sexta-feira, 3 de janeiro de 2014

OPINIÃO DO DIA – Merval Pereira

Não é crível que tenha sido à toa que ela buscou a expressão “guerra psicológica” para desqualificar as críticas que seu governo recebe.

A presidente utilizou um jargão militar autoritário para se colocar como a defensora do país contra aqueles críticos, que seriam os antipatrióticos. Não é a primeira vez que ela ou seu mentor político Lula utilizam esse truque vulgar para acusar a oposição de estar trabalhando contra o País, confundindo propositalmente a facção que está no governo em termos provisórios com o Estado brasileiro.

Merval Pereira, “Realidade e fantasia”. O Globo, 2/1/2014

A ‘guerra psicológica’ de Dilma: Balança comercial fecha 2013 com o pior saldo em treze anos

Saldo de exportações e importações ficou positivo em US$ 2,5 bilhões no ano passado

Manobra contábil do governo evita déficit de US$ 5 bilhões

Martha Beck, Henrique Gomes Batista

BRASÍLIA - A balança comercial brasileira encerrou 2013 com um superávit de apenas US$ 2,561 bilhões, pior resultado desde o ano 2000 e 86% inferior ao saldo de US$ 16,4 bilhões do ano anterior. O fraco desempenho se deve à combinação de uma queda da produção nacional de petróleo e derivados e do aumento do consumo de combustíveis no país, o que reduziu as exportações e elevou as importações desses produtos. Assim, a chamada conta petróleo registrou um déficit recorde de US$ 20,3 bilhões.

O resultado da conta petróleo só não foi pior por causa de uma manobra contábil do governo também no setor de petróleo. Na conta das exportações, que fecharam 2013 em US$ 242,178 bilhões, foram incluídas as vendas de sete plataformas de petróleo, que somaram US$ 7,736 bilhões. Embora tenham sido construídas no Brasil, foram vendidas a empresas estrangeiras (algumas subsidiárias da Petrobras) e depois alugadas pela própria estatal. Mesmo não envolvendo uma saída efetiva de mercadorias do país, as operações são contabilizadas como exportações.

Para o presidente da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB), José Augusto de Castro, os dados mostram que o Brasil continua fortemente dependente das exportações de commodities, o que deve se repetir em 2014. Ele estima que a balança terá superávit de US$ 7 bilhões este ano, mas o resultado dependerá de uma eventual alta nas exportações de petróleo:

— Algumas das plataformas que ficaram paradas em 2013 já voltaram a produzir, o que vai aumentar a oferta e as vendas ao mercado externo. Isso deve ajudar na balança.

O economista Armando Castelar, professor da FGV e da UFRJ, afirma que, sem a “exportação de papel” das plataformas de petróleo, o ano teria déficit de uns US$ 5 bilhões. Por outro lado, diz, o resultado foi prejudicado pelo registro, em 2013, de quase US$ 5 bilhões em importações de petróleo e derivados, feitas em 2012.

— Uma das coisas que me preocupa é o déficit da conta petróleo, que passou de US$ 20 bilhões. O preço da gasolina está subsidiado, e as pessoas continuam consumindo de forma excessiva. Ao menos até as eleições, a gasolina tende a subir menos que a inflação e que a correção dos salários — diz, lembrando que o preço dos produtos brasileiros caiu 12%, em dólar, nos últimos dois anos.

Apesar do fraco desempenho da balança, o secretário de Comércio Exterior, Daniel Godinho, comemorou. Segundo ele, foi positivo o fato de o país ter conseguido registrar exportações elevadas e ter aumentando as importações de itens como bens de capital, bens intermediários e insumos em geral. Em 2013, as compras de outros mercados atingiram US$ 239,617 bilhões, com alta de 6,5% sobre 2012.

— Houve um aumento de importações utilizadas nos investimentos no país. Somos contra importações desleais, ilegais. Mas temos que comemorar esse resultado de importações de insumos

— disse, destacando a corrente de comércio do país, que ficou em US$ 481,795 bilhões.

Secretário: resultado é conjuntural
Godinho disse que o saldo comercial nesse montante é conjuntural e tem todos os elementos para se recuperar:

— Sempre buscamos saldos comerciais elevados, mas eles são incompatíveis com a forte retomada dos investimentos. Importações assim são importantes.

Para 2014, o secretário preferiu não falar em números, alegando incertezas. Segundo ele, embora haja uma expectativa de aumento da produção nacional de petróleo e grãos e de um câmbio mais favorável às exportações, existem dúvidas sobre o nível de recuperação das economias americana e europeias, além de uma tendência de menor crescimento da China. Além disso, o mercado espera uma queda nos preços de commodities agrícolas. Ele disse que as exportações devem se manter em patamar próximo ao dos últimos três anos e que o saldo comercial deve ser positivo:

— Se eu pudesse apostar, apostaria em superávit (para 2014).

Os dados divulgados mostram que, embora as exportações tenham recuado 1% em relação a 2012, houve recorde nas vendas externas de vários produtos, como automóveis, cujas vendas somaram US$ 5,48 bilhões, com alta de 46,1% no mesmo período. Segundo o ministério, essa alta se deve ao aumento das exportações para a Argentina. Também bateram recorde as vendas de produtos básicos, de soja em grão (US$ 22,8 bilhões), farelo de soja (US$ 6,78 bilhões), carne bovina (US$ 6,66 bilhões) e milho (US$ 6,3 bilhões).

Isolamento nacional
O fraco desempenho das exportações brasileiras, com impacto no saldo comercial de 2013, evidencia o isolamento do país no comércio global. Para Silvio Campos Neto, economista da Tendências Consultoria Integrada, o país está pagando o preço de estar associado ao Mercosul e, assim, não ter realizado novos tratados comerciais. Ele lembra que a situação argentina é um dos pontos que mais preocupa os exportadores brasileiros.

— Sofremos com os problemas de grandes parceiros tradicionais, como a Argentina e a União Europeia e, sem acordos, não estamos conquistando novos mercados para nossos produtos — disse ele, lembrando que, sem a artimanha das exportações “de papel” de plataformas de petróleo da Petrobras para subsidiárias no exterior, o Brasil teria registrado déficit no ano passado.
Mas ele espera um resultado um pouco melhor este ano:

— Esperamos para 2014 um superávit de US$ 8,2 bilhões, obtidos com exportações de US$ 248,4 bilhões e importações de US$ 240,3 bilhões, em patamar muito próximo ao deste ano. A alta do dólar deve frear o aumento das importações, mas não tende a alavancar tanto as exportações, que sofrem com a falta de competitividade do país — diz o especialista.

Fonte:O Globo

Governo atua para adiar leis sensíveis a sindicatos

Regulação de greve no setor público e proposta sobre terceirização são temas trabalhistas que mais afetam base petista

Felipe Recondo

BRASILIA – Além dos impasses político-eleitorais da base aliada terem impedido o avanço de projetos no Congresso Nacional em 2013, ô governo da presidente Dilma Rousseff também atuou diretamente em alguns casos para que isso ocorresse. Especificamente, em questões trabalhistas, que afetam justamente a forte base sindical petista.

O caso mais evidente foi no debate sobre a regulamentação do direito de greve do serviço público no País. A estratégia do governo, apresentada na Comissão Mista de Consolidação das Leis no Congresso que discute o assunto, foi orientar a base a evitar que ela avançasse.

Atualmente, o direito de greve consta das disposições transitórias da Constituição de 1988 e, por essa razão, precisa ser regulamentado. O relator da proposta é o senador Romero Jucá (PMDB-RR). No seu texto, ele toma medidas que tornam mais rígidas as regras. Por exemplo, proíbe três categorias de parar os serviços: Forças Armadas, Polícia Militar e Bombeiros. Também obriga que, nos setores de segurança pública e controle de tráfego aéreo, seja mantido 80% do seu funcionamento durante a greve. Para serviços essenciais, como hospitais e setores de energia, água e recolhimento de lixo, esse índice fica em 60%. A greve será declarada ilegal caso esses porcentuais sejam descumpridos. Fica suspenso o pagamento de remuneração correspondente aos dias não trabalhados para os grevistas, assim como eles não serão contabilizados como tempo de serviço.

As centrais sindicais reclamaram. "É um projeto que acaba com o direito de greve. O senador precisa ouvir as entidades. Greve com 80% dos servidores trabalhando não é greve", afirmou um dos diretores da Confederação dos Trabalhadores no Serviço Público (Condsef), Sérgio Ronaldo. O órgão é ligado à Central Única dos Trabalhadores (CUT),braço sindical petista. As centrais querem que a proposta inclua a regulamentação das negociações coletivas e questões sobre eleição de dirigentes sindicais.

Jucá rebate as críticas e alega que o texto tenta garantir que a população não fique sem serviços essenciais durante as paralisações dos trabalhadores.

Ausência. A atuação da bancada do PT na comissão mista ilustra bem o distanciamento providencial do governo da discussão. Único petista a integrar a comissão, o senador Jorge Viana (AC) raramente comparece às reuniões.

Além da resistência do PT, a proposta enfrenta "falta de vontade política". Mesmo oito meses depois da instalação da comissão, o presidente do Congresso, senador Renan Calheiros (PMDB-AL), não indicou substitutos para cadeiras que ficaram vagas ao longo do tempo nem todos os suplentes. Composta por 12 parlamentares, além do presidente, deputado Cândido Vaccarezza (PT-SP), e do relator, Romero Jucá, as reuniões raramente reúnem mais que cinco membros.

