Apesar do imenso arco de alianças que comanda, Campos é extremamente cuidadoso - e desconfiado - na escolha dos integrantes de seu círculo mais próximo de auxiliares. Por isso, muitas vezes opta por familiares.

Assim, minguam as chances do ex-ministro da Integração Nacional Fernando Bezerra (PSB), que deixou o cargo a contragosto após o rompimento do PSB com o governo federal, em setembro último. Desde então, ele trabalha para viabilizar sua candidatura a governador, mas, com seu histórico de mudanças de lado na cena política local, deve se contentar com a candidatura ao Senado, para a qual foi barrado em 2010.

A vaga, no entanto, também é desejada pelo senador Jarbas Vasconcelos (PMDB), que após 20 anos de brigas reatou com Campos em 2012. Ainda assim, são pequenas as chances de ele tentar renovar o mandato com apoio do governador. O PMDB deve ficar com a candidatura a vice-governador, provavelmente ocupada pelo deputado federal Raul Henry. Jarbas deve concorrer à Câmara.

Entre os demais postulantes à sucessão de Campos, destaque para o vice-governador João Lyra (PSB), que vai assumir a cadeira e a caneta no dia 2 de abril, data marcada para a desincompatibilização de Campos. Apesar da proximidade e da confiança depositada nele pelo governador, são pequenas as chances de ser Lyra o candidato.

Com bem menos chances, correm por fora os secretários Danilo Cabral (Cidades) e Milton Coelho (Governo). Outro nome comentado é o do ex-deputado petista Maurício Rands, que ameaçou deixar a política, mas voltou pelas mãos de Campos.

O candidato do PSB vai enfrentar nas urnas o senador Armando Monteiro (PTB), que rompeu com o grupo de Campos após perceber que não seria escolhido para encabeçar a sucessão estadual. Ele deve ter apoio do PT e espera contar com o entusiasmo do ex-presidente Lula, que é pernambucano e tem força para tumultuar a disputa, desde que demonstre o afinco para enfrentar Campos que lhe faltou na eleição de 2012, quando apoiou, sem muita energia, o senador Humberto Costa (PT), terceiro colocado na disputa pela Prefeitura do Recife.

Fonte: Valor Econômico

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