sexta-feira, 7 de outubro de 2022

Vera Magalhães - Os acenos de cada um

O Globo

Que tipo de compromissos, ou acenos, exigem os que correm para apoiar Bolsonaro? Nada, nem na esfera da economia

Muito se cobrou desde domingo que Lula fizesse acenos ao centro e explicitasse mais de que forma e com quem pretende governar caso vença a eleição. Neste espaço, essa cobrança esteve presente na coluna extra na segunda-feira após o primeiro turno.

Está correto. O PT foi propositalmente vago quanto a seu programa econômico ao longo da primeira etapa da campanha e apostou num time puro-sangue do partido no entorno mais próximo de Lula, exceção para a chegada e a acolhida “orgânica” de Geraldo Alckmin.

Foi só na onda do vira-voto da reta final que o palanque ganhou reforços como Marina Silva, que chegou trazendo propostas na mala, e Henrique Meirelles, que foi chamado mais para sair na foto, embora não esconda que suas pretensões são outras.

O susto de ver Jair Bolsonaro mais perto no retrovisor na corrida e o fato de o presidente ter começado a primeira semana do segundo turno pisando no acelerador parecem ter feito Lula e o partido entenderem que esse mapa para a eleição era arriscado.

Os tais acenos ao diálogo foram dados, na direção de nomes como Simone Tebet, mas o detalhamento do plano, sobretudo econômico, ainda não veio. O significativo é que não foi necessário para que Lula obtivesse o importante aval dos “pais” do Real, grupo de economistas que o PT sempre batizou de neoliberal, responsável por implementar o plano nos governos Itamar Franco e Fernando Henrique Cardoso.

E por quê? Porque esses economistas, assim como já havia acontecido com juristas, artistas, educadores e cientistas, disseram que não veem em Lula risco, mesmo na seara econômica, maior que o representado por Bolsonaro.

Se os apoios que se consolidam em torno do presidente vêm mais de políticos do espectro da centro-direita, muitos dos quais já estavam com ele, embora o escondessem, aqueles que Lula agrega demonstram uma resistência de diversos setores da sociedade à permanência do grupo que hoje governa o país e que saiu amplamente fortalecido das urnas, ganha ou perca Bolsonaro.

Arminio Fraga é claro ao dizer que o risco à democracia e às instituições representado por um segundo mandato para Bolsonaro é mais danoso à economia e à inserção do Brasil no mundo que um eventual governo Lula levando a política econômica por caminhos mais desenvolvimentistas.

Tebet cobrou responsabilidade fiscal de Lula quando lhe declarou apoio. Os economistas que chegam fazem o mesmo. Mas todos dizem que enxergam perigos maiores do outro lado da rua.

E que tipo de compromissos, ou acenos, exigem os que correm para apoiar Bolsonaro? Nada, nem na esfera da economia — que vem sendo gerida à base de pura irresponsabilidade fiscal no vale-tudo para reeleger o presidente —, nem quanto à manutenção plena da democracia e dos direitos civis e das minorias.

Se Lula precisa ampliar, acenar e clarear, o que de fato é necessário para governar um país com a complexidade do Brasil, ainda mais diante de um Congresso potencialmente hostil, por que Bolsonaro não precisa assegurar nada disso?

A resposta parece ser que ninguém acredita ser possível obter essas garantias diante do legado dos últimos quatro anos e da história de vida de Bolsonaro. O espantoso é que governadores, empresários, deputados e senadores achem que tudo bem, que tais cobranças não são necessárias e que o que ele fez, falou e propôs não tem consequência.

O cerco que aliados do presidente, com seus filhos e ministros à frente, promovem aos institutos de pesquisa é apenas uma amostra do que é possível esperar no caso de um segundo mandato de quem vem avisando, sem tentar esconder, que vai “enquadrar” instituições e adversários caso seja reconduzido aos palácios que agora usa como comitês de campanha, de onde só pretende sair “bem lá na frente”; ou quando Deus quiser.

 

4 comentários:

  1. Você e a turma de jornalista de esquerda estão todos pisando em ovos, sabem que se ficar com aquela prosopopeia de Lula já ganhou, vão queimar a língua outra vez
    Os Instituto de pesquisa , principalmente IPEC e Datafolha , mostraram ser comprados por quem os financiam
    O povo desacreditou, Virou caso de polícia federal e de CPI no Congresso
    Enquanto vocês não tem vergonha de ainda comentar os resultados dessas pesquisas fajutas e fraldadas
    Pelo visto esses institutos corruptos resolveram dobrar a aposta pro segundo turno e partiram pro tudo ou nada
    Ou vai ou racha!
    O bicho vai pegar pro lado deles

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Eh, gado, foi seu tocador de berrante quem mais errou: PREVIU PELO MENOS 60 E FICOU COM...COM...COM...40.
      Isso mesmo, SÓ QUA-REN-TA.

      Sabemos q gado num sabe contá, intonce conto procê: 60 menos 40 dá...dá...dá...VINTE!

      O MAIOR DOS ERROS, MANÉ.

      Excluir
  2. O papagaio bolsonarista que comentou acima (11:54) também previu a vitória de Bolsonaro NO PRIMEIRO TURNO... Realmente "entende" muito de pesquisa eleitoral.

    ResponderExcluir