Folha de S. Paulo
Governador gaúcho tem a metade da idade do
presidente, mas aparenta ter o dobro em matéria de bom senso
Em poucas palavras, político do PSD expôs a
incoerência da pregação governista por união e reconstrução
O governador do Rio Grande do
Sul tem a metade da idade do presidente da República, mas
pareceu ter o dobro em termos de bom senso numa solenidade para assinatura de
contratos da Petrobras, na cidade de Rio Grande.
Em cerimônia do governo federal, com público controlado e amigável, a hostilidade era a mesma fava contada que já fez outros governadores desistirem de comparecer a atos sob o patrocínio do Planalto e serem por isso acusados por Luiz Inácio da Silva (PT) de partidarismo indevido.
Eduardo Leite (PSD), porém,
não se intimidou. Foi lá, discursou e, recebido com
vaias, ainda usou o microfone para dar uma lição de moral no pessoal
que se diz amoroso, diferentemente dos adversários propagadores do ódio.
"Esse é o amor que venceu o medo?", questionou, cobrando respeito à
autoridade tão eleita quanto o presidente querido da plateia que, sem se dar
por achada nem enquadrada, prosseguiu na falta de educação cívica.
O recado, contudo, estava dado. Serviu também para expor a incoerência do
slogan governista "União e Reconstrução", militante da prática de
desunião e desconstrução. Disso Lula deu
notícia logo depois ao defender a ideia de que 2026 deve ser o "ano da
comparação" com os governos dos antecessores Michel Temer (MDB) e Jair
Bolsonaro (PL).
Nenhum dos dois é candidato, mas para um Lula que não se garante sem a presença
de antagonistas em sua cena, isso pouco importa. A ele interessa manter viva a
dinâmica do "nós contra eles", absolutamente contraditória à pregação
pacifista da propaganda oficial.
Com o gesto, o governador gaúcho fez muito mais em prol da veracidade dos
apelos à moderação que qualquer um de seus colegas de oposição, cujas ausências
em cerimônias oficiais só corroboram as diatribes de Lula e atestam a opção
pelo atrito no uso impróprio de suas atribuições institucionais.
Leite não precisou de muito para ensinar às torcidas e respectivas chefias o
sentido da representação de Estado. Bastou exercitar sem máscara as próprias
convicções.

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