Folha de S. Paulo
De tensão e atritos vivem as forças políticas
adversárias em ano eleitoral de disputa pelo poder. É normal
No veto à dosimetria, Lula deu recado ao
eleitorado dele, e a oposição reagiu como esperado pela turma dela
O presidente da República deu recado ao
eleitorado dele, e a oposição —aí incluídos aliados de ocasião— reagiu com o
gesto que seus eleitores esperavam dela. E foi só isso que aconteceu no veto de
Luiz Inácio da Silva (PT) ao projeto da dosimetria, seguido da
promessa de derrubada no Congresso.
Não há crise nem ruptura à vista, apenas o jogo jogado da política em ano eleitoral. O desenho de conflagração imprime dramaticidade ao cenário, reforça torcidas, robustece análises, mas não traduz com exatidão a realidade.
Neste 2026 de disputa pelo poder, Lula precisa
mais das ruas que do Parlamento. A recíproca é verdadeira: deputados e
senadores adversários tampouco necessitam dele para falar às urnas. É cada um
por si e a guerra de versões a serviço de todos.
Nada demais nas ausências dos presidentes da
Câmara e do Senado no
ato pela passagem dos três anos dos ataques golpistas. Ambos já haviam faltado
à sanção da lei de isenção e descontos do Imposto de Renda. Pelo mesmo motivo:
pertencem ao espectro ideológico contrário à reeleição e, na medida do possível,
evitarão pôr azeitona na empada de Lula.
Hugo Motta (Republicanos)
e Davi
Alcolumbre (União Brasil)
poderiam ter feito algo em alusão ao dia em que o Poder que presidem foi
vandalizado, mas preferiram não se indispor com os patrocinadores da mudança na
legislação para ajudar os condenados por tentativa de insurreição.
Executivo e Legislativo fizeram escolhas de
cunho eleitoral, muito distantes do caráter de frente ampla em defesa da
democracia que permeou o ambiente em 2022/2023.
No ponto de equilíbrio manteve-se o Supremo
Tribunal Federal. Os ministros não foram ao Palácio, ativeram-se ao tema em
pauta na solenidade própria e ficaram longe de um embate a respeito do qual
serão provocados depois da provável derrubada do veto.
Prevalecendo o bom senso a partir daí, o STF
aplicará a lei conforme ditar o Parlamento e, sobranceiro, deixará a política
resolver suas querelas.

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