terça-feira, 6 de setembro de 2016

Diretas já? - Hélio Schwartsman

- Folha de S. Paulo

É o caso de antecipar para os próximos meses uma eleição direta para presidente da República? Pessoalmente, eu não teria nada contra. Há até caminhos constitucionais para fazê-lo. Agora que o marqueteiro João Santana já admitiu que recebeu dinheiro de caixa dois para dirigir a campanha que elegeu a dobradinha Dilma-Temer, seria em tese possível que a Justiça Eleitoral cassasse a chapa, abrindo caminho para o pleito direto.

Seria preciso correr. E bastante. A cassação teria de acontecer até o dia 31 de dezembro de 2016, ou a eleição deixaria de ser direta e a escolha do próximo mandatário recairia sobre o Congresso Nacional, onde centrões e centrinhos reinam soberanos.

É extremamente improvável, porém, que esse cenário se materialize, já que nenhum dos principais partidos políticos —PT incluído— têm interesse em enfrentar um pleito presidencial agora. A principal razão para isso é a Lava Jato. As legendas não sabem exatamente quais de seus potenciais candidatos vão sobreviver às próximas operações policiais.

Lula, por exemplo, será ou não condenado em primeira instância nos próximos meses? Pelo lado do PSDB a situação não é muito menos incerta, uma vez que tanto Aécio como Serra já tiveram seus nomes citados nas delações premiadas. E o PMDB? O PMDB não só não tem um nome claramente "presidenciável" —estamos falando de um cenário em que Michel Temer teria sido cassado— como, se vier a ter, são enormes as chances de ele também estar enrolado nas denúncias.

No mais, eleições para mandatos-tampões não costumam ser muito populares entre políticos. O custo de enfrentá-las é o mesmo do de pleitos normais, mas a recompensa, menor. Quem fosse escolhido nessa hipotética eleição avulsa teria no máximo seis anos de mandato contra oito numa situação ordinária.

Desconfie, portanto, se o seu partido diz que quer diretas já.

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