quarta-feira, 1 de fevereiro de 2017

PT decide apoiar nome da oposição contra Rodrigo Maia

Ranier Bragon, Daniel Carvalho, Angela Boldrini | Folha de S. Paulo

BRASÍLIA - Após forte reação de sua base contra a possibilidade de apoio a um candidato da base de Michel Temer, a bancada do PT anunciou nesta terça-feira (31) adesão à candidatura do oposicionista André Figueiredo (PDT-CE) à presidência da Câmara.

Embora participem da principal legenda de oposição a Temer, petistas chegaram a avaliar apoiar a reeleição de Rodrigo Maia (DEM-RJ) com o objetivo de obter cargos na administração da Casa. Venceu, entretanto, a tese de que o partido de Dilma Rousseff não poderia endossar candidatos que integraram o movimento de destituição da petista.

A decisão de apoiar Figueiredo foi anunciada como uma tentativa de "unificar a oposição" ao governo Temer na Casa. "Estamos fazendo um gesto de unidade das forças de oposição, de esquerda", afirmou o líder do PT, Carlos Zarattini (SP).

Mais cedo, ele havia dito que o partido não votaria "em um ou outro deputado por posições políticas".

A eleição que definirá o comando da Câmara para os próximos dois anos ocorrerá na quinta-feira (2). A votação é secreta.

Maia é o favorito e tem o apoio de ao menos dez legendas. Os demais concorrentes são Jovair Arantes (PTB-GO), Rogério Rosso (PSD-DF), Júlio Delgado (PSB-MG) –os três da base de Temer– e Figueiredo, o único até agora da oposição. Essa lista pode aumentar até as 23h desta quarta (1), prazo final para o registro das candidaturas.

Apesar do favoritismo de Maia, os adversários ingressaram com questionamentos no Supremo Tribunal Federal com base no argumento de que a Constituição e o Regimento Interno da Câmara vedam a reeleição do presidente da Casa em uma mesma legislatura. Maia alega que a regra não se aplica a quem se elegeu para um mandato temporário, como o caso dele, que assumiu em julho após a renúncia de Eduardo Cunha (PMDB-RJ).

Os questionamentos foram protocolados também nesta terça na Mesa da Câmara por deputados correligionários de Jovair. Eles devem ser analisados no dia da eleição por Waldir Maranhão (PP-MA), primeiro vice-presidente da Casa, aliado de Maia.

Após o impeachment de Dilma, o presidente da Câmara é o primeiro na linha sucessória do comando do país. Entre outras atribuições, cabe a ele também definir a pauta de votações do plenário da Casa.

SEGUNDO ESCALÃO
Também na quinta serão eleitos os outros seis deputados que vão integrar a chefia administrativa da instituição, a chamada Mesa da Câmara. Cada um deles tem atribuições que vão da administração dos apartamentos funcionais dos deputados à análise dos pedidos de reembolso médico dos parlamentares.

O principal cargo é o de primeiro-secretário, espécie de "prefeito" da Câmara, cadeira que deverá ficar com o PR. A Casa tem um orçamento anual de mais de R$ 5 bilhões (2016), o equivalente praticamente ao do Estado do Acre neste ano.

Há várias disputas internas nos partidos para a ocupação dos cargos na Mesa da Câmara.

Para tentar conseguir posição na Mesa Diretora da Câmara, que depende de proporcionalidade, o PT anunciou que deve formar bloco com o PDT. O partido disse também estudar judicializar a questão caso fique sem cargos.

A Folha apurou que o PC do B está negociando a participação no bloco na disputa dos outros cargos da mesa, apesar de sustentar que manterá sua posição de apoio a Rodrigo Maia na presidência.

O PMDB deve ficar com a vice-presidência. Já o PSDB só vai se decidir nesta quarta. A disputa no partido é para ver que ocupará a segunda vice-presidência.

A cúpula do partido defende o nome Carlos Sampaio (SP). No entanto, os deputados do Norte, Nordeste e Centro-Oeste não concordam com a hegemonia do Sudeste. Hoje, a presidência do partido é do mineiro Aécio Neves e a liderança da legenda na Câmara é do paulista Ricardo Tripoli.

O deputado Izalci Lucas (DF) é um dos que quer que haja eleição interna para decidir quem ocupará lugar na Mesa.

"Quero reafirmar minha candidatura ao cargo do PSDB para a Mesa Diretora da Câmara. O nosso partido sempre defendeu a alternância como instrumento de democracia interna para valorizar todos", disse Izalci em carta entregue à liderança do partido. A deputada Mariana Carvalho (RO) também tem interesse em ocupar a vaga na Mesa.

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