sexta-feira, 16 de janeiro de 2026

O precipitado descarte de Tarcísio. Por Dora Kramer

Folha de S. Paulo

Governador de São Paulo bem avaliado é ativo eleitoral a ser valorizado sob quaisquer circunstâncias

Com Bolsonaro preso, Eduardo cassado e Flávio rejeitado, o clã do ex-presidente não está em situação confortável

Alguma coisa não está batendo bem nesse descarte de Tarcísio de Freitas (Republicanos) como candidato à Presidência.

O movimento parte dos filhos de Jair Bolsonaro (PL), não tem o apoio de Michelle e é encampado pelo presidente do PP, mas dos outros partidos de oposição não se ouviu até agora um pio a respeito.

Ou bem os adversários do presidente Luiz Inácio da Silva já entregaram os pontos, dando a reeleição como certa, ou há lances mais espertos a serem jogados que por ora nos fogem à percepção.

Uma terceira hipótese, bastante plausível, é a de estarmos diante de mais uma grossa trapalhada bem ao gosto dos herdeiros do ex-presidente. O cenário atual não os favorece.

De um lado, o governador do estado mais importante e maior colégio eleitoral do país, apontado nas pesquisas como dono de potencial para derrotar Lula. De outro, Bolsonaro preso e, ao que se diz, debilitado; Flávio (PL), o pretendente a presidente mais rejeitado; Eduardo, cassado e abandonado por Trump em seu autoexílio nos Estados Unidos.

Por mais que Tarcísio de Freitas tenha sido criatura da lavra de "seu Jair", isso já faz quatro anos. Muita água rolou por debaixo da ponte do bolsonarismo, sendo toda ela turvada pela lama do negacionismo na pandemia e pelos crimes da trama golpista.

A reeleição de Lula não é fava contada. Seus oponentes aparecem todos na pesquisa do instituto Quaest com índices acima de 30% nas simulações de segundo turno, o que projeta um ambiente de todos contra o petista na batalha final.

Mesmo bem colocado, Flávio tem problemas. A rejeição sempre pode ser revertida, mas a persona moderada do filho não convence o centro e contraria o extremismo mau comportado que fez o sucesso do pai.

Francamente, não dá para entender que vantagem a direita levaria ao abraçar uma candidatura duvidosa à Presidência, perder uma vaga certa no Senado pelo Rio de Janeiro e ainda empurrar Tarcísio, seu maior ativo eleitoral, para fora da área de influência do clã.

 

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