segunda-feira, 17 de outubro de 2016

O novo eixo para 2018 - Vera Magalhães

- O Estado de S. Paulo

A conversa entre Michel Temer e Fernando Henrique Cardoso teve um significado simbólico para além da discussão imediata sobre apoio às medidas do governo para a retomada do crescimento e o ajuste fiscal. O encontro entre os dois presidentes era para ter ocorrido antes, logo no início do mandato efetivo de Temer, mas foi adiado por sucessivas viagens do peemedebista.

O propósito maior da conversa é construir as bases para uma aliança mais duradoura, para até depois de 2018. De acordo com caciques tanto do PMDB quanto do PSDB, Temer está convencido de que o novo “eixo de estabilidade” política e econômica para o País tem os dois partidos como protagonistas.

O resultado das eleições municipais teria sido a comprovação dessa tese, de acordo com pessoas próximas ao presidente. Diante dos primeiros sinais de turbulência interna no PSDB para a definição do candidato a presidente daqui a dois anos, Temer chamou FHC para reiterar que os dois partidos devem estar juntos, independentemente de quem for o candidato.

Os tucanos esperam “gestos” de Temer para reafirmar a importância da aliança e o reconhecimento ao peso que o PSDB adquiriu com vitórias importantes nas eleições para as prefeituras. Um deles é o apoio a um nome do PSDB para a presidência da Câmara, considerado vital para dar “equilíbrio” às forças dentro da coalizão. Ciente do pleito, Temer tem enviado sinais de que pretende chancelar o nome – desde que as várias alas do PSDB se entendam e lancem um candidato de consenso.


COMBUSTÍVEIS
Parente avisou a Temer que Petrobrás mudaria política
Há cerca de um mês, Michel Temer e Pedro Parente tiveram uma conversa. O presidente da Petrobrás informou que a empresa estava prestes a implementar a nova política para a definição do preço dos combustíveis. Voltaram a se falar na quinta, quando Parente anunciou que a empresa comunicaria um fato relevante, mas não se o preço aumentaria ou cairia.

‘O CARA’
Ivan Monteiro mantém posto de ‘intocável’ na estatal
Sobrevivente da gestão Aldemir Bendine, de quem era o braço direito, o diretor financeiro da Petrobrás, Ivan Monteiro, virou queridinho também de Pedro Parente. Um observador brinca que, se tivesse de levar um grupo seleto de pessoas para uma ilha deserta, o presidente da Petrobrás incluiria Monteiro – de quem elogia a capacidade de trabalho – no grupo.

ODEBRECHT
Advogados veem ‘ciúme’ de investigadores em delação
Advogados que pilotam a delação de dezenas de executivos e funcionários da Odebrecht veem “ciúmes” entre Polícia Federal e Ministério Público Federal na origem das notícias sobre dificuldades em fechar os acordos. Segundo ele, os depoimentos estão transcorrendo com a “tensão normal” de toda delação, mas a PF se ressentiria de maior protagonismo no processo.

EXPORTAÇÕES
Indústria de alimentos tenta incrementar vendas em salão
A indústria brasileira de alimentos e bebidas prepara investida para incrementar as vendas ao exterior – que cresceram apenas 1,37% em 2016 em relação ao ano passado. Nesta semana, uma delegação de 35 empresários, liderados pela CNI (Confederação Nacional da Indústria), em parceria com a Apex, participa da Sial Paris, o maior salão do mundo no gênero e palco dos principais lançamentos para o setor. A expectativa é que a participação na Sial renda US$ 1,2 bilhão em negócios para a indústria brasileira ao longo de 12 meses.

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