Folha de S. Paulo
Estratégia da campanha é buscar o voto
conservador no interior do estado
Na segurança, ideia é criticar influência de
políticos ligados a práticas criminosas
Eduardo Paes deixará a prefeitura em 20 de março, antes do prazo previsto na legislação eleitoral, mas a tempo de entregar a chave da cidade ao Rei Momo, curtir alucinadamente quatro dias de Sambódromo e, quem sabe, chorar com a vitória da sua Portela. Será o Carnaval da despedida de quem começa a pré-campanha para ser o governador do Rio de Janeiro como favorito. Até outubro, é fazer com que o salto alto não atrapalhe.
Paes leva para a disputa não só o corpinho
mais enxuto —passou por um procedimento estético no fim de 2025— como o fato de
ter fortalecido a vocação da cidade para os grandes eventos. Em 2026 serão pelo
menos 885 atividades, de congressos a megashows, média de mais de 70 por mês. A
previsão é bater o recorde na visitação de turistas estrangeiros. No ano
passado, foram 2,2 milhões de pessoas.
Candidato derrotado em 2006 e em 2018 (quando
também era favorito), ele sabe que festa e badalação ajudam, mas não ganham
eleição. Além da aproximação com os evangélicos —a ponto de rasgar seda para o
pastor Malafaia e incluir um palco gospel no Réveillon de Copacabana— e meses
de articulações e viagens ao interior do estado, Paes fará da segurança pública
o tema central da campanha, tendo como trunfo a criação da guarda municipal
armada.
A ideia é criticar a influência de políticos
que mantêm relações com práticas criminosas, lembrando o caso do ex-presidente
da Alerj Rodrigo
Bacellar, afastado do cargo após investigações da Polícia Federal. Até
então Bacellar era o nome forte do bolsonarismo à sucessão de Cláudio
Castro. Nos termos do prefeito, são "tchutchucas" que se vestem
de "valentões".
Político de centro (mais centro-direita que
centro-esquerda), Paes se propõe a agradar gregos, troianos e os independentes.
Reafirmou a seu partido, o PSD de Gilberto
Kassab e Ratinho Jr., a escolha de apoiar a reeleição de Lula. O PT
fluminense, no entanto, acredita que ele, ao buscar os votos conservadores no
interior, evitará o vínculo com o presidente.
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