Folha de S. Paulo
"Os Judeus", de Jaime Pinsky, se
concentra na Europa oriental do século 19 e início do 20
A maioria dos judeus de esquerda sempre
defendeu a criação de um Estado palestino para existir ao lado de Israel.
Mas, depois do 7/10, esses judeus, entre atônitos e intimidados, viram um amplo
contingente da esquerda gritando slogans que, se tomados literalmente,
implicariam a destruição do Estado de Israel.
Judeus e palestinos têm conhecimento quase enciclopédico das barbáries cometidas pelo adversário, mas se mantêm mais ou menos cegos para os crimes de seu próprio lado. O resto do mundo, com exceções, é claro, se posiciona ignorando o básico sobre a história dos dois povos e da região.
Se você acha que informações importam e podem
alterar os termos do debate, uma boa pedida é "Os Judeus", de Jaime
Pinsky. Antes de continuar, em nome da transparência, devo dizer que Pinsky é
um amigo da família e editou um livro meu. Mas não acho que esteja faltando com
a objetividade quando digo que o livro é altamente esclarecedor.
O autor fala muito pouco do atual conflito.
Ele se concentra na Europa oriental do século 19 e início do 20 para investigar
o surgimento do nacionalismo judaico, que deu origem ao movimento sionista.
Em alguns meios de esquerda o termo
"sionista" se tornou sinônimo de fascista e colonialista. Pinsky
mostra que essa interpretação não tem respaldo histórico. O sionismo não surgiu
como um ato de imperialismo judaico, talvez o contrário disso. Os judeus só
mantiveram uma identidade por quase dois milênios sem um território porque essa
identidade lhes foi imposta pelas comunidades não judaicas em que viviam.
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E em várias de suas vertentes, o nacionalismo
judaico surge como movimento laico e de esquerda, algo que Pinsky mostra em
detalhes. E o autor o faz com uma pegada marxista no tom que eu aprecio.
Enfatiza as explicações econômicas e de posicionamento social sem menosprezar
todo o resto (religião, cultura, características individuais).
Só lamento que Pinsky não tenha avançado mais
para mostrar como esse nacionalismo, sempre cambiante, atua hoje em Israel. Mas
isso é matéria para vários outros livros.
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