Folha de S. Paulo
Na história, negócios vivem ciclos ruins, mas
está difícil entender a recente toada de crises e prejuízos
Investidor sofre com fraude contábil,
manipulação de ações e até crime organizado na economia formal
Vira e mexe, a história dos negócios
brasileiros, como ocorre em outros países, vive ciclos ruins. A abertura de
mercado nos anos 1990, por exemplo, criou um choque competitivo que levou
muitos à falência. Às vezes, o baque vem de fora. Foi assim na crise
financeira global de 2008, com a quebra do banco americano Lehman
Brothers. Tivemos a Operação Lava
Jato, momento em que Justiça e polícia propunham passar a limpo
a corrupção entre
público e privado.
É difícil, porém, definir a toada mais recente, que esfarela investimentos privados e, principalmente, a credibilidade institucional. O caso da Lojas Americanas espalhou espanto e prejuízos. Como um negócio com as digitais de três dos mais bem-sucedidos empresários do Brasil —Jorge Paulo Lemann, Marcel Telles e Beto Sicupira— pôde se envolver numa fraude contábil que, descoberta, levou a um rombo financeiro superior a R$ 25 bilhões?
O caso do grupo financeiro Reag escalou
em perplexidade. A Reag Investimentos e a Ciabrasf (Companhia Brasileira de
Serviços Financeiros) foram alvos de busca e apreensão na Carbono
Oculto, a megaoperação que saiu no encalço dos elos do PCC na economia formal.
Analistas de mercado acompanharam atônicos a
alta na cotação das ações da
Ambipar: 863%, de 31 de maio a 19 de agosto do ano passado. Em
outubro deste ano, quando bateu a crise de credibilidade, o papel derreteu a
centavos enquanto a companhia buscava recuperação judicial.
O que surpreendeu no Master foi
a demora. A liquidação passou do ponto, como dizem especialistas. Em meados de
2024, até um estagiário da corretora mais simples já falava dos problemas e
riscos de um CDB pagando 130%. Por que os auditores silenciam? Por que as
agências reguladoras evitam confrontos? Por que Banco Central e
Comissão de Valores Mobiliários protelam decisões necessárias, ainda que
amargas? O que ocorre no capitalismo brasileiro?

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