Folha de S. Paulo
Eleição indireta de governador-tampão motiva
a discórdia
Desentendimento entre centrão e extrema
direita paralisa o Rio
Na cabeça de Cláudio
Castro, parecia a tramoia perfeita. Em maio de 2025, o governador
indicou o vice, Thiago Pampolha, de 38 anos, para uma vaga de conselheiro do Tribunal de Contas.
"Thiago é novo, mas rodado", justificou.
O ardil permitiria que o presidente da Assembleia Legislativa, Rodrigo Bacellar, assumisse a máquina do Palácio Guanabara para disputar a sucessão. Um presente de cupincha. Castro não se dava bem com Pampolha, que de lambuja passou a controlar a Cedae, empresa de saneamento com receita anual de R$ 3 bilhões, hoje investigada por aplicações no Banco Master.
Castro é do PL, Pampolha do MDB,
Bacellar do União Brasil,
partidos de direita e de extrema direita que há décadas dominam o Rio de
Janeiro na base do clientelismo e do fisiologismo —sempre
conspirando uns contra os outros.
Castro não demorou a se desentender com
Bacellar, que na Alerj e nas vezes em que substituiu o governador passou a agir
como capo di tutti capi. Chegou a ser citado numa investigação do Ministério
Público por "alugar" o município de Cambuci, no noroeste fluminense,
com pagamentos de R$ 160 mil por mês ao prefeito Oswaldo Botelho.
A tramoia implodiu em dezembro com a prisão de Bacellar. A Polícia Federal revelou seu
envolvimento com o crime organizado que atua dentro da Alerj. Afastado da presidência por decisão do Supremo, ele não
saiu de cena e resiste a renunciar. Continua influente —até porque está usando uma tornozeleira eletrônica, sinal de status
entre seus pares.
A paralisia do Executivo e do Legislativo é
total. O Rio está sem vice-governador e, com a saída do titular para disputar o
Senado, um governador-tampão será escolhido em eleição indireta. Castro quer
indicar o chefe da Casa Civil, Nicola Miccione, fácil de manejar. Flávio Bolsonaro prefere o secretário estadual das
Cidades, Douglas Ruas, para lançá-lo como candidato ao governo.
Castro ameaça trair o bolsonarismo pela
primeira vez na vida e ir para o centrão. Como se entoasse um louvor e rodasse
a baiana ao mesmo tempo.
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