Terceirização. Outra proposta em que às centrais usam sua influência no governo para impedir a aprovação é a que regulamenta a terceirização. Na prática, ela deixa espaço para a criação de sindicatos formados somente de trabalhadores terceirizados, o que resultaria em menos poder e dinheiro para as centrais já estabelecidas. As entidades e o governo alegam que a Constituição só permite a criação de sindicatos por categoria da atividade econômica ou da profissão. A estratégia é aprovar o texto em 2014 somente na comissão especial que discute o tema desde setembro. Depois, a ideia é travá-lo assim que for remetido ao plenário da Câmara.

O presidente da CUT, Vagner Freitas, diz que a central não medirá esforços para continuar tendo sob sua influência os maiores sindicatos. Ele defende que os terceirizados se filiem aos mesmos sindicatos dos trabalhadores das empresas contratantes para garantir os mesmos direitos. E o contrário do que prevê o projeto, que permite que as negociações da contratante com seus empregados não se apliquem aos terceirizados.

PARA ENTENDER

STF cobrou regulação
As disputas em tomo do direito de greve dos servidores públicos levaram o Executivo e o Congresso a deixar para o Supremo Tribunal Federal a solução do problema. Em outubro de 2007, por unanimidade, o STF constatou a omissão na aprovação de uma lei que regulamentasse o assunto e determinou que fossem aplicadas aos servidores as regras vigentes para o setor privado.

Na época, o ministro Celso de Mello criticou severamente a demora do Congresso na regulamentação do tema. "Não mais se pode tolerar, sob pena de fraudar-se a vontade da Constituição, esse estado de continuada, inaceitável, irrazoável e abusiva inércia do Congresso Nacional", disse o ministro.

Desde então, as greves no setor público são limitadas pela lei que é aplicada às paralisações do setor privado. Para categorias que prestam serviços considerados de utilidade pública, as regras são mais rígidas: exigem comunicação prévia e que parte dos servidores trabalhe.

Fonte: O Estado de S. Paulo

Um ano lamentável no Legislativo federal

"Ih! Em 2014 não dá mais tempo de melhorar a imagem do Congresso. É hora de eleição!", sentencia o líder da minoria na Câmara dos Deputados, Nilson Leitão (PSDB-MT), ao ser questionado sobre como corrigir os erros de 2013 nos próximos 12 meses. No balanço do ano que passou, parlamentares admitiram ao Correio: vexames marcaram os 365 dias do Legislativo federal. Entretanto, nenhum deputado ou senador assumiu a responsabilidade pelos fiascos e transferiu a culpa para fatores externos. O jogo de empurra é o mesmo que marcou a gestão do PMDB à frente do parlamento.

O presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), e o da Câmara, Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN), assumiram os respectivos cargos em fevereiro do ano passado, depois de uma disputa pelo comando das duas Casas manchada por denúncias e protestos contra eles. Com a missão de resgatar a imagem do Legislativo perante a população, eles investiram no discurso de defesa da transparência, do corte de gastos públicos e do combate à corrupção. No decorrer do ano, porém, estiveram à frente de situações constrangedoras para o Congresso. A principal delas — consenso entre os entrevistados pela reportagem — foi a manutenção do mandato do deputado Natan Donadon (sem partido-RO).

Menos de dois meses depois dos protestos que invadiram as ruas do país em junho, os parlamentares decidiram, em votação secreta, livrar Donadon da cassação no fim de agosto, mesmo após ele ter sido preso por formação de quadrilha e peculato. Acusado de ter errado ao colocar a votação em plenário em vez de declarar automaticamente cassado o mandato do deputado, Henrique Alves correu para tentar corrigir o problema e disse que o parlamentar teria de se licenciar por não ter condições de comparecer ao Congresso.

Para o líder do DEM na Câmara, Ronaldo Caiado (GO), a culpa não pode ser atribuída apenas ao presidente da Casa. "Não se pode transferir para ele uma decisão do plenário. Cabia a ele apenas abrir a sessão para decidir o caso. A manutenção do mandato foi responsabilidade da maioria, que decidiu por isso", avalia. Depois do episódio, o Congresso voltou a discutir o fim do voto aberto, debate arrastado por anos nas duas Casas. O jogo de empurra entre Senado e Câmara, que tinham propostas sobre o tema e enrolavam para levá-las à votação, terminou com o fim do sigilo pela metade.

O Senado teve a chance de acabar com o voto secreto em todas as circunstâncias, mas preferiu aprovar apenas para casos de cassação de mandato e vetos presidenciais. Ficou de fora um item importante e que diz respeito diretamente a Renan: a eleição da Mesa Diretora. Nos corredores da Casa, a avaliação é de que o peemedebista só se tornou presidente da Casa por causa do sigilo garantido aos seus apoiadores, apesar de um abaixo-assinado com mais de 1 milhão de assinaturas populares contra a nomeação do peemedebista. "O voto deveria ser aberto em todas as ocasiões. O ano do Congresso passou com nota média, mas raspando para não ser pior. Faltou a reforma política avançar nas agendas", diz o senador Randolfe Rodrigues (PSol-AP).

Protestos
A reforma política foi defendida pela presidente Dilma Rousseff como resposta aos apelos das manifestações de junho. O PT ensaiou uma pressão no Congresso, alguns partidos aproveitaram as circunstâncias como discurso da moralidade, mas o tema, mais uma vez, ficou no papel. Sem conseguir consenso nem sequer discutir o assunto, os parlamentares aprovaram apenas uma minirreforma eleitoral, com itens apelidados como "perfumaria", como a limitação das despesas com alimentação e combustível nas campanhas.

Outras promessas feitas à população que ocupou as ruas ficaram no caminho, apesar de Renan e Henrique Alves terem elaborado uma agenda positiva como reação aos protestos. Um dos primeiros temas aprovados foi a transformação da corrupção em crime hediondo, o que endureceu a pena para quem cometesse desvios. Os parlamentares usaram as redes sociais para festejar a aprovação e dizer que ajudaram na proposta. Só que, sem combinar as agendas, cada Casa votou um texto sobre o assunto e nenhum dos dois teve a tramitação finalizada.

Para Nilson Leitão, Renan "jogou para a torcida". "Ele foi um bom serviçal da presidente Dilma. Esforçou-se para fazer tudo o que o Planalto queria. O Henrique se esforçou um pouco mais, mas faltou firmeza. O orçamento impositivo saiu dele, o voto aberto saiu dele, os grandes debates saíram dele, mas não os concluiu. Deixou para o Senado", afirma.

O senador José Agripino Maia (DEM-RN) diz que a avaliação da produtividade e da conduta do Congresso como um todo é uma injustiça. "Não se pode nivelar parlamentares. Muitos foram na regência da boa produção, outros não. Lamentavelmente, os meios de comunicação assimilam informação negativa. Isso pega em todos. Eu me recuso a ser incluído entre os lambaios. Alguns exemplos de resistência foram dados. Processo democrático é isso. É erro cometido, correção feita."

"O ano do Congresso passou com nota média, mas raspando para não ser pior. Faltou a reforma política avançar nas agendas" - Randolfe Rodrigues (PSol-AP), senador

Fonte: Correio Braziliense

Presidenciáveis privilegiam o Sudeste no cumprimento de agendas em 2013

Prováveis candidatos ao Planalto viajaram mais para a região que concentra os maiores colégios eleitorais do País; 77% dos deslocamentos de Aécio tiveram esse destino; Campos se aproximou do empresariado paulista e Dilma visitou o estado 18 vezes

Lilian Venturini e Isadora Peron

A região Sudeste foi o principal destino das viagens nacionais feitas em 2013 pelos três prováveis candidatos ao Palácio do Planalto, a presidente Dilma Rousseff (PT), o senador Aécio Neves (PSDB) e o governador de Pernambuco, Eduardo Campos (PSB).

Com motivações variadas, os deslocamentos para a região, que concentra os maiores colégios eleitorais do País, num total de 60,7 milhões de eleitores, refletem as diferentes estratégias políticas adotadas ao longo do ano e podem indicar os passos de 2014. O levantamento do Estado foi feito a partir das agendas oficiais e registros das assessorias dos três políticos.

Dos três presidenciáveis, Aécio foi o que mais privilegiou a região, apesar de ter sido o que menos viajou entre os prováveis candidatos. Das 45 viagens feitas em 2013, 35 foram para o Sudeste. Em nove dirigiu-se à capital paulista e em outras nove para cidades do interior do Estado - dominado há quase duas décadas pelos tucanos.

O foco em São Paulo, o maior colégio eleitoral do País, tinha um objetivo claro: ganhar visibilidade entre o eleitorado e vencer a resistência de parte dos correligionários, que preferiam o nome do ex-governador José Serra. No mês passado, Serra anunciou no Facebook seu afastamento da corrida presidencial.

"Em 2013 Aécio precisava confirmar o que ele tinha pretensão de ser (candidato a presidente). Tinha que confirmar o apoio do partido", afirma o deputado Sérgio Guerra (PSDB-PE). O senador também não descuidou do seu reduto eleitoral: foi 13 vezes a Minas, Estado que governou por duas vezes.

