terça-feira, 16 de setembro de 2014

Dilma diz que proposta de reduzir ministérios é 'um escândalo'

• No Rio, presidente afirma que só fará reforma política com plebiscito

Juliana Castro – O Globo

Em discurso ontem na Central Única das Favelas (Cufa), na Zona Norte do Rio, a presidente Dilma Rousseff ironizou a proposta de seus principais adversários, Marina Silva (PSB) e Aécio Neves (PSDB), de reduzir o número de ministérios - atualmente são 39. Na entrevista coletiva, após o evento, a presidente disse ser um escândalo querer acabar com algumas pastas:

-Acho um verdadeiro escândalo querer acabar. Criei dois ministérios: o da Aviação Civil criei pela consciência absoluta de que havia uma verdadeira revolução no transporte por aviões no Brasil. Para se ter uma ideia, em 2003 eram 33 milhões de passageiros por ano e, agora, são 111 milhões de passageiros por ano. A ampliação de aeroporto no Brasil é uma exigência desse processo de inclusão social - disse.

No discurso para uma plateia de convidados da Cufa, para o lançamento do livro "Um país chamado favela", de Renato Meirelles e Celso Athayde, e composta em maioria por jovens, a presidente já havia falado sobre a questão:

- Tem gente, inclusive, querendo reduzir ministérios. Um deles é o da Igualdade Racial, o outro é o que luta em defesa da mulher. O outro é de Direitos Humanos. E tem um ministério que eu criei e eles estão querendo acabar, que é o da Micro e Pequena Empresa .

Sem citar Marina, a presidente usou na entrevista uma expressão da candidata do PSB para criticá-la:

- Não acredito no governo dos bons. Acredito num governo com legitimidade do voto popular.

Dilma criticou Marina em outro momento da entrevista, ao comentar a declaração de Marina, de que o PT colocou o ex-diretor Paulo Roberto Costa para assaltar os cofres da Petrobras:

- Aquilo é uma fala que não é de muito alto nível. Lamento aquela fala. Em qualquer empresa você pode ter pessoas que fazem malfeitos. O que você tem que fazer é investigar.

Ao falar sobre reforma política, Dilma afirmou que só a fará com uma consulta popular:

- Não faremos reforma política sem plebiscito. Eu vi o Lula tentar três vezes, fiz um grande movimento depois das manifestações, conversei com STF e o Congresso, não consegui passar a reforma.

Acompanhada do governador Luiz Fernando Pezão (PMDB), a presidente visitou as instalações da Cufa, assistiu a uma apresentação de capoeira e dançou o "passinho". A assessoria de Dilma, informou que essa era uma agenda mista, em que ela participou como presidente, mas, ao final, deu entrevista como candidata. Apesar disso, cabos eleitorais balançavam bandeiras de Dilma e Pezão do lado de fora.

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