quinta-feira, 11 de agosto de 2016

Dilma cogita retirar menção a ‘golpe’ em carta aos senadores

• Documento defenderá plebiscito e será enviado até a próxima terça

Catarina Alencastro, Cristiane Jungblut, Isabel Braga, Maria Lima - O Globo

-BRASÍLIA- A presidente afastada, Dilma Rousseff, deve enviar entre hoje e terça-feira uma carta aos senadores defendendo um plebiscito sobre novas eleições. A confirmação foi dada por senadores do PT que estiveram com ela ontem no Palácio da Alvorada. Dilma ainda elabora como qualificará o impeachment, se o chamará de “golpe” ou não. Até o início da tarde, a ideia era que ela dissesse que, se o impeachment for aprovado da forma como está, será um golpe.

Em reunião na noite de ontem com deputados e senadores, em Brasília, o ex-presidente Lula disse aos presentes não achar a carta “tão essencial”:

— Ele não acha a carta tão essencial, ele acha que o importante é a presidente se aproximar dos senadores, fazer o olho no olho, com mais afago, mais abraços e beijos, mais café, mais tudo — disse o deputado Vicente Candido (PT-SP).

Recurso à OEA
Dilma conversou ontem com Lula, e almoçou com senadores e ainda com os presidentes do PT, Rui Falcão, do PDT, Carlos Lupi, e do PCdoB, Renato Rabelo. Na semana passada, Falcão criticou a proposta de novas eleições, mas o entendimento entre os aliados da presidente afastada é que a carta será “de Dilma”, e não dos partidos ou movimentos sociais, que se dividem sobre o tema.

— A carta será o pensamento dela, o sentimento dela. A presidente não vai perder o apoio do PT ou do MST se defender a posição do plebiscito — disse o senador Humberto Costa (PT-PE).

Com o argumento de que há um golpe parlamentar no país e de que Dilma é vítima de violação de direitos humanos em descumprimento a tratados assinados pelo Brasil, deputados do PT recorreram à Comissão de Direitos Humanos da Organização dos Estados Americanos (OEA) contra o processo de impeachment. (Colaborou Leticia Fernandes)

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