domingo, 8 de fevereiro de 2015

Peemedebistas resistem a aceitar cargo de líder do governo no Senado

• Em sua 1ª semana na presidência da Câmara, Cunha consegue isolar PT

- O Globo

Como forma de marcar a posição de independência também no Senado — a Câmara já tem adotado essa postura há algum tempo —, caciques peemedebistas têm defendido que o partido não mais assuma a função de liderar o governo na Casa. Alguns senadores do PMDB foram sondados para a tarefa, mas nenhum se dispôs a aceitá-la.

— De que adianta uma passagem em camarote de primeira classe no Titanic? É um navio condenado a afundar, o melhor a fazer é desembarcar dele — diz um peemedebista da cúpula.

Líderes do partido afirmam que a próxima etapa será aguardar os resultados da Operação Lava-Jato e, a partir dessa depuração, trabalhar na formação de uma nova cara do partido. Uma das providências defendida por alguns peemedebistas, mas que encontra resistências internas, seria a saída do vice-presidente da República, Michel Temer, da presidência da legenda.

— Ele é cobrado dos dois lados e acaba não agradando ninguém. Quando tem de atender o governo, deixa a bancada insatisfeita; quando atua pelo PMDB, é o governo que não gosta. É incompatível continuar como presidente do partido e vice de Dilma — resume um peemedebista.

Historicamente, Temer sempre foi visto como um representante da bancada do partido na Câmara, mas nunca foi bem aceito pela ala do Senado. Ainda assim, há 14 anos consegue se eleger presidente nacional da legenda.

Enquanto o PMDB planeja sua reformulação, o PT bate cabeça e vive atritos com o principal aliado. Depois de trabalhar fortemente contra a eleição do deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ) para a presidência da Câmara, e ser derrotado na disputa, nesta primeira semana de Congresso, o PT sofreu outro revés. Em uma demonstração de força, Cunha conseguiu isolar os petistas e aprovou em plenário a admissibilidade da reforma política, que vinha sendo mantida há meses pelo PT nas gavetas da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ).

Logo depois, os petistas enfrentaram mais um contratempo: a criação de uma CPI para investigar as denúncias de corrupção na Petrobras. A ação, conduzida pelos partidos de oposição e com apoio de deputados da base, contou com o patrocínio de Cunha, que afirmou diversas vezes, durante sua campanha à presidência da Câmara, ser favorável à CPI.

Em um gesto de que pretende melhorar a relação com o PMDB na Câmara, o Planalto demitiu Henrique Fontana (PT-RS) da função de líder do governo, que havia se desgastado com Cunha, e nomeou José Guimarães (PT-CE), que assumiu com acenos ao aliado. O governo pode tentar uma composição com Cunha. Na última quinta-feira, a presidente Dilma Rousseff chamou os presidentes das duas casas e Temer, para "quebrar o gelo".

Nos seus primeiros dias de volta ao Congresso, Cunha deixou claro que pretende se afirmar em um papel de protagonismo, que não deixa espaço para o PT — ao menos enquanto o Palácio do Planalto se mantiver na posição de vê- lo como adversário preferencial.

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