sábado, 29 de julho de 2017

Maia garante quórum; base teme obstrução

Presidente da Câmara afirma que denúncia será analisada na quarta-feira, mas aliados de Temer acreditam que oposição tentará evitar votação

Isadora Peron Carla Araújo Daiene Cardoso, O Estado de S. Paulo.

Apesar de o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEMRJ), ter afirmado que tem certeza de que haverá quórum para votar a admissibilidade da denúncia contra o presidente Michel Temer, parlamentares da base aliada já trabalham com a possibilidade de que não haja número suficiente de deputados para realizar a sessão. A votação no plenário, prevista para a próxima quarta-feira, só começará quando o quórum alcançar 342 presentes.

Maia afirmou ontem, em São Paulo, que acredita que haverá a presença mínima de deputados para votar a denúncia apresentada pelo procurador-geral Rodrigo Janot com base nas delações de executivos do Grupo J&F. Ele estimou em 480 o número de parlamentares no dia da sessão. “Não votar é manter o País parado neste momento ainda de muitas dificuldades” disse. “Não podemos deixar o paciente no centro cirúrgico com a barriga aberta.”

A preocupação da tropa de choque de Temer é que a oposição obstrua a sessão e não marque presença para que o governo continue “sangrando” e fique exposto a novos fatos que possam mudar o placar, hoje favorável para o presidente. Aliados do Palácio do Planalto também afirmam que a não apreciação da denúncia poderia paralisar ainda mais a pauta do Congresso, em um momento em que o governo espera poder retomar a agenda das reformas, especialmente a da Previdência.

Nos últimos dias, integrantes da tropa de choque de Temer aumentaram as cobranças em relação aos deputados da oposição, para que eles compareçam ao plenário na próxima semana e ajudem o governo a alcançar o número de parlamentares necessários para dar início à sessão.

Anteontem, ao chegar para um jantar com Temer no Jaburu, o deputado Carlos Marun (PMDB-MS) disse que seria “antipatriótico” a oposição obstruir e não dar quórum no plenário. “O que desejamos é que a oposição encerre as suas férias, vote e não se omita diante de um momento tão importante e decisivo para a vida da Nação. Neste momento, prorrogar, delongar ou atrapalhar é uma atitude irresponsável e antipatriótica”, afirmou.

Pela contagem do Planalto, Temer terá pelo menos 280 votos, número suficiente para derrubar a denúncia, mas não para garantir o quórum mínimo. Segundo o vice-líder do governo, deputado Beto Mansur (PRBSP), a estratégia tem sido conversar com deputados dissidentes da base para que eles marquem presença mesmo que votem contra Temer.

Quórum. A oposição ainda não definiu uma estratégia. Na terça-feira, deputados de partidos como PT, PC do B, PSOL e Rede farão uma reunião para decidir se vão ou não dar quórum no dia da votação. O deputado Paulo Teixeira (PT-SP) defende a ausência da oposição. “O primeiro constrangimento é mostrar para a sociedade que ele (Temer) não tem número, que ele não tem mais base suficiente para derrubar uma acusação.”

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