quinta-feira, 6 de outubro de 2016

Kassab orienta PSD a apoiar Crivella no segundo turno

• Rede, PT e PV formalizam entrada na campanha de Marcelo Freixo

Gustavo Schmitt e Marco Grillo - O Globo

-RIO E BRASÍLIA- O presidente licenciado do PSD, Gilberto Kassab, orientou o partido a dar apoio ao candidato Marcelo Crivella (PRB) no segundo turno da eleição para a prefeitura do Rio. A negociação avançou numa reunião entre os dois na noite de terça-feira. Informalmente, Crivella já recebeu o aval de Flávio Bolsonaro, candidato derrotado do PSC, que tem feito campanha na internet contra Marcelo Freixo (PSOL).

Em contraponto, o candidato do PSOL tem articulado alianças com partidos de esquerda. Ontem, foi a vez de Rede, PT e PV formalizarem o apoio a Freixo. O PCdoB, de Jandira Feghali, também estará ao lado do PSOL.

O anúncio oficial da aliança de Crivella com o PSD deverá ser feito pelo deputado federal Indio da Costa, que disputou a prefeitura do Rio. Por meio da assessoria, ele disse que ainda não decidiu quem apoiará no segundo turno. Nos bastidores, comenta-se que Indio estava inclinado a declarar apoio a Freixo. A palavra de Kassab, porém, deverá falar mais alto. O deputado recebeu 272.500 votos válidos, o equivalente a 8,99% do eleitorado carioca.

Segundo aliados, Crivella, que retornou ao Senado após quatro meses de licença, também teria conversado com o presidente do PDT, Carlos Lupi, e com o deputado federal Otávio Leite (PSDB).

Questionado pelo GLOBO, Lupi reiterou que o PDT vai liberar seus filiados: — Vamos manter a neutralidade. No PSDB, lideranças nacionais resistem a qualquer tipo de aliança com os candidatos no Rio de Janeiro, pois consideram que o eleitor tucano não tem afinidades com nenhuma dessas candidaturas. Avaliam que o partido se saiu bem nesta eleição, especialmente na Zona Sul, e que o melhor seria manter distância da nova prefeitura para construir uma frente envolvendo PSDB, DEM e PSD para a eleição estadual em 2018. O presidente do PSDB, Aécio Neves, afirmou que o partido vai se manter neutro no segundo turno. Um integrante da cúpula tucana avaliou:

— O PSDB não precisa de cargos na prefeitura do Rio para sobreviver. Junto com o DEM e o PSD, temos condições de construir um projeto para 2018 no Rio de Janeiro.

Dentro do PRB, no entanto, ainda há a expectativa de contar com o apoio formal do PSDB.

— Você sabe que tucano é difícil, mas eles vão descer do muro. Estamos conversando com o PSDB — disse o ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Marcos Pereira, presidente licenciado do PRB.

ENTRE AMIGOS E ALIADOS
A Rede, que lançou o deputado federal Alessandro Molon para a prefeitura, formalizou ontem o apoio a Freixo. O candidato do PSOL estava acompanhado do senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP), do vereador Jefferson Moura (Rede), do antropólogo Luiz Eduardo Soares e do sociólogo Liszt Vieira. Soares e Vieira deixaram a Rede no início da semana e divulgaram uma carta com críticas ao partido. PSOL, Rede e PCdoB negociaram uma candidatura única, mas, após a tentativa fracassar, chegaram a um acordo sobre apoio no segundo turno.

— Aqui não é uma amizade eleitoral. É uma amizade de longa data. As circunstâncias da política, às vezes, nos colocam mais próximos ou nem tão próximos. Aqui não é uma reunião para o veto. É uma reunião do voto, do encontro — destacou Freixo.

Randolfe disse que a presença de Freixo no segundo turno é um “sopro de esperança”.

— É uma candidatura que enfrentou os piores dos podres poderes dessa cidade, com 11 segundos de televisão e muita mobilização de rua — afirmou o senador.

Além da Rede, o PV, que havia indicado o vice na chapa de Molon, decidiu entrar na campanha do PSOL. O presidente municipal do partido, Fabiano Carnevale, afirmou que a eleição virou uma “disputa de valores”:

— Muitas bandeiras que o Freixo defende são importantes para o PV, como os direitos humanos. A candidatura também tem um programa ambiental muito bom.

Freixo espera ainda a adesão do PPS à campanha. Sobre o PSD, o candidato do PSOL afirmou que não conseguiu falar com os dirigentes do partido. O PMDB, que lançou Pedro Paulo, já anunciou que ficará neutro no segundo turno. (Colaborou Júnia Gama).

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