De maneira geral, os encontros com correligionários e lideranças de siglas aliadas dominaram a agenda e ficaram mais frequentes a partir de agosto, quando Aécio já era presidente nacional do PSDB. Em São Paulo, aproveitou também para se apresentar a empresários, ruralistas e ambientalistas. Estratégia parecida com a adotada no Sul, segunda região mais visitada por ele, com quatro viagens.

Mais viagens. Dilma também deu preferência para a região Sudeste, para onde fez 37 das 82 viagens. A presidente, aliás, fechou 2013 com o maior saldo de deslocamentos domésticos da sua gestão - em 2011, foram 69 viagens, ante 50 em 2012.

Só a São Paulo foram 18 visitas da petista: nove delas na capital e quatro em São Bernardo do Campo, cidade do ABC que é o berço político petista. O Estado, que costuma ser mais simpático ao PSDB nas urnas, está entre os que o governo Dilma tem menor aprovação, segundo a última pesquisa realizada pelo Ibope, em dezembro. Apesar de bem avaliada em Minas, Dilma viajou em oito ocasiões para o Estado, também governado pelo PSDB.

Nos últimos dias do ano, a presidente visitou o único Estado da região ao qual não havia ido em 2013, o Espírito Santo, onde sobrevoou áreas que foram atingidas pela chuva.

Em termos de quantidade, o Nordeste foi o segundo principal destino da presidente. Os Estados da região, onde Dilma costuma ser bem avaliada, foram palcos para 23 viagens. A presidente, no entanto, também voltou sua atenção para o Sul, região onde o PT conta com menos simpatia do eleitorado, e para onde Dilma viajou 19 vezes, bem acima das cinco visitas feitas em 2012.

Empresários. Os caminhos escolhidos por Campos lembram os de Dilma e também privilegiaram cidades do Sudeste e, em seguida, do Nordeste. Suas viagens tiveram um objetivo: tornar seu nome mais conhecido entre os eleitores e, principalmente, entre o empresariado. A maratona de 58 deslocamentos de Campos começou ainda nos primeiros meses de 2013 e manteve ritmo intenso durante todo o ano.

Em uma semana de abril, por exemplo, passou quatro dos cinco dias úteis longe de Pernambuco. Recentemente, numa terça-feira de novembro, teve quatro compromissos num mesmo dia na capital paulista. "Mais de 80% das viagens de Campos este ano tiveram como foco a apresentação dele e do sucesso que é o seu governo em Pernambuco", disse o deputado Beto Albuquerque (PSB-RS).

Nesses encontros, Campos costumava seguir o mesmo roteiro. Apontava as conquistas dos governos FHC e Lula, mas apresentava-se como uma nova opção, incorporando a figura do gestor capaz de retomar o crescimento econômico.

Fonte: O Estado de S. Paulo

Campos diz que País vive 'crise de expectativa' na economia

Governador de Pernambuco posta mensagem no Facebook em resposta ao pronunciamento da presidente Dilma feito domingo passado

Isadora Peron

SÃO PAULO - O governador de Pernambuco e provável candidato à Presidência, Eduardo Campos (PSB), disse nesta quinta-feira, 2, que o Brasil vive uma "crise de expectativa" na área econômica. Em artigo postado na sua página no Facebook, Campos afirmou que há problemas que precisam ser enfrentados e que a inflação volta a bater na porta dos brasileiros.

O texto foi publicado quatro dias depois de a presidente Dilma Rousseff afirmar, em pronunciamento no rádio e na TV, que "alguns setores" estão fazendo uma "guerra psicológica" e criando uma "desconfiança injustificada" que pode inibir investimentos.

"Nós temos, hoje, problemas macroeconômicos que precisam ser enfrentados. Há três anos seguidos o Brasil cresce uma média que é a metade do que vinha crescendo. Nestes três anos, a América Latina tem crescido 40%, 50% de média a mais que o Brasil. O mundo está crescendo mais que o Brasil. Assim, temos a inflação de volta batendo na porta dos brasileiros", escreveu Campos.

Reforçando a crítica de que o governo tem manipulado os resultados das contas públicas, o governador afirmou que, diante do baixo crescimento do Produto Interno Brasileiro (PIB), "não se tem espaço de manobra para tentar fazer mágica". Segundo ele, é preciso iniciar um "debate que faça o Brasil reencontrar o caminho do crescimento" .

Em mais uma resposta à fala de Dilma, que afirmou que o Brasil vai continuar melhorando, Campos disse que era preciso ter "humildade" para reconhecer as "deficiências" na área econômica: "Não adianta nada, nessa hora, esconder as deficiências. O pior erro na vida de uma pessoa, de uma comunidade, de uma organização e, sobretudo, de um país, é não ter humildade para reconhecer as coisas que precisam ser consertadas".

Fonte: O Estado de S. Paulo

PSB anuncia rompimento com PT no Piauí após 8 anos de aliança

Governador do estado substitui secretários petistas

Segundo Wilson Martins, rompimento foi provocado pela decisão do senador Wellington Dias (PT) de formar chapa com o PTB e PP

Efrem Ribeiro

TERESINA - O governador do Piauí, Wilson Martins (PSB), anunciou nesta quinta-feira rompimento com o PT no estado e os nomes dos novos secretários para substituir os petistas nas Secretarias das Cidades, da Inclusão de Pessoas com Deficiência, de Assistência Social e Cidadania e Agência de Fomentos.

Wilson Martins explicou que o rompimento foi provocado pela decisão unilateral do senador Wellington Dias, líder do PT no Senado, de formar uma chapa com o PTB e PP, legendas que criticam de forma contundente seu governo, deixando os partidos aliados de fora.

Wilson Martins anunciou também o rompimento com o PTB, presidido no Piauí pelo senador João Vicente Claudino, que é candidato à reeleição, exonerando o secretário estadual de Turismo, José Nery Filho, que é do partido.

Wilson Martins afirmou que a tendência é ficar no governo do estado até o final de 2014. Ele pretendia ser candidato ao Senado.

O PT e o PSB foram aliados nas eleições gerais de 2006 e 2010. Wilson Martins foi vice no segundo governo de Wellington Dias de 2006 a 2010 e assumiu o executivo do Piauí no lugar do petista, que foi disputar o Senado com apoio do PSB.

Fonte: O Globo

Tucanos ganham cargos no governo Campos

PSDB ingressa na gestão do presidenciável do PSB e vai comandar a Secretaria de Relações do Trabalho e Detran de Pernambuco

Monica Bemardes

RECIFE - O PSDB de Pernambuco aderiu ontem oficialmente ao governo de Eduardo Campos, provável candidato do PSB à Presidência, os tucanos assumem cargos antes ocupados pelo PTB, legenda que desembarcou da administração estadual para disputar o comando do Estado. Os tucanos vão comandar a Secretaria e Estado de Relações do Trabalho e Emprego e o Departamento de Trânsito (Detran-PE).

A aliança local entre PSDB e PSB ocorre menos de um mês após o governador pernambucano jantar com o senador Aécio Neves (PSDB-MG) em um restaurante do Rio, no qual os dois conversaram sobre possíveis alianças regionais. Além de Pernambuco, os presidenciáveis avaliaram apossibilidade de dividir palanques em São Paulo, Minas, Paraíba e Rio Grande do Sul.

Ontem, Campos negou que a adesão da legenda tucana tenha relação com o cenário nacional. "Não se trata de um efeito disso ou daquilo. Nós vínhamos conversando há um tempo", afirmou. "O convite foi feito por mim ao deputado Sérgio Guerra (presidente estadual da legenda tucana) e foi aceito pelo PSDB, que indicou nomes da confiança da legenda para integrar o nosso governo. Não há relação com o cenário nacional. Cada um poderá interpretar da forma como queira. Mas repito que a relação com o PSDB aqui em Pernambuco não é de hoje, tem muito tempo".

Resistência. A aproximação de PSB e PSDB nos Estados -principalmente em São Paulo -, no entanto, encontra resistência na ex-ministra Marina Silva, que ingressou no PSB em outubro após o registro do seu novo partido, a Rede Sustentabilidade, ser negado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

Marina e seus aliados defendem que a coligação PSB-Rede não faça alianças nem com o PSDB nem com o PT. Em São Paulo, enquanto a Rede defende lançar candidatura própria, o diretório estadual do PSB quer apoiar a reeleição do governador tucano Geraldo Alckmin.

Com a adesão à gestão de Campos, o PSDB de Pernambuco sepultou a possibilidade de lançar um candidato na disputa pelo governo do Estado. O nome deputado estadual Daniel Coelho - que deixou o PV em 2011 - vinha sendo cogitado. "Para lançarmos Daniel ao governo do Estado teríamos que ter uma estrutura maior, seja financeira, de coligações, com apoio de prefeituras. E hoje não temos isso. Nosso foco é eleger um bom número de deputados", disse Guerra.

Prefeitura. Nos bastidores ganham corpo as especulações de que os tucanos também deverão ingressar em breve na prefeitura do Recife, comandada pelo prefeito Geraldo Júlio (PSB), afilhado político de Campos.

