sábado, 29 de novembro de 2025

O que ocorre com o capitalismo brasileiro? Por Alexa Salomão

Folha de S. Paulo

Na história, negócios vivem ciclos ruins, mas está difícil entender a recente toada de crises e prejuízos

Investidor sofre com fraude contábil, manipulação de ações e até crime organizado na economia formal

Vira e mexe, a história dos negócios brasileiros, como ocorre em outros países, vive ciclos ruins. A abertura de mercado nos anos 1990, por exemplo, criou um choque competitivo que levou muitos à falência. Às vezes, o baque vem de fora. Foi assim na crise financeira global de 2008, com a quebra do banco americano Lehman Brothers. Tivemos a Operação Lava Jato, momento em que Justiça e polícia propunham passar a limpo a corrupção entre público e privado.

É difícil, porém, definir a toada mais recente, que esfarela investimentos privados e, principalmente, a credibilidade institucional. O caso da Lojas Americanas espalhou espanto e prejuízos. Como um negócio com as digitais de três dos mais bem-sucedidos empresários do Brasil —Jorge Paulo Lemann, Marcel Telles e Beto Sicupira— pôde se envolver numa fraude contábil que, descoberta, levou a um rombo financeiro superior a R$ 25 bilhões?

O caso do grupo financeiro Reag escalou em perplexidade. A Reag Investimentos e a Ciabrasf (Companhia Brasileira de Serviços Financeiros) foram alvos de busca e apreensão na Carbono Oculto, a megaoperação que saiu no encalço dos elos do PCC na economia formal.

Analistas de mercado acompanharam atônicos a alta na cotação das ações da Ambipar: 863%, de 31 de maio a 19 de agosto do ano passado. Em outubro deste ano, quando bateu a crise de credibilidade, o papel derreteu a centavos enquanto a companhia buscava recuperação judicial.

O que surpreendeu no Master foi a demora. A liquidação passou do ponto, como dizem especialistas. Em meados de 2024, até um estagiário da corretora mais simples já falava dos problemas e riscos de um CDB pagando 130%. Por que os auditores silenciam? Por que as agências reguladoras evitam confrontos? Por que Banco Central e Comissão de Valores Mobiliários protelam decisões necessárias, ainda que amargas? O que ocorre no capitalismo brasileiro?

 

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