sábado, 30 de agosto de 2025

Megaoperação revela que Faria Lima fechou os olhos para os fundos, por Adriana Fernandes

Folha de S. Paulo

Só há duas opções: baixo controle das empresas que fizeram negócios com os investigados ou vista grossa

megaoperação para desarticular a infiltração em negócios regulares da economia formal revelou que há um ponto cego na governança dos fundos de investimentos pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM). Na lista dos principais alvos financeiros, a maioria é de fundos de investimentos fiscalizados pela autarquia.

A força-tarefa apontou cerca de 40 fundos suspeitos de serem utilizados pelo PCC e suas gestoras. A Reag Investimentos, listada na B3 (Bolsa de Valores brasileira) e uma das principais empresas envolvidas na operação, é gestora de fundos.

O crime organizado percebeu que é fácil canalizar o dinheiro para um fundo, que investe em outro fundo, e assim por diante. No rastro do dinheiro sujo, são múltiplas operações com camadas de fundos que dificultam a investigação desse caminho.

A Faria Lima, que concentra as empresas financeiras do Brasil, fechou os olhos para a lavagem de dinheiro do crime organizado?

Como resposta a essa pergunta, só há duas opções: baixo controle das empresas que fizeram negócios com os investigados ou vista grossa. Para ambos os casos, a reação necessária e urgente será reforçar as regras de governança e garantir transparência das operações para corrigir as falhas, o que inclui também a B3.

Numa rápida olhada no noticiário, a impressão que fica é que apenas as fintechs estão envolvidas. Há fintechs que atuam na legalidade e outras no limbo da regulação, como essas pegas com a boca na botija.
O pior que pode acontecer é demonizar as fintechs e aproveitar o momento para retroceder na agenda de maior competitividade no sistema bancário.

Banco Central já tirou fintechs do mercado e também precisará reforçar a regulação, exigindo capital mínimo e de credenciamento. Terá que fazer mais e antecipar a entrada em vigor de mudanças regulatórias previstas só para 2029.

Já o governo não pode mais ignorar a situação da CVM, que passa por processo de sucateamento de pessoal e investimentos em contrapartida ao crescimento acelerado do mercado de capitais no país.

 

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