terça-feira, 4 de outubro de 2016

Rede naufraga no 1º teste das urnas

Com candidatos a prefeito lançados em 820 municípios, a Rede de Marina Silva elegeu apenas cinco na sua estreia em eleição.

Afundou de 820 candidatos a prefeito, Rede só elege 5

• Partido frustra expectativas em sua estreia nas urnas e racha com a saída de sete fundadores, liderados por Luiz Eduardo Soares

Mariana Sanches - O Globo

-SÃO PAULO- Considerada a maior novidade da campanha, em sua primeira participação eleitoral como um partido oficial, a Rede Sustentabilidade, cuja estrela política é Marina Silva, frustrou as expectativas nas urnas e rachou publicamente um dia depois de conhecidos os resultados. Liderados pelo antropólogo Luiz Eduardo Soares, sete de seus fundadores saíram do partido, acusando a Rede de ser “estruturada sobre um vazio de posicionamentos políticos” e “politicamente dependente de Marina”, em suma “uma legião de pessoas de boa vontade e nenhum rumo”.

Das 820 cidades em que lançou candidatos, a Rede elegeu prefeitos apenas em cinco municípios, o maior deles Cabo Frio (RJ), com 186 mil habitantes. A legenda disputa o segundo turno em apenas uma capital, Macapá (AP), onde o atual prefeito, Clécio Luiz, migrou do PSOL para a Rede para tentar a reeleição. Dos seus 3.449 candidatos a vereador, apenas 180 tiveram êxito. Nenhum deles em grandes capitais, como São Paulo, Rio de Janeiro e Belo Horizonte — câmaras onde calculavam obter entre um e dois vereadores, que trariam projeção à agenda do partido.

IMPEACHMENT GEROU DIVISÃO
A aposta era que Marina Silva, que em 2014 obteve 22 milhões de votos, atraísse um apoio massivo para a legenda. Não funcionou. Em sua nota pós-eleitoral, a própria direção da Rede reconheceu que seu resultado não é “numericamente relevante”.

— Havia uma expectativa grande de que Marina saísse do pleito melhor do que entrou. Mas ela sai menor por causa da confusão de seu posicionamento político — explica um consultor político da Rede.

A derrocada nas urnas começou a se formar em abril, quando a ex-senadora mudou repentinamente de posição e passou a apoiar o impeachment da presidente Dilma Rousseff, dividindo opiniões dentro do partido. Dos quatro deputados federais da Rede, dois votaram pelo afastamento da petista e dois foram contrários. O único senador do partido também discordou de Marina. A inconsistência de posicionamento abriu flancos para críticas tanto da esquerda quanto da direita.

— Acusavam a Rede de ser um puxadinho golpista e um puxadinho petista — explica um dos mais próximos aliados de Marina.

Aliados da ex-senadora tentaram conter a crise.

— A carta dos dissidentes terá de servir como um guia de reflexão para o futuro da Rede — diz o ambientalista João Paulo Capobianco, coordenador da campanha presidencial de Marina em 2010.

Em que pese o parco tempo de TV e os escassos recursos financeiros, o mau desempenho da Rede impressiona quando comparado com outro partido neófito, o Novo. Enquanto a Rede obteve apenas 43 mil votos para vereador em São Paulo (a candidata mais bem colocada ficou na posição 733), o Novo, que tinha apenas nove inserções de 30 segundos na TV em todo o período eleitoral e não tem um puxador de votos, conquistou quase 141 mil votos e conseguiu eleger um vereador. Com candidatos em cinco capitais, a legenda, que se apresenta como liberal, obteve cadeiras em quatro municípios (Porto Alegre, Belo Horizonte, Rio e São Paulo). A campanha foi baseada em redes sociais.

Além de se aproveitar de um momento mais favorável a tendências de direita, o bom desempenho do Novo se deve à clareza dos posicionamentos. Uma orientação ideológica que a Rede ainda tenta encontrar.

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