Folha de S. Paulo
Flávio Bolsonaro não entendeu que a condição
de filho não lhe dá o direito de mandar no governador de São Paulo
Uma das regras da política é que projetos de
sucesso não prosperam em ambiente de divergências internas
A julgar pelo modo como Flávio
Bolsonaro (PL) conduz sua carruagem, ele ainda não entendeu que
a condição de filho de ex-presidente —preso e inelegível— não lhe dá a prerrogativa de mandar no governador de São Paulo.
Já Tarcísio de Freitas (Republicanos) exibiu alguma noção do que significa comandar o maior estado do país e segundo maior orçamento da República, ao se recusar a cumprir as ordens do 01.
Autorizado a atender ao pedido de Jair
Bolsonaro (PL) para um encontro na morada prisional, Tarcísio
disse que iria em atenção ao "amigo". O homem chamou, mas ele quis
afastar decisões políticas da conversa.
Açodado, Flávio deu-se ao atropelo. Anunciou
que o governador receberia de Bolsonaro a determinação de candidatar-se à reeleição, pois a fila para a disputa
presidencial teria o filho mais velho como preferência.
A política tem regras e rituais a serem
seguidos e o senador precisará compreender isso se não quiser perder o capital
de intenções de votos de que dispõe hoje nas pesquisas.
O bom político pode até ter duas caras, mas
não deixa isso tão evidente. Nas palavras o senador é humilde e cordial; nos
gestos é prepotente e hostil. Assim, denota inabilidade e inspira desconfiança.
Visita remarcada para esta semana, Tarcísio
foi logo avisando mais uma vez que vai à reeleição. Com isso, tomou a si a
iniciativa da decisão e o poder de mudar de opinião conforme as circunstâncias.
O cassado e autoexilado Eduardo (PL) juntou-se ao irmão na
impertinência, com a alegação de que Tarcísio de Freitas era um desconhecido
até ser levado pelo prestígio do pai ao Palácio dos Bandeirantes.
Isso faz quatro anos e de lá para cá o
governador conquistou boa avaliação no exercício do cargo, período em que Jair
Bolsonaro perdeu a reeleição e a liberdade.
Projetos políticos de sucesso não vicejam em
ambiente de divergências internas. Se não ficar esperta, a direita corre o
risco de caminhar para um irreparável racha e se afundar nas águas turvas do
filhotismo.

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