terça-feira, 29 de dezembro de 2015

Fogo amigo: PT ataca política econômica

O presidente do PT, Rui Falcão, voltou a cobrar da presidente Dilma mudanças na política econômica. O dirigente petista falou em frustração com atos do governo.

Após ‘frustração’, Falcão cobra pauta econômica

• Na página da sigla, presidente do PT critica o governo

Sérgio Roxo - O Globo

-SÃO PAULO- Descontente com o discurso do novo ministro da Fazenda, Nelson Barbosa, o PT decidiu intensificar a pressão para que a presidente Dilma Rousseff altere o rumo da política econômica no próximo ano. Em texto publicado ontem na página da sigla na internet e reproduzido nas redes sociais, o presidente da legenda, Rui Falcão, afirmou que o governo precisa adotar medidas para devolver à população a confiança perdida.

“Entre o final de 2015 e o início de 2016, o governo da presidente Dilma Rousseff precisa se concentrar na construção de uma pauta econômica que devolva à população a confiança perdida após a frustração dos primeiros atos de governo”, escreveu Falcão, no texto, que recebeu o título “Uma nova e ousada política econômica para 2016”.

Apesar de criticar o governo, o dirigente petista não deixou, porém, de atacar a oposição, que, na sua avaliação, também contribuiu para agravar os problemas por insistir em “tentativas golpistas que desembocaram numa crise política”, na linha do “quanto pior melhor”. Falcão citou como origem das dificuldades econômicas do país a crise mundial.

“Chega de alta de juros”
Mas para o presidente do PT, no momento, o governo precisa deixar de lado pontos do ajuste fiscal e adotar as propostas elaboradas pela Fundação Perseu Abramo, vinculada ao partido, em parceria com entidades, como a Central Única dos Trabalhadores (CUT) e o Movimento dos Sem Terra (MST), no documento de linha desenvolvimentista “Por um Brasil Justo e Sustentável”, lançado em setembro. “Chega de altas de juros e de cortes em investimentos”, defendeu o petista, referindo-se a duas das medidas que têm sido adotadas para conter a inflação e reduzir o déficit nas contas públicas.

Na avaliação de Falcão, o risco de impeachment arrefeceu neste mês de dezembro, o que possibilita a implantação das mudanças de rumo na economia. “É hora de apresentar propostas capazes de retomar o crescimento econômico, de garantir o emprego, preservar a renda e os salários, controlar a inflação, investir, assegurar os direitos duramente conquistados pelo povo.”

De forma sutil, o presidente do PT cobrou alteração no rumo da economia brasileira de Barbosa, e do novo ministro do Planejamento, Valdir Salomão. “Sabemos da competência, habilidade e capacidade de diálogo dos novos ministros Nelson Barbosa e Valdir Simão. Confiamos em que eles deem conta da tarefa, mudando com responsabilidade e ousadia a política econômica.”

No dia da nomeação, Falcão elogiou a opção. O novo ministro é considerado de linha desenvolvimentista enquanto que o antecessor, Joaquim Levy, era tido como representante do mercado. Além disso, Barbosa participou da gestão de Guido Mantega (2006-2014) na Fazenda. Mas ao tomar posse, Barbosa afirmara que manterá os mesmos princípios da política econômica implantada por Levy, o que foi uma ducha de água fria para os petistas e os movimentos sociais.

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