sábado, 24 de janeiro de 2026

Com Lula, 'ma non troppo'. Por Alvaro Costa e Silva

Folha de S. Paulo

Estratégia da campanha é buscar o voto conservador no interior do estado

Na segurança, ideia é criticar influência de políticos ligados a práticas criminosas

Eduardo Paes deixará a prefeitura em 20 de março, antes do prazo previsto na legislação eleitoral, mas a tempo de entregar a chave da cidade ao Rei Momo, curtir alucinadamente quatro dias de Sambódromo e, quem sabe, chorar com a vitória da sua Portela. Será o Carnaval da despedida de quem começa a pré-campanha para ser o governador do Rio de Janeiro como favorito. Até outubro, é fazer com que o salto alto não atrapalhe.

Paes leva para a disputa não só o corpinho mais enxuto —passou por um procedimento estético no fim de 2025— como o fato de ter fortalecido a vocação da cidade para os grandes eventos. Em 2026 serão pelo menos 885 atividades, de congressos a megashows, média de mais de 70 por mês. A previsão é bater o recorde na visitação de turistas estrangeiros. No ano passado, foram 2,2 milhões de pessoas.

Candidato derrotado em 2006 e em 2018 (quando também era favorito), ele sabe que festa e badalação ajudam, mas não ganham eleição. Além da aproximação com os evangélicos —a ponto de rasgar seda para o pastor Malafaia e incluir um palco gospel no Réveillon de Copacabana— e meses de articulações e viagens ao interior do estado, Paes fará da segurança pública o tema central da campanha, tendo como trunfo a criação da guarda municipal armada.

A ideia é criticar a influência de políticos que mantêm relações com práticas criminosas, lembrando o caso do ex-presidente da Alerj Rodrigo Bacellar, afastado do cargo após investigações da Polícia Federal. Até então Bacellar era o nome forte do bolsonarismo à sucessão de Cláudio Castro. Nos termos do prefeito, são "tchutchucas" que se vestem de "valentões".

Político de centro (mais centro-direita que centro-esquerda), Paes se propõe a agradar gregos, troianos e os independentes. Reafirmou a seu partido, o PSD de Gilberto Kassab e Ratinho Jr., a escolha de apoiar a reeleição de Lula. O PT fluminense, no entanto, acredita que ele, ao buscar os votos conservadores no interior, evitará o vínculo com o presidente.

 

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