Durante entrevista coletiva, o próprio governador apresentou os novos integrantes de sua gestão. O advogado Murilo Guerra é o nome do PSDB para a Secretaria de Relações do Trabalho e Emprego e Gaio Mello vai comandar o Detran. Na administração estadual, os tucanos terão cerca de 120 cargos comissionados à disposição.

Para Sérgio Guerra, com a aliança entre PSDB e PSB, a expectativa é que em Pernambuco Campos obtenha cerca de 60% do total de votos; a presidente Dilma Rousseff ficaria com aproximadamente 30% e Aécio com cerca de 10%.

"Em Minas, a situação seria o inverso. Aécio teria 70%, Dilma, uns 30% e Eduardo brigaria por 10%", prevê Guerra.

Fonte: O Estado de S. Paulo

Eduardo Campos dá cargos para PSDB no governo de Pernambuco

Apesar de criticar ‘políticas mofadas’, governador oficializa parceria

RIO — O governador e pré-candidato à Presidência da República, Eduardo Campos (PSB), oficializou nesta quinta-feira a entrada do PSDB no governo de Pernambuco. Apesar de ser crítico da “política mofada” e da polarização entre tucanos e petistas, ele aproveitou a oportunidade para elogiar integrantes do partido do também pré-candidato à Presidência, Aécio Neves. Após anunciar que faria uma reforma administrativa, ele listou os nomes dos novos nomes da legenda que ocuparão cargos vagos desde a saída do PT e do PTB. Em outubro passado, as siglas deixaram a gestão do PSB.

Entre os novos integrantes do governo, há dois indicados pelos tucanos. Murilo Guerra, advogado e ex-superintendente do Sebrae em Pernambuco, vai assumir a Secretaria de Trabalho, Qualificação e Empreendedorismo (STQE). Já o atual secretário de Saúde de Camaragibe, Caio Mello, ocupará a presidência do Detran-PE. Os cargos eram ocupados por pessoas ligadas ao PTB, que faz parte da base aliada da presidente Dilma, agora adversária de Campos.

A escolha de políticos do PSDB, que não apoiou Campos nas últimas duas eleições estaduais e ainda faz oposição na Assembleia Legislativa de Pernambuco, é resultado das conversas do governador com o deputado Sérgio Guerra, ex-presidente nacional do PSDB. Os novos nomes da gestão serão empossados hoje.

— Nós tivemos um diálogo com o PSDB, um diálogo que sempre tive mesmo quando eles não votaram com a gente(...) Sempre tive relação preservada com o presidente do PSDB (em Pernambuco), o deputado Sérgio Guerra. Nós entendemos que nesse momento, na hora que alguns partidos saíam da base de sustentação, era a hora de fazer esse convite. Já tínhamos companheiros do PSDB que já trabalhavam no nosso governo, a convite meu e não por indicação partidária — disse Campos, que aproveitou para comentar que a decisão não interfere no cenário nacional.

Fonte: O Globo

Disputas regionais dificultam formação de palanques para o PSB em três Estados

Raphael Di Cunto

BRASÍLIA - A adesão do PPS à candidatura do governador de Pernambuco, Eduardo Campos (PSB), à Presidência deve agravar ainda mais a já tumultuada formação de palanques regionais do partido do pernambucano com o Rede Sustentabilidade, legenda da ex-senadora Marina Silva que se abrigou provisoriamente no PSB após não ter o registro aceito pela justiça eleitoral.

O PPS pediu apoio para seus candidatos disputarem os governos de três Estados e em todos há divergências. Os problemas se somam a desentendimentos sobre palanques em outros locais, como São Paulo, em que o Rede pressiona o PSB a romper uma aliança histórica com o governador Geraldo Alckmin (PSDB). As diferenças de pensamento levaram as siglas a defenderem que a aliança PSB/Rede é nacional e, regionalmente, cada grupo poderá ter um candidato diferente.

Último a aderir ao bloco, o PPS quer apoio a três candidatos: a deputada distrital Eliana Pedrosa, que vai concorrer contra Agnelo Queiroz (PT) no Distrito Federal; a deputada estadual Eliziane Gama, que pretende disputar contra o candidato de Roseana Sarney (PMDB) no Maranhão; e o vice-prefeito de Manaus, Hissa Abrahão, que tenta viabilizar sua candidatura à sucessão de Omar Aziz (PSD) no Amazonas.

A demanda do PPS foi apresentada à cúpula do PSB há duas semanas, e ainda não chegou formalmente ao Rede. Integrantes do partido de Marina Silva, porém, opõe-se veementemente à aliança com o vice-prefeito de Manaus. "É um consenso geral da Rede no Amazonas que o Hissa não nos representa", afirma o porta-voz do partido no Estado, Tacius Fernandes, que também compõe a comissão nacional da legenda.

Segundo Fernandes, o vice-prefeito adota práticas da "velha política" combatidas pelo Rede. "O Hissa ficou um ano inteiro dizendo que ia ser candidato a prefeito para no último momento se aliar ao Arthur [Virgílio Neto, do PSDB, que foi eleito]. Fez isso com o compromisso de ficar até o fim do mandato, mas agora ignora a promessa para sair candidato", pontua. Como vereador, Hissa também fez parte da base de apoio do ex-prefeito de Manaus Amazonino Mendes (PDT), que não tem a simpatia do grupo de Marina Silva.

O porta-voz do Rede critica ainda a postura do PSB no Estado. Controlado pelo ex-prefeito de Manaus Serafim Corrêa, o partido aderiu à base de apoio de Arthur Virgílio e discute apoiar o candidato que o PSDB indicar - provavelmente a deputada federal licenciada e atual secretária de Governo do Amazonas, Rebecca Garcia (PP).

"O PSB infelizmente está andando de acordo com o que o PSDB decide. O Serafim Corrêa está muito próximo do grupo do Arthur, mas a gente espera que ele tenha discernimento para lançar uma candidatura própria que possa dar palanque para o Eduardo ou a Marina no Amazonas e não ser levado a apoiar o Aécio Neves [PSDB]", afirma Tacius Fernandes.

Na tentativa de costurar um acordo, Fernandes sugere como candidatos dois deputados estaduais dos aliados: Marcelo Ramos (PSB) ou Luiz Castro (PPS). Ramos teve o nome lançado pela própria Marina em outubro, quando a ex-ministra participou de um seminário sobre sustentabilidade em Manaus. Ambos, entretanto, não contam com apoio da cúpula de seus partidos para disputarem.

Há dificuldades também no Maranhão, desta vez com o PSB. Com aval de Eduardo Campos, a legenda está muito próxima de fechar o apoio à candidatura do presidente da Embratur, Flávio Dino (PCdoB). Em troca, Campos teria um palanque forte no Estado e o PSB ficaria com a vaga da chapa ao Senado. Segundo pessoas próximas à negociação, a coligação só não aconteceria se o PT, hoje aliado da família Sarney, decidir apoiar Dino.

Já o grupo do Rede no Maranhão está filiado ao PPS. Isto inclui a candidata do PPS, Eliziane Gama, mas os integrantes da legenda de Marina acham improvável que a aliança nacional entre os três partidos leve o PSB a desembarcar da candidatura de Dino. "É muito difícil. O ex-governador José Reinaldo Tavares é filiado ao PSB e é um dos padrinhos da candidatura do Flávio Dino, vai ser complicado demovê-lo desta ideia", afirma o coordenador do Rede no Maranhão, Cândido Lima (PPS). Como alternativa para obter mais tempo de TV, o PPS negocia apoio com o PSDB.

Eliziane é "pré-filiada" ao Rede, termo cunhado pelos militantes para definir os políticos que estão temporariamente em outras legendas até que o partido seja aceito pela justiça eleitoral. Na campanha de 2012 para a Prefeitura de São Luís, a deputada recebeu apoio pessoal de Marina Silva, o que provocou ressentimento no grupo do deputado federal Domingos Dutra, que trocou o PT pelo Solidariedade depois que o Rede não saiu do papel.

Antigo coordenador do Rede no Maranhão e assessor de Dutra, Clemilton Oliveira Alves reclama do tratamento dado pela ex-ministra. Diz que Marina não consultou as pessoas que ajudaram na construção do Rede sobre a filiação ao PSB e que o apoio a Eliziane contraria a tentativa de formar uma chapa de oposição à família Sarney.

"A Eliziane só aparece bem nas pesquisas porque a mídia pró-Sarney tem fortalecido a candidatura dela para enfraquecer a candidatura do Flávio Dino, que já tinha nosso apoio", afirma Alves. "Ela sequer se empenhou na formação do Rede. Nunca participou das reuniões e, das 45 mil fichas de apoio colhidas no Estado, o grupo dela recolheu só 2 mil. Mas a Marina sempre foi mais simpática a ela, talvez pelo fato de ambas serem evangélicas."

Atual coordenador do Rede no Maranhão, Lima diz que o grupo do deputado Domingos Dutra tentou levar ao Rede uma "verticalização" da estrutura de poder que não era condizente com o novo partido. "Foi estabelecido que a quantidade de assinaturas coletadas não seria determinante para definir quem comandaria a Rede no Estado. O Dutra tentou vetar o nome da Eliziane e não trabalhamos desta forma", diz.

