quinta-feira, 12 de fevereiro de 2015

Prévia do PIB confirma recessão da economia brasileira em 2014

Economia brasileira teve contração de 0,15% em 2014, segundo índice do Banco Central

• IBC-Br mostra que país recuou 2,39% no último trimestre do ano passado

Gabriela Valente – O Globo

BRASÍLIA - O Brasil encolheu 0,15% em 2014 pelos cálculos do Banco Central. O resultado do IBC-Br, o índice de crescimento criado pela autarquia, veio um pouco melhor que as expectativas dos economistas do mercado financeiro. Eles apostavam em uma retração de 0,2%. Apesar de uma queda mais amena, os dados do BC mostram uma queda da economia de nada menos que 2,39% no último trimestre do ano passado.

Nem mesmo o Natal salvou a atividade. Segundo as contas do BC, a atividade econômica encolheu 0,55% em dezembro.

Para o diretor de Pesquisas e Estudos do Bradesco, Octavio de Barros, esse desempenho reforça a aposta de uma retração da economia de 0,2% no quatro trimestre pelos dados oficiais que serão divulgados pelo IBGE no mês que vem.

“O Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br), proxy mensal do PIB, divulgado há pouco, recuou 0,55% na passagem de novembro para dezembro, já descontados os efeitos sazonais.
Esse resultado sucede a estabilidade verificada em novembro e superou as expectativas do mercado, cuja mediana apontava para retração de 1,1%. Na comparação com o mesmo mês do ano anterior, o indicador avançou 0,65%, acumulando queda de 0,15% em 2014. Esse resultado, assim, reforça nossa expectativa de retração de 0,2% do PIB no quarto trimestre, resultado que será divulgado pelo IBGE no final de março”, escreveu aos clientes da instituição.

Cálculo é diferente de conta do IBGE
Há grandes diferenças metodológicas entre o PIB do BC e o oficial. O cálculo da autoridade monetária é mais simples e é divulgado mais rapidamente. É esse número que é usado para calibrar a política de controle de preços e para definir a taxa de juros. É para o IBC-Br que o Comitê de Política Monetária (Copom) olhará para definir os juros no dia 4 de março na hora de – provavelmente - aumentar ainda mais a taxa básica (Selic) que está em 12,25% ao ano.

Pelos dados antecipados até agora, o cenário de desaceleração dos economistas é reforçado. Na quarta-feira, por exemplo, o IBGE divulgou que por causa da desaceleração da atividade e do crescimento da renda, alta de juros e inflação e também as eleições fizeram as famílias consumirem menos. Assim, o comércio cresceu apenas 2,2% em 2014: o pior desempenho desde 2003, quando houve retração de 3,7%.

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