quarta-feira, 16 de julho de 2014

Dilma é a primeira a entregar o país pior do que recebeu, diz Campos

Gabriela Terenzi, José Marques – Folha de S. Paulo

SÃO PAULO - Em sabatina promovida pela Folha, UOL, Jovem Pan e SBT nesta terça-feira (15), o candidato à Presidência da República, Eduardo Campos (PSB) afirmou que a presidente Dilma Rousseff (PT) é a "primeira que entrega o país pior do que recebeu".

"Ela não teve capacidade política de entender a importância histórica dela nesse momento. Que era de preservar as conquistas sociais alcançadas pelo país. E ela que se dizia a gerente, a desenvolvimentista, vai entregar o menor crescimento. Disse que iria reduzir os juros e entrega os juros altos", disse o ex-governador de Pernambuco.

"Sinceramente, ela vai ficar reconhecida por entregar o país pior do que recebeu. Itamar Franco entregou melhor, Fernando Henrique Cardoso e Lula também."

Na plateia do Teatro Folha estavam presentes a candidata à vice-presidência Marina Silva (PSB) e o candidato a vice-governador de São Paulo Márcio França (PSB).

Na entrevista conduzida pelos jornalistas Ricardo Balthazar (Folha), Josias de Souza (UOL), Kennedy Alencar (SBT) e Patrick Santos (Jovem Pan), Campos frisou que não quer ser um crítico de oportunidade e elogiou conquistas das gestões de Fernando Henrique Cardoso (PSDB) e Lula (PT).

"O que não dá é essa disputa em que o PT diz que o PSDB não fez nada e o PSDB disse que o PT só fez corrupção", disse.

O pessebista, porém, tentou se desvincular do governo Dilma. O PSB rompeu com o governo federal no final de 2013.

"Nós discutimos candidatura própria em 2010. Os apelos do presidente Lula nos levaram a apoiar Dilma em 2010. Mas nós colocamos com muita clareza desde o início de 2011 nossas críticas à presidente", afirmou.

O ex-governador foi questionado acerca do trabalho dos ministros do PSB que ocuparam cargos em ministérios até o rompimento da aliança.

Como exemplo, foi citado o ministro da Integração Nacional, Fernando Bezerra, cuja pasta era responsável pela obra de transposição do Rio São Francisco. Em discursos no Nordeste, Campos frequentemente afirma que Dilma não entregou o que prometeu na região e cita a obra.

"A responsabilidade política é dela. Se fosse só essa obra, o ministro teria uma responsabilidade maior, mas estou falando de várias obras aqui", respondeu o ex-governador.

Lula
Ex-ministro de Ciência e Tecnologia do governo Lula, o pessebista evitou criticar a gestão do então presidente.

"Quem é o candidato do PT à Presidência? Se o PT estivesse disputando com o presidente Lula, eu e a Marina [Silva] estaríamos exercendo o papel democrático de exigir", afirmou.

Ele classificou o mensalão como "um horror", mas aproveitou o momento para criticar também o PSDB: "É a mesma coisa sobre a compra de voto no governo FHC".

"Todos aqui sabem que tinha divergências explícitas com José Dirceu. Agora, eu participava de um governo que foi construído legitimamente, que acertou ao ter humildade em continuar com a política macroeconômico de FHC", completou.

Reeleição
Campos afirmou que defende uma reforma política com mandato de cinco anos, com coincidência entre eleições, e o fim da reeleição.

Questionado se, caso eleito, disputaria por um novo mandato, o pessebista disse que não tem projeto de competir pela reeleição e abdicaria dela um em prol de uma "pauta renovadora" na política.

O candidato é o primeiro entre os três principais a afirmar que poderia acabar com o segundo mandato dos eleitos para o Executivo ainda nos próximos quatro anos.

Em entrevista ao programa "Roda Viva", da TV Cultura, o senador e candidato Aécio Neves (PSDB) também defendeu o fim da reeleição, mas colocou dúvidas em relação à possibilidade de mudar a legislação em um primeiro mandato.

Alianças táticas
O candidato afirmou que o partido que preside teve que fazer "alianças táticas" para firmar a candidatura e que "não é destruindo o que existe" que haverá mudança na política tradicional.

"Pra chegar vivo aqui, não imagine que foi fácil. Nós tivemos que fazer alianças táticas. A nossa união com Marina foi parte de todo um processo de sobrevivência", disse.

O ex-governador pernambucano foi questionado sobre tentativas de alianças feitas antes da entrada da ex-senadora Marina Silva, atual candidata a vice-presidente na chapa de Campos, no PSB. Foram lembradas conversas com o PDT de Carlos Lupi e com o PTB. Campos disse que houve autocrítica sobre esse momento após os protestos de junho em várias cidades do país.

"Que bom se a presidente tivesse humildade pra assumir os compromissos que ela fez lá em junho", criticou.

Recentemente, o presidenciável criticou caciques do PMDB em palanque e tenta se viabilizar como uma alternativa às candidaturas de Dilma Rousseff (PT) e Aécio Neves (PSDB). No entanto, o PSB é aliado de candidatos do PSDB, PMDB e PT nos estados.

"Não é destruindo o que existe [que a renovação será feita]. O novo não surge do nada, surge do que existe", afirmou. Segundo ele, mudanças na política não são feitas nos palanques dos estados, mas na "disputa ao planalto" e com "coerência nas alianças".

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