No Distrito Federal, a discussão ainda não se tornou pública, mas é igualmente complicada. Candidata do PPS, a deputada Eliana Pedrosa foi secretária de Assistência Social do governo do Distrito Federal por quatro anos, durante o governo José Roberto Arruda (PR), que foi preso por supostamente liderar um esquema de desvio de recursos que ficou conhecido como "mensalão do DEM".

O currículo não atrai simpatias entre os militantes do Rede, mas os porta-vozes do partido batem cabeça para não tornar essa discussão pública. "Acreditamos que as alianças não se fazem em torno de pessoas, mas de projetos, por isso ainda não estamos discutindo nomes", afirma a porta-voz no DF, Muriel Saragoussi. Já o coordenador-nacional da sigla, Pedro Ivo, diz o contrário. "A Rede já tem candidato no Distrito Federal, o [deputado federal] Reguffe [PDT]. O PSB, por sua vez, já tem seu próprio candidato, o senador Rodrigo Rollemberg.

Fonte: Valor Econômico

2014 mal começou e ja tem polêmica boa no PSD do Rio

Indio quer se candidatar ao governo, e Wagner pensa se vai apoiá-lo

Rozane Monteiro

RIO - Sim, o ano da eleição, que não chegava nunca, acabou chegando. E com ele, mais um nome para a lista de pré-candidatos ao governo do Rio. Saiu ontem no Diário Oficial do Município a exoneração, a pedido, do secretário municipal de Esportes e Lazer, Indio da Costa.

Portanto, agora, oficialmente, o presidente do PSD no Rio se apresenta como pré-candidato à sucessão de Sérgio Cabral (PMDB). E já entra em campo arrumando, involuntariamente, polêmica com o deputado estadual Wagner Montes (PSD).

Indio quer formar um grupo de partidos de oposição contra os pré-candidatos que ele considera ligados ao PT e têm chance de ir para o segundo turno. Ele se refere ao ministro da Pesca e Aquicultura, Marcelo Crivella (PRB); o deputado federal Anthony Garotinho (PR); o senador Lindbergh Farias (PT-RJ); e o vice-governador Luiz Fernando Pezão (PMDB) — todos de partidos da base da presidenta Dilma Rousseff (PT), aliada ao PMDB de Cabral.

“Tem um campo que, se estiver junto, pode ter uma candidatura com chance de ir para o segundo turno”, diz Indio, listando os partidos que gostaria de ver aliados ao seu PSD no Rio: PPS, PV, Pros, Solidariedade, PSDB e PSB. É o que ele já chama de “chapão” para “eleger a maior quantidade possível de deputados federais e estaduais”.

Quanto a Wagner Montes, Indio diz que ele será candidato a deputado federal. Faltou combinar com o ‘russo’. No caso, o próprio Wagner, que não deixa barato: “Se eu mesmo não sei se vou ser candidato a deputado federal ou ao Senado... Vou fazer pesquisas e vou para onde o povo me mandar. Em eleição, o que manda é o voto, e eu já provei que tenho e muitos.” Wagner foi reeleito deputado estadual em 2010 com mais de 520 mil votos, recorde no Rio e maior votação de deputado estadual do Brasil naquele ano.

Tem mais: Wagner, quando decidir, jura que vai submeter seu nome ao partido, “democraticamente”. E que considera apoiar a candidatura de Indio. Sim, é o que parece: o deputado só vai apoiá-lo se achar que tem o melhor programa de governo. Se não achar, vai apoiar outro. Simples assim. E esse 2014 que não acaba, meu Deus.

Fonte: O Dia

A chance de encerrar o esgotado ciclo petista - Roberto Freire

Com o novo ano que se inicia, as atenções da população estarão voltadas para a Copa do Mundo, que volta a ser disputada no país do futebol após mais de seis décadas. Apesar da grande comoção nacional gerada pelo torneio e de nossa torcida para que o time canarinho conquiste o hexacampeonato, os brasileiros terão, em 2014, uma missão ainda mais importante do que aquela reservada a Neymar e companhia nos gramados: definir os rumos do país, escolhendo o próximo presidente da República.

Onze anos depois de chegar ao Palácio do Planalto com Lula, o PT representa um modelo que vem dando sucessivas provas de seu esgotamento. Herdeira de um legado ingrato deixado pelo antecessor, o governo de Dilma Rousseff é marcado pela estagnação da economia, com crescimento pífio do PIB e aumento da pressão inflacionária, além de precária infraestrutura, desindustrialização, loteamento da máquina pública, rombo nas contas externas e escândalos de corrupção que se acumulam.

As manifestações de junho já haviam deixado claro que a maioria dos cidadãos exige mudanças profundas. Apesar da análise precipitada de alguns comentaristas que, como penas de aluguel a serviço do lulopetismo, antecipam a reeleição de Dilma a um ano da disputa presidencial, uma recente pesquisa do Datafolha mostrou que dois em cada três brasileiros (66%) desejam que o próximo chefe da nação adote ações diferentes do atual governo. A própria aprovação da petista, que chegou a 65% em março, hoje gira em torno de 40%, índice que não lhe assegura a vitória antes de o jogo começar.

As oposições, que já apresentam duas pré-candidaturas competitivas, passarão a disputar espaço com a presidente no noticiário somente a partir de março ou abril, quando a imprensa deve dedicar uma cobertura mais ampla também aos adversários do governo. Por enquanto, o que se tem é quase um monólogo presidencial, com a exposição de Dilma em todos os veículos de comunicação, sem que se ofereça ao eleitor a chance de ouvir o contraditório em igualdade de condições.

O indicativo de apoio do PPS à pré-candidatura do governador de Pernambuco, Eduardo Campos (PSB), fortalece o campo democrático de esquerda que se apresenta ao Brasil como uma alternativa progressista ao lulopetismo. Com essa união, quem ganha são as oposições como um todo, inclusive o senador Aécio Neves (PSDB). É preciso, sobretudo, somar esforços para que todos estejam unidos no segundo turno contra Dilma e o PT, e a favor da alternância de poder.

Aliás, graças à incompetência generalizada do governo atual, não é impossível imaginar um cenário em que a presidente não tenha forças sequer para chegar à segunda rodada do pleito. E, se os petistas perceberem uma eventual fragilidade que inviabilize sua candidata, Lula dificilmente aceitará entrar em uma disputa acirrada que lhe ofereça mais riscos do que certezas.

Em 2014, talvez como "nunca antes" desde que o PT chegou ao poder, a oposição tem possibilidades concretas de vencer as eleições. O povo brasileiro, que torcerá muito pela seleção durante a Copa do Mundo, certamente também saberá refletir sobre o país que deseja construir — com ética, dignidade, respeito pelas instituições republicanas e compromisso com a democracia. Trata-se de uma chance única de mudar os rumos do Brasil. Não podemos desperdiçá-la.

Roberto Freire, deputado federal por São Paulo e presidente nacional do PPS

Fonte: Brasil Econômico

2014 está rolando - Fernando Gabeira

No fim do ano recebi um envelope laminado cheio de bolinhas de isopor e um cartão de Antônio Bernardo: "2014 vai rolar". E como! - pensei.

Aproveitando os feriados, revi um livro de Octavio Paz, Os Privilégios da Vista. Ele menciona os calendários lunares e solares dos antigos povos da América Central. Alguns dias ficavam de fora. Eram os dias vazios, como os definiu Paz. Não é o caso de 2014, quando temos uma conjunção de Copa do Mundo e eleições. A Copa é realizada de quatro em quatro em quatro anos, mas agora será no Brasil Nas eleições de que participei traçávamos uma linha rígida: a campanha começava quando a Copa terminava. Agora essa linha se dissolveu. As eleições podem invadir o espaço da Copa e esta, certamente, invadirá o espaço das eleições.

Independente de grandes manifestações, o Brasil merecia um grande debate, pois é uma eleição que potencialmente pode definir rumos. A maioria, quer mudança. Mas isso não quer dizer nada, pois as eleições podem consagrar o mesmo bloco de partidos que está no poder. O desejo de mudança vai perseguir o próximo vencedor. Ele, naturalmente, pode resistir, argumentando que venceu.

O Brasil fez a Copa para projetar uma imagem de crescimento e pujança que hoje está desfocada não só pelo medíocre crescimento, como pela precariedade de infaestrutura e serviços públicos, revelada pelas manifestações de junho. As vezes, para simplificar o que vejo hoje no País, socorro-me da teoria do cobertor curto: você puxa para o consumo, esfria o investimento, divulga a Copa, mas os jornais falam das chuvas intensas, dos desabrigados e das imutáveis áreas de risco nas cidades brasileiras. E assim segue: você faz um cinturão de segurança, ocupando favelas com forças de paz, mas esfria na zona norte, nas áreas metropolitanas, para onde fogem muitos bandidos.

Os fatos vão estar sempre por aí, mostrando que há alguma coisa errada na maneira como gastamos o dinheiro público. Apenas 28% das verbas para prevenção de enchentes foram gastos, enquanto nos estádios de futebol o ritmo de gastos já não se limita às obras, mas alcança os reparos do que foi feito de errado, como se viu no Maracanã e, agora, no Mané Garrincha. Não bastasse tudo isso, no final do ano Renan Calheiros usou um avião da FAB para fazer transplante capilar no Recife.

