quinta-feira, 21 de julho de 2016

Transferido para a carceragem da PF, Duque tenta novamente colaboração

• Negociação para delação chegou a ser iniciada, mas não foi adiante

Thiago Herdy e Renato Onofre - O Globo

-CURITIBA E SÃO PAULO- Ex-diretor de Serviços da Petrobras, Renato Duque foi transferido ontem para a carceragem da Polícia Federal em Curitiba, a pedido de seus advogados. Ele estava no Complexo Médico Penal de Curitiba. Sua intenção é retomar conversas com seus defensores para propor um nova tentativa de delação premiada com a Justiça. O pedido de transferência ocorreu com a anuência do Ministério Público e foi autorizado na terça-feira pelo juiz da 13ª Vara Federal Criminal em Curitiba, Sérgio Moro.

Duque tentou fechar acordo com o Ministério Público Federal (MPF) em agosto do ano passado — na época, ele contratou o advogado Marlus Arns, que participou dos acordos de delação de Eduardo Leite e Dalton Avancini, ligados à Camargo Corrêa. No entanto, as negociações não foram adiante. Agora o defensor que levará adiante o pleito do ex-diretor da Petrobras é Juliano Bredas, responsável pela defesa de Otávio Azevedo, expresidente da Andrade Gutierrez e delator na Lava-Jato.


A expectativa é que o diretor apresente informações sobre beneficiários de propina na Petrobras que estavam acima dele na estrutura hierárquica da estatal.

Duque já foi condenado em três ações a penas que, somadas, chegam a quase 51 anos de prisão em regime fechado. Entre os réus da Lava-Jato sem acordo com a Justiça, ele está entre aqueles com maior pena a cumprir. Nas ações, o ex-diretor é acusado de receber propinas de empreiteiras e lobistas para direcionar contratações na Petrobras Ele é acusado de corrupção passiva e lavagem de dinheiro.

Duque foi preso pela primeira vez em novembro de 2014, durante a Operação Juízo Final. No mês seguinte, o ministro do STF Teori Zavascki concedeu habeas corpus para libertá-lo, mas o ex-diretor ficaria poucos meses longe de Curitiba. Em março de 2015 Moro decretou nova prisão após descobrir que ele movimentou dinheiro não declarado no exterior após o início das investigações. O ex-diretor tinha uma rede de contas para receber propina fora do Brasil.

Nos inquéritos e nas ações penais da Lava-Jato, o ex-diretor é citado como o elo de corrupção do PT dentro do esquema da Petrobras. As investigações revelaram que ele chegou a combinar com o ex-tesoureiro do partido João Vaccari Neto valores e formas de repasses de propina para ele e para o PT.

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