quinta-feira, 29 de janeiro de 2015

Petrobras exclui corrupção de balanço e ações desabam

Petrobras desiste de divulgar perdas com corrupção, e ações recuam 11,2%

• Graça Foster diz que cálculos indicavam ajuste de R$ 88,6 bi, mas que não era possível precisar o que era propina

- Folha de S. Paulo

As ações da Petrobras despencaram na Bolsa de São Paulo nesta quarta (28) após a empresa divulgar, com dois meses de atraso, o balanço do terceiro trimestre de 2014 sem contabilizar as perdas com corrupção. Os papéis preferenciais (sem direito a voto) recuaram 11,2%, e os ordinários, 10,48%. Foi a maior perda desde 27 de outubro, quando o mercado reagiu negativamente à reeleição de Dilma Rousseff.

O resultado, esperado para a noite de anteontem e que não recebeu aval de auditoria, só foi divulgado na madrugada. Após impasse em reunião que durou dez horas, os conselheiros da empresa acabaram desistindo de fazer o ajuste das perdas com a corrupção.

Em comunicado divulgado com o balanço, a presidente da Petrobras, Graça Foster, disse que cálculo indicava a necessidade de fazer um ajuste para baixo de R$ 88,6 bilhões no valor dos ativos, mas que não era possível definir quanto da cifra era corrupção e quanto eram outros fatores, como falhas em projetos.

Mesmo sem contar essas perdas, o lucro da estatal caiu 38% no terceiro trimestre de 2014 --R$ 3,087 bilhões, ante R$ 4,959 bilhões no período anterior. Foi o pior resultado desde o segundo trimestre de 2012.

A empresa também computou no documento perdas de R$ 2,7 bilhões com duas refinarias, no Maranhão e no Ceará, que não saíram do papel.

A divulgação do balanço sem descontar prejuízos com corrupção fragiliza a presidência de Graça Foster e suspende o plano do governo de indicar um ""grupo de notáveis"" para o conselho de administração, na avaliação de ministros ouvidos pela Folha.

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