Se andassem um pouco na rua, teriam ideia de como essas coisas repercutem. E ainda dizem que ouviram a voz das ruas. As tensões levantadas pelo movimento de 2013 não foram resolvidas. Isso não significa que teremos de novo grandes demonstrações. A tentativa é de empurrar com a barriga, manter as coisas como estão, permanecer no poder, às vezes até debochando das críticas das ruas.

Li na biografia de Vargas escrita por Lira Neto que alguns de seus auxiliares tentavam levá-lo a mudanças, argumentando que era preciso fazer como os atores que se renovam, lançar novas peças, atrações, senão o teatro fica vazio. O desejo de mudança que existe agora é também um certo cansaço com essa longa experiência do PT e seus aliados no governo. Ela não é capaz de indicar novos rumos. Claro que sua hegemonia eleitoral não será ameaçada se os desejos de mudança não forem canalizados pelos oponentes.

A singularidade desta eleição com Copa do Mundo no Brasil pode trazer para o processo um interesse maior da imprensa internacional. O Brasil viverá dias intensos sob os olhares de muita gente. Tanto como no ano passado, os brasileiros no exterior certamente vão usar o momento para expressar suas expectativas sobre o País, ampliando a exposição nacional.

Assisti a alguns debates na TV e os analistas sempre mencionavam,por prudência, a imprevisibilidade. 2014 vai rolar, como diz o cartão. Mas para onde, de que jeito, com que convulsões ou espasmos? O nível de imprevisibilidade justifica-se pela presença desses elementos esparsos que de repente se podem reconfigurar de uma forma nova - Copa, eleição presidencial, desejo de mudança, esgotamento de um modelo econômico, perda de credibilidade do processo político. Caso não se combinem no sentido da mudança, isso quer dizer apenas que a mudança, sobretudo a ditada pela realidade econômica, foi adiada, ultrapassou o calendário de 2014.

Não apenas o ajuste econômico, mas algum tipo de renovação política sería menos doloroso se conversado antes, no momento eleitoral. Caso o processo eleitoral passe por cima desse desejo de mudança, aí, sim, o próximo presidente pode viver anos interessantes, no sentido que os chineses dão ao termo.

Esse é um dos enigmas deste imprevisível 2014. Certamente há muitos outros e só poderemos desvendá-los com o tempo.

O ano apenas começou a rolar. Ainda uso palavras do ano " passado e, como diz o poeta T. S. Elliot, palavras do ano passado pertencem à linguagem do ano passado e as palavras de um novo ano esperam outra voz. Isso predispõe à abertura ao imprevisível. Mas um olhar mais largo aos acontecimentos que preocuparam no final do ano mostra que eram previsíveis.

As inundações no Espírito Santo podem ser compreendidas por meio do minucioso livro de Warren Dean A Ferro e Fogo. Augusto Ruschi denunciou o processo de derrubada das matas e assoreamento dos rios. Num momento em que o Espírito Santo tinha 500 serrarias, os desmatadores levaram seu know-how para ã Amazônia.

Estive no presídio de Pedrinhas após um motim com mortes. Alguns presos foram decapitados. Anotamos uma série de problemas que precisavam ser resolvidos para atenuar a violência ali. Até audiências na Assembleia fizemos para mobilizar os atores locais. Pedrinhas de novo, motim de novo. Cabeças cortadas. Tanta discussão científica sobre se é possível viajar para o passado, encontrar uma curva fechada que nos jogue para trás no tempo. E isso é tão frequente no Maranhão... Alguém precisa dizer isso a Stephen Hawking, que dedica parte de seu livro Minha Breve História à hipótese de uma viagem no tempo.

Fernando Gabeira é jornalista

Fonte: O Estado de S. Paulo

Nascer sempre - Marina Silva

Em meio aos abraços amigos e desejos de feliz Ano-Novo, costumamos reconhecer a sinceridade dos desejos para além das palavras, pois estas são, muitas vezes, gastas e repetidas. As palavras necessitam de gestos que recuperem e sustentem seu sentido.

Releio Hannah Arendt, para melhor refletir sobre a possibilidade de restaurar a capacidade humana de lidar com as desconfianças e incertezas causadas pela ameaça do imprevisível, por meio do milagre da "promessa". Na dimensão política da crise civilizatória que vivemos, a crise de confiança é o centro do problema. O ano que passou foi didático nesse ponto: o atual sistema de representação recebeu um claro voto de desconfiança e não foi capaz sequer de manter --ainda menos cumprir-- até mesmo as promessas apressadas que faz sob pressão.

Ainda é possível refazer a confiança, dentro de um espaço de heteroestima política, social, cultural, como indivíduos e como povo? como indivíduos e como povo? Temos motivo para descrer, num mundo fragmentado em que as relações se liquefazem e escorrem, sem estabilidade. Mesmo as novas formas de relacionamento e comunicação que inventamos, muitas vezes parecem ser uma desesperada tentativa de agarrarmo-nos uns aos outros, multiplicando conexões frágeis e superficiais na ausência de laços de confiança efetivos e afetivos.

Revejo, no entanto, a importância que H. Arendt dá ao nascimento como fonte de fé e esperança (cuja expressão poética e profética ela localiza nos Evangelhos: "nasceu uma criança entre nós") capaz de renovar a confiança em nós, nos outros, no futuro. Somos, assim, impelidos a olhar o que está nascendo ao nosso redor e, sim, tem muita coisa boa começando além de um novo ano.

Podemos abandonar o pensamento defensivo, que recebe as críticas como se fossem expressões de pessimismo ou até declarações de guerra para saudar, entre nós, o nascimento --renascimento, como queiramos-- de uma consciência aguda e exigente, que já não se ilude com velhas promessas mas que pode ser base sólida para um novo pacto ético e social. Podemos nos alegrar com o surgimento de uma nova geração de protagonistas da política, iniciantes ainda, mas com enorme capacidade de aprender e evoluir rapidamente. Podemos compartilhar desse novo sentimento de poder e liberdade que se espalha dando origem a uma democracia espalhada em todos os espaços da vida.

Podemos, sim, superar a fragmentação do mundo em crise compondo novas sínteses baseadas em novas harmonias. Se já não confiamos naqueles que prometeram tudo, eis aí o sinal para que nossa nova promessa seja um acordo, simples e claro, naquilo que é essencial. A confiança vem do que é sustentável.

Marina Silva, ex-senadora, foi ministra do Meio Ambiente.

Fonte: Folha de S. Paulo

A vida em círculos - Merval Pereira

O senador Renan Calheiros parece convencido de que suas palavras não precisam corresponder aos fatos, o importante, algum marqueteiro deve tê-lo convencido disso, é falar o que o povo quer ouvir, sem que seja necessário acompanhar com ações. Só isso explica que tenha ido à televisão nos últimos dias do ano passado para falar em “transparência” e “controle social” no mesmo momento em que o noticiário denunciava que mais uma vez ele usou um avião da FAB para uso pessoal bizarro: fazer um implante de cabelo em Recife.

É claro que ele gravou a declaração de fim de ano com antecedência, e não poderia imaginar que seria apanhado mais uma vez com a boca na botija antes mesmo de seu pronunciamento ir ao ar. Se desse tempo, poderia ter aproveitado o pronunciamento em rede nacional de rádio e televisão para pedir mais uma vez desculpas ao povo brasileiro.

Renan parece estar sempre às voltas com incongruências quando se tratam de palavras e ações, e mesmo quando cita supostas medidas corretivas ditadas “pelas vozes das ruas”, revela defeitos de nossos congressistas que são consertados apenas quando denunciados pela grande imprensa, como o fim dos 14º e 15º salários dos parlamentares, e o fim do voto secreto em casos de cassação de mandato e vetos presidenciais.

Para a fala oficial do presidente do Senado, esses são exemplos de que “a transparência e o controle social ajudam a corrigir erros, eliminar vícios e distorções”. Ele falava como se fosse o boneco do ventríloquo, o marqueteiro Elsinho Mouco, o preferido do PMDB segundo os bastidores de Brasília, enquanto fora de seu mundo virtual as denúncias de sua viagem pelas asas da FAB para o implante capilar corriam soltas.

Pois não passa de um “vício” essa sua mania de andar de avião sem pagar, só o fazendo depois de apanhado em flagrante. E mesmo assim ele e outros colegas seus inauguraram uma nova maneira de enganar o distinto público: pagar o preço de uma passagem comercial pelo “aluguel” de um jatinho exclusivo, o que evidentemente é muito mais caro. Mas quem se atreve a cobrar o devido ao presidente do Congresso?

Depois das manifestações de junho, Renan Calheiros bem que tentou se mostrar atento às vozes da rua, mas deletou da memória o 1,5 milhão de pessoas que pediram sua saída da presidência do Senado em abaixo-assinado. Ao mesmo tempo em que começou a retirar da gaveta projetos que por lá repousavam há muito tempo, foi flagrado no ato de utilizar um avião da FAB para ir ao casamento da filha do líder do PMDB Eduardo Braga, em Trancoso na Bahia.

Calheiros na ocasião garantiu que sempre usara o avião “para representação, como presidente do Senado", fingindo desconhecer, como agora, que o decreto 4244 de 2002 limita a utilização dos aviões da FAB, a "motivo de segurança e emergência médica, em viagens a serviço e deslocamentos para o local de residência permanente".

