O Estