Folha de S. Paulo
Tarcísio diz que sai para governador, mas
mantém uma pontinha de ambiguidade em relação a pleito presidencial
Se Lula vencer, talvez precise agradecer a
Trump, pela queda do dólar, e a Jair, por indicar Flávio para sucedê-lo
O governador Tarcísio de Freitas afirma e reafirma que é candidato à reeleição em São Paulo, mas mantém deliberada ambiguidade em relação ao pleito presidencial. É secundado nessa tarefa pela própria esposa e por Michelle Bolsonaro. Não dá para dizer que o cálculo de Tarcísio esteja errado.
Embora já haja petistas comprando enxoval
para a segunda posse de Lula,
não penso que a disputa será um passeio. A última
leva de pesquisas mostra que a direita continua forte. A soma das
intenções de voto em pré-candidatos conservadores fica próxima das do petista
e, mesmo nas simulações de segundo turno em que Lula vence seus adversários,
ele o faz por poucos pontos. Dez meses antes da eleição, essa diferença é mais
um empate do que uma vantagem real.
Até meados do ano passado, Lula parecia estar
nas cordas, amargando baixos índices de popularidade. O motivo principal da
reviravolta foi uma cortesia involuntária de Donald Trump,
cujas sandices econômicas derrubaram o valor do dólar. E o dólar barato conteve
a inflação dos alimentos, que é o que mais erodia a aprovação ao
petista. Ocorre que uma das previsões fáceis para este 2026 é que, se o Lula
gastador aparecer de forma consistente à frente nas pesquisas, o dólar vai
subir. Dependendo de quando isso ocorrer e da escala do fenômeno, poderemos ter
um repique inflacionário, que não o ajudaria na campanha.
Lula até poderia se vacinar contra isso
apresentando um plano crível para lidar com o problema fiscal a partir de 2027,
mas não consigo imaginar o PT abandonando o
populismo e sendo honesto em relação à situação da economia. Dilma não
foi em 2014, e não penso que o partido tenha aprendido a lição.
De todo modo, minha aposta é que teremos,
como em 2022, uma
eleição apertada. A melhor esperança do petista é que seu
adversário no segundo turno tenha uma rejeição igual ou maior que a sua. É
justamente o que os Bolsonaros lhe proporcionam, ao insistir na candidatura
de Flávio.
Se Lula vencer, talvez precise agradecer a
Donald e a Jair.
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