Seu melhor argumento para o retorno à presidência do Senado, sete anos depois do escândalo que o apeou do mesmo cargo, era que já havia sido absolvido pelo Conselho de Ética e que nenhuma denúncia da época havia prosperado, por falta de base. Era inocente, portanto, e tinha o caminho livre para reassumir o cargo que lhe teria sido tirado “indevidamente”.

O procurador-geral da República de então, Roberto Gurgel, o denunciou criminalmente, poucos dias antes da eleição, justamente pelas provas que apresentou para justificar a capacidade de pagamento de uma pensão alimentícia de um filho fora do casamento. Com notas de vendas de gado apontadas como frias, Calheiros queria provar que não precisava pedir a um lobista amigo ligado à empreiteira Mendes Júnior para pagar a pensão de seu filho, conforme a acusação original.

A vida do senador Renan Calheiros parece andar em círculos, o que não impede de progredir na política. Agora mesmo, deve sair candidato ao governo de Alagoas, com boas chances de se eleger, e o apoio do senador Collor de Mello, o mesmo que quando presidente da República deu um golpe político em Renan, um de seus principais líderes, impedindo-o de se candidatar ao governo estadual.

Fonte: O Globo

Debate amarrado – Luiz Carlos Azedo

A criação da Comissão Nacional da Verdade pelo governo brasileiro veio com atraso histórico de quase 30 anos e ameaça concluir os trabalhos contribuindo pouco para diminuir a opacidade sobre o regime militar que perdurou no país entre 1964 e 1985. A comparação com os trabalhos promovidos pelos nossos vizinhos mostra o quanto o colegiado brasileiro jamais encontrou uma linha de trabalho consistente. Pior, deve fechar o serviço dividida durante todo o período de trabalho pela mesma questão: a revisão sobre o alcance da Lei de Anistia a torturadores.

Investigações semelhantes promovidas em países vizinhos, como Chile e Argentina, aumentam ainda mais a frustração com o grupo brasileiro. O país que teve Augusto Pinochet no centro do poder por 17 anos iniciou a atuação ainda durante a agonia do regime, em 1990. As violações de direitos humanos promovidas à sombra do quepe do ex-ditador resultaram em pouco mais de 750 militares em juízo, acusados de torturas e desaparecimentos, além do reconhecimento de pelo menos 40 mil vítimas oficiais da ditadura chilena. Na Argentina, as investigações tiveram início em 1983, com a Comissão Nacional sobre o Desaparecimento de Pessoas (Conadep). O saldo foi ainda maior do que o chileno. Cerca de 250 militares e civis foram condenados por envolvimento em prisões, torturas, desaparecimentos e mortes.

No Brasil, o primeiro passo real para identificar vítimas da ditadura e repará-las teve início com a edição da Lei dos Mortos e Desaparecidos, em 1995, e a criação da Comissão de Anistia, em 2001 — ambas originadas no governo Fernando Henrique Cardoso. Com a Comissão Nacional da Verdade, iniciada em 16 de maio de 2012, esperava-se ao menos avançar na identificação dos autores e do aparato da tortura montada pelo regime. A revisão da Lei de Anistia estava circunscrita desde o início dos trabalhos, o que, de partida, tornou o trabalho da comissão no mínimo insólito. Com o debate amarrado, o colegiado focou esforços sobre casos emblemáticos e neles pouco ou nada avançou.

A morte dos ex-presidentes Juscelino Kubitschek e João Goulart são dois casos particulares. As circunstâncias do acidente que matou o fundador de Brasília já haviam sido apuradas por mais de uma vez, inclusive pelo Congresso Nacional. Nenhum indício jamais foi encontrado de que ele tenha, de fato, sido vítima de homicídio pela ditadura. Mas eis que a comissão decidiu se enveredar no episódio. No caso de João Goulart, as expectativas sobre a exumação do corpo do ex-presidente também não são melhores, já que o ex-agente do serviço de inteligência do governo uruguaio Mario Neira Barreiro, que supostamente teria participado do planejamento da morte de Jango, afirmou que o veneno utilizado para o assassinato não poderia mais ser detectado, passados mais de 30 anos do caso. Mas ainda há uma pequena esperança.

O principal avanço nas investigações sobre o período militar nos últimos anos acabou vindo não com as investigações da Comissão Nacional da Verdade, mas com a divulgação dos arquivos do coronel da reserva do Exército Julio Miguel Molinas Dias, morto em novembro de 2012, durante uma tentativa de assalto. A documentação desvelada pelo jornal Zero Hora iluminou a prisão do ex-deputado federal Rubens Paiva no Doi-Codi — o que os militares sempre negaram — e explicou como o regime tentou encobrir o atentado fracassado no RioCentro, em 1981. Da Comissão Nacional da Verdade, muito pouco. E deve ficar por isso mesmo.

Torturadores homenageados
Se de início os trabalhos da Comissão Nacional da Verdade miravam em garantir que crimes contra os diretos humanos não mais se repetissem, a própria impunidade histórica de quem praticou as torturas, chancelada pelo Supremo Tribunal Federal, tornou as investigações cerceadas. Periga os trabalhos da comissão apresentarem como avanço prático a revogação de nomes de ruas, avenidas, praças e cidades. O pior é que, em se tratando de Brasil, isso já seria um começo. Basta constatar que o Senado Federal insiste em manter uma de suas alas batizada com o nome de um notório torturador, colaborador de dois regimes de exceção, diga-se. Projeto aprovado em 2012 abriu brecha para a mudança, que seria avaliada pela Mesa Diretora da Casa. Um ano e meio depois, Filinto Muller ainda permanece digno de homenagens, segundo os senadores.

Fonte: Correio Braziliense

A tentação hegemônica- Eliane Cantanhêde

Ao pressionar Eduardo Campos para se descolar da reeleição de Alckmin em São Paulo, Marina Silva favorece diretamente o PT no principal Estado do país.

Alckmin não terá vida fácil na campanha, porque pode ter a máquina, a caneta e a exibição de quem concorre no cargo, mas neutraliza parte dessa vantagem com o desgaste natural de quase 20 anos dos tucanos no poder e de sucessivas trombadas: Alstom, Siemens e a onda de violência que assola o país e ganha particular visibilidade em São Paulo.

Caso confirmado o fim da aliança com o PSB, Alckmin não só perde uma legenda como ganha um adversário a mais --e alavancado pela candidatura de Campos à Presidência. Estão na mesa os nomes da deputada e ex-prefeira Luiza Erundina, do PSB, e do vereador Ricardo Young, filiado ao PPS e militante da Rede.

A eles se somam Paulo Skaf, do PMDB e do "partido Fiesp", e talvez Eduardo Jorge, do PV, diluindo as candidaturas e facilitando o segundo turno, muito provavelmente entre Alckmin e o atual ministro da Saúde, Alexandre Padilha, do PT.

Depois das eleições de Dilma a presidente e de Fernando Haddad a prefeito paulistano, não resta muita dúvida quanto à força natural de Padilha em outubro. Ele tem o mito Lula, o palanque de Dilma, a estrutura e o caixa poderoso do PT. Além de ter a boa bandeira do "Mais Médicos" e ser, em si, um bom candidato.

É assim que o PT entra 2014 com Dilma favorita e o partido a caminho de 16 anos na Presidência; já dominando a principal capital; com reais chances no Estado mais importante; e com candidatos competitivos em Minas e no Rio, fechando o "triângulo das Bermudas" da política nacional. Sem contar que tende a aumentar as bancadas no Congresso, espremendo a maioria do até agora aliado PMDB.

Isso tudo com a economia devagar e Haddad quase parando. Imagine se a economia e o prefeito deslancham? Antes, ninguém segurava este país. Agora, ninguém segura o PT?

Fonte: Folha de S. Paulo

Política - Claudio Humberto

Apoio em troca de acordo
Após negociação intensa nos últimos dez dias, o PSDB fechou aliança e assumirá cargos no governo de Eduardo Campos, em Pernambuco, em troca de segurar o apoio do PSB ao candidato tucano em Minas, em 2014. Para o presidente estadual do PSDB, Sérgio Guerra, "não cabe criar dificuldades ao socialista em Pernambuco, assim como não tem por que o PSB dificultar as eleições para Aécio Neves em Minas". Da mesma forma que o PSDB em Pernambuco, o PSB avalia que teria chance mínima em voo solo em Minas. Só atrapalhariam um ao outro. O acordo não passa por SP, onde o PSB ameaça lançar candidato próprio contra a reeleição do governador tucano Geraldo Alckmin. A ex-senadora Marina Silva tenta convencer Luiza Erundina a disputar o governo paulista. Em contrapartida, ela se lançaria a vice de Campos.

Skaf antecipa sua campanha
Para o advogado eleitoralista Dyogo Crosara, é evidente a campanha antecipada do presidente da Federação das Indústrias (Fiesp), Paulo Skaf (foto), ao governo paulista. Propagandas que "enaltecem uma figura pública" são passíveis de multa, mesmo que sem referência à eleição, alerta o advogado, para quem Skaf está sujeito à ação por abuso de poder, com risco de inelegibilidade ou cassação de futuro diploma.

Dissimulado
A estratégia de Skaf de enfiar na cabeça do eleitor que ele é melhor que os outros é "dissimulada" e vedada pelo código eleitoral brasileiro.

Sem desculpa
O advogado lembra que não adianta se esconder sob alcunha de pré-candidato, pois a propaganda antecipada é "punível a qualquer tempo".

Lástima
Reconhecido pela luta incansável em favor da democracia, o ex-presidente nacional da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) Ophir Cavalcante morreu ontem (2) em São Paulo, onde estava internado.

Tirando o chapéu
Salvo o drogado que tirou arma do PM que tentava evitar que batesse na mulher, e saiu atirando a esmo, o réveillon do Rio foi um primor de organização e segurança na festa para mais de dois milhões de pessoas.

Marcando Passos
Um dos dirigentes da ANTT é Paulo Sergio Passos, aquele que virou ministro após a "faxina ética" de Dilma no Ministério dos Transportes.

Do outro mundo
Os japoneses, que reconstruíram em seis dias uma estrada após a tragédia de Fukushima, ironizaram a "entrega simbólica" do estádio Arena das Dunas, em Natal (RN): ligaram as luzes, diz o Japan Times.

Bye, bye Cuba
O blog da festejada revista "Slate" americana analisa a curiosa fábrica de exportação cubana de médicos, com o detalhe: seis mil desertaram entre 2003 e 2009, após o governo dos EUA facilitar a entrada deles.

Burocracia
Para receber aprovação da Capitania dos Portos, as balsas com os fogos de artifício para o réveillon carioca tiveram de esperar um mês.

Frase
Só tivemos um fato isolado daquele "alucinado" que roubou a arma de um policial"
Prefeito Eduardo Paes (PMDB), elogiando o "tremendo sucesso" que foi o Réveillon no Rio de Janeiro

Impunidade
Na noite de 31, PMs avisaram nos quiosques de Praia Grande (SP) que haveria arrastão à meia noite. Quem era esperto, foi para casa: o arrastão, por uns 50 jovens, aconteceu pontualmente na virada do ano.

Um lixo
Debalde a "novidade" do réveillon de 2013 em Copacabana, com ecopontos para lixo seletivo e 150 equipes do Lixo Zero, que deveriam multar os "porcões": não evitaram as 403 toneladas de sujeira na praia.

Fonte: Jornal do Commercio (PE)

Panorama Político – Ilimar Franco

Pagando para ver
Na tentativa de forçar queda nos preços das passagens aéreas para as cidades-sede da Copa do Mundo, a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) vai aprovar todos os pedidos de aumento de frequências de voos feitos pelas companhias aéreas. A malha especial para a Copa vai vigorar de 6 de junho a 20 de julho. Espera-se que com a medida as empresas ajustem seus preços.

Aberta a janela
Com a liberação dos novos voos, a expectativa do governo é que o torcedor possa comprar as passagens aéreas mais baratas a partir do dia 15 deste mês, quando a Anac divulgará o resultado das alocações para novos voos.

De mala e cuia
Estudo feito em dezembro pelo Ministério do Turismo aponta que os fluminenses vão viajar mais neste ano. A intenção de viagem dos moradores do Rio aumentou de 28,9% para 32%. Dos entrevistados, 72,4% estão escolhendo como destino turístico cidades brasileiras. Um pouco mais da metade, 54,3%, preferem viajar de avião e 54,9% optam por hotéis como meio de hospedagem. Mas número expressivo, 37,4% ficarão hospedados em casa de amigos ou de parentes. Os que tem preferência por viagem de ônibus são 10,7%. A pesquisa, feita em parceria com a Fundação Getúlio Vargas, trata da expectativa de viagem em período de seis meses.

“Galeto no mercado a R$ 18,00, camarão grande a R$ 250,00. Não comprei tia Dilma, mas isto é inflação. De arrepiar.”
Roberto Requião
Senador (PMDB-PR)

Espertinho
Pré-candidato ao governo do Rio, o deputado Anthony Garotinho (PR) está com o jingle pronto. Será gravado por Neguinho da Beija-Flor, que disputará vaga na Câmara. Garotinho, que vinha dizendo que faria campanha para todos os candidatos a presidente, tascou na sua música pedido de apoio para apenas um deles: a presidente Dilma.

Com ou sem aval
O presidente do PMDB, Valdir Raupp, diz que o senador Eunício Oliveira (PMDB-CE) vai concorrer ao governo, mesmo que não tenha apoio do Planalto: "Seja com Cid Gomes, Ciro Gomes, ou seja com o apoio de outras forças políticas, ele vai concorrer."

Mineirinho
O presidenciável Aécio Neves (PSDB) avança em terreno do governo. Conversa com Angela e Esperidião Amin (PP-SC), já que ela deve concorrer ao Senado e tem chance de se eleger, e com a deputada Rebecca Garcia (PP-AM), que deve disputar o governo do Amazonas.

Quanto custa
Entre os dias 6 e 9, serão recebidas propostas para manutenção dos carros oficiais da Presidência. Serão R$ 1,7 milhão para combustíveis, R$ 700 mil para peças e baterias e R$ 41,2 mil para lanternagem. Tudo é "sob demanda".

O criador e a criatura
O governador do Amazonas, Omar Aziz (PSD), está negando apoio ao senador Eduardo Braga (PMDB) ao governo. Aziz quer renunciar em abril para concorrer ao Senado e decidiu fazer seu vice, José Melo (PROS), o sucessor.

O senador Lobão Filho (PMDB-MA), diz que nunca teve a intenção de cercear os debates no Senado, apenas de simplificar o trâmite dos projetos.

Fonte: O Globo

Brasília-DF - Denise Rothenburg

Nome garantido?
Uma das pastas mais cobiçadas da Esplanada, por causa do fabuloso orçamento de R$ 16 bilhões para investimentos, o Ministério dos Transportes não deve passar por mudanças durante a reforma ministerial prevista para começar no fim deste mês. Como dizem os aliados, o titular, César Borges, concretou os dois pés no ministério e já começa a estender a influência para órgãos ligados ao setor.
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Ele conseguiu, por exemplo, nomear o baiano José Lúcio Machado para presidir a Valec, estatal que terá um papel central no processo de concessões de ferrovias. Mais do que isso: a empresa sempre foi um feudo do PMDB. Além da presidência, todas as demais diretorias foram ocupadas por integrantes do PR.
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A presidente Dilma Rousseff tem elogiado o ministro baiano, egresso dos quadros do carlismo. E o PR também. A avaliação é de que ele conseguiu "limpar" a imagem da legenda após o desgaste sofrido pela faxina promovida pela presidente em 2011, tanto no Ministério dos Transportes quanto no Departamento Nacional de Infraestrutura Terrestre (DNIT).

Sorte de baiano
César Borges ainda deu a sorte de estar no cargo durante os leilões de concessões das rodovias federais, uma obsessão do governo Dilma. O último deles, da BR-040, arrecadou R$ 7,92 bilhões, com um deságio de 61%.

Se precisar de algo, é só ligar
Ainda assim, aliados do ex-ministro dos Transportes Paulo Sérgio Passos — atual presidente da Empresa de Planejamento e Logística (EPL) — não desistem. Afirmam que, caso Borges queira se candidatar a qualquer cargo em outubro, é só chamar que Paulo Sérgio volta.

Quanto mais demora...
As pessoas ficam angustiadas porque a presidente Dilma Rousseff não define as trocas de ministros. Pudera. Cada hora surge uma dor de cabeça. O PTB dá como certo que o presidente em exercício da legenda, Benito Gama, assumirá a Secretaria dos Portos. O ministério era comandado por Leônidas Cristino, que migrou para o Pros junto aos irmãos Cid e Ciro Gomes.

...mais complicado fica
O Pros adoraria ver Ciro Gomes na Saúde, mas o PT não entregará a pasta. Tem o Turismo, que ficará vago com a saída de Gastão Vieira. Mas aí é o PMDB que não aceita. E os peemedebistas ainda dão como certa a indicação de Vital do Rêgo para a Integração Nacional.

Licença médica.../ Diferentemente do PR, que continua sendo comandado por Valdemar Costa Neto mesmo após a prisão do deputado federal, conforme mostrou o Correio, não é mais Roberto Jefferson (foto) quem dita as cartas no PTB. O partido passou a ser dirigido por um colegiado: Benito Gama (presidente em exercício); Jovair Arantes (líder na Câmara); Gim Argello (líder no Senado) e Campos Machado (presidente do diretório paulista do PTB).

... Ou jurídica?/ Condenado a 7 anos e 14 dias de prisão em regime semiaberto, Jefferson sofre com a recuperação de uma cirurgia para a retirada de um tumor no pâncreas. Os petebistas juram que foi o estado de saúde, e não a condenação penal, que decretou a perda de espaço de Jefferson na legenda.

Podemos saber por quê?/ Delator do escândalo do mensalão, Jefferson tornou-se alvo de mais uma queixa dos petistas. Eles não entendem o motivo de o ex-presidente do PTB ter tido o direito de passar o réveillon com a família em casa, no interior do Rio de Janeiro, e o ex-presidente do PT José Genoino não conseguir ser transferido para a residência em São Paulo. Ambos foram condenados ao regime semiaberto e sofrem com problemas de saúde.

Fonte: Correio Braziliense