sexta-feira, 25 de janeiro de 2019

Míriam Leitão: Venezuela depois do chavismo

- O Globo

Por Alvaro Gribel ( a colunista está de férias)

Ainda que a oposição consiga assumir o governo venezuelano, os anos seguintes serão de muito trabalho para recuperara economia arrasada pelo chavismo. No país com inflação de 1.000.000% ao ano (1 milhão porcento ), o ponto departida será a criação de um anova moeda. Os controles nos preço seno câmbio terão que ser desfeitos. Tarifas de importação precisão ser zeradas para regularizar a entrada de alimentos, medicamentos e artigos hospitalares. A receita é dada por Angel García Banchs, da consultoria venezuelana Economática. Ele indica a privatização de ativos petroleiros, em um plano de reestruturação de dívidas, para que o governo consiga fazer caixa, atrair dólares, e o setor privado possa recuperara indústria que ficou sucateada. O FMI e bancos multilaterais como o BID serão chamados à mesa. Se tudo der certo, García acredita que a Venezuela poderá ter uma recuperação rápida, em uma espécie de “milagre econômico”. Antes disso, porém, o risco é de mais isolam entoou guerra civil. Ontem, Maduro recebeu o apo iode militares e dificilmente deixará oposto deforma pacífica.

MERCADO DE US$ 5 BILHÕES
Para o Brasil, a possibilidade de queda do governo Maduro poderia significar um mercado de até US$ 5 bilhões, explica José Augusto de Castro, da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB). Esse era o valor que o país exportava para os venezuelanos antes do colapso econômico. Hoje, as relações comerciais entre os dois países desabaram e eles só compram alimentos brasileiros, como arroz e açúcar. Ainda assim, se pagarem adiantado, “porque o risco de calote é grande”, diz Castro.

EXPORTAÇÃO NÃO VAI AJUDAR
Ao contrário do que aconteceu nos últimos dois anos, o comércio internacional não deve ajudar na recuperação do PIB brasileiro. A previsão de José Augusto de Castro é de queda de 8,6% nas exportações em 2019, com aumento de 2,8% nas importações. Ele explica que a tendência é de desaceleração da economia mundial e isso afeta os preços das commodities, cruciais não só para o Brasil, mas para vários países da América do Sul. “Isso afeta indiretamente a exportação de manufaturados, porque nossos principais compradores são os nossos vizinhos. Eles terão menos dólares para comprar nossos produtos”, explicou.

APOSTA NO CANADÁ
O Brasil não tem acordo de livre comércio com países desenvolvidos, mas isso pode mudar este ano. A aposta da Confederação Nacional da Indústria é que o tratado do Mercosul com o Canadá sairá antes do acerto com a União Europeia. Os canadenses estão entre os 10 maiores importadores do mundo, compram US$ 500 bilhões ao ano de outros países, mas só US$ 3,3 bi do Brasil. A tarifa de importação para embutidos e carnes chega a 70%, por exemplo. A entidade, no entanto, teme que o país não consiga competir em outros ramos: “O acordo tem que vir junto com uma agenda microeconômica. Não adianta só abrir o comércio. O Brasil tem custo alto de produção”, diz Diego Bonomo, gerente-executivo de comércio exterior da CNI.

RECEITA VOLTA A 2011
Mesmo com o aumento real de 4,74% em 2018, a arrecadação do governo federal ainda está 5,7% abaixo do pico registrado em 2013. Isso significa R$ 82 bilhões a menos em recursos nos cofres públicos, o que ajuda a entender o buraco fiscal onde o país se meteu. O governo precisará cortar despesas e aumentar a competitividade para acelerar o PIB e a arrecadação.

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