quinta-feira, 22 de fevereiro de 2018

Temer rebate Lula e nega que ação no Rio seja eleitoreira

Petista disse que presidente quer avançar sobre 'nicho de eleitores' de Bolsonaro

Gustavo Uribe, Marina Dias, Daniel Carvalho e Carolina Linhares | Folha de S. Paulo

BRASÍLIA E BELO HORIZONTE - O presidente Michel Temer rebateu nesta quarta-feira (21) o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e disse que a intervenção federal no Rio de Janeiro não foi motivada por interesses eleitorais.

Em nota, o emedebista afirmou que não seguirá em busca de "aplauso fácil", que a agenda eleitoral "não é e nem será causa" das ações governamentais e que a iniciativa no Rio de Janeiro não tem "significação eleitoral".

Auxiliares do presidente Michel Temer admitem que há um plano para a possível candidatura à reeleição do emedebista. Isso deverá ser colocado em prática em maio ou junho, quando os efeitos da intervenção federal na segurança pública do Rio poderão ser sentidos e, se positivos, ajudarão a melhorar a popularidade do mandatário.

Hoje, 70% da população considera o governo ruim ou péssimo, segundo o Datafolha. Temer aparece com apenas 1% das intenções de voto.

Esses assessores afirmam que era esperada a reação pública de adversários sobre a tentativa do presidente de se cacifar à reeleição ao mudar a agenda do governo, mas defendem que esse debate seja adiado, inclusive, para não desgastar ainda mais a imagem de Temer.

Em evento em Belo Horizonte (MG), Lula afirmou que Temer usa a intervenção para "se cacifar" na eleição.

"Não sei se vocês perceberam a sacada do Temer. ["] Ele está pensando com isso em se cacifar pra ser presidente da República na eleição de 2018", disse Lula, ressaltando que a pauta da segurança tem apoio da população enquanto a reforma da Previdência não tinha.

Lula disse que Temer "quer pegar os votos" do deputado Jair Bolsonaro (PSC-RJ), presidenciável conservador ligado às causas de segurança.

A nota também serviu para desautorizar o marqueteiro Elsinho Mouco, que disse ao jornal "O Globo" que Temer "já é candidato" e que apostou "todas as fichas na intervenção do Rio".

Nela, Temer afirmou que não seguirá em busca de "aplauso fácil", que a agenda eleitoral "não é e nem será causa" das ações governamentais e que a iniciativa no Rio de Janeiro não tem "significação eleitoral".

"O presidente reitera que toda e qualquer decisão do governo é regida exclusivamente para as reais necessidades do país. A agenda eleitoral não é nem será causa das ações do governo".

Ainda segundo o texto, assessores e colaboradores "não falam e não têm autorização para falar em nome do presidente da República".

MAIA
O recado também serviu para outros assessores próximos que têm se entusiasmado com a ideia de reeleição e para responder a Bolsonaro e ao presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), todos pré-candidatos à Presidência e que, nos últimos dias, comentaram a ação no Rio.

No Planalto, a avaliação é de que Maia se irritou com a apropriação da agenda de segurança pelo governo, que o deputado queria tocar como alternativa à bandeira econômica impopular de Temer.

O discurso público no governo é o de que nada além do serviço ao Estado e o combate à violência motivaram a decisão de Temer de decretar a intervenção no Rio e a criação de um ministério específico para a área mas, nos bastidores, a tese é a de que a exposição precoce de nomes de centro postulantes à Presidência não têm rendido bons resultados.

O ministro da Fazenda, Henrique Meirelles (PSD), por exemplo, que se colocou como candidato do governo no fim do ano passado, não passou de 2% nas últimas pesquisas de intenção de voto.

O tempo conta a favor de Temer, que não precisa se desincompatibilizar do cargo no início de abril, como Meirelles, caso queira disputar as eleições.

Presidente nacional do MDB, Romero Jucá (RR) endossou publicamente a tese do prazo alongado de Temer e disse que ele é "sempre um bom nome" para concorrer ao Planalto. "O presidente vai decidir no momento apropriado", disse o senador.

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Com a agenda de segurança pública, a equipe de Temer tentará ainda transformar o presidente em um "candidato linha-dura", que trata de um dos temas que, segundo pesquisas encomendadas pelo Planalto, mais preocupa a população hoje.

A ideia é que ele aumente aparições públicas ao lado de soldados e generais e faça mais viagens a Estados que enfrentam problemas de segurança, como Rio de Janeiro e Ceará.

Assessores querem ainda que ele simplifique a linguagem de seus discursos e adote expressões mais enérgicas.

A meta do chamado "Plano Temer" é elevar os índices de aprovação de 6% para 15% e reduzir os percentuais de rejeição de 70% para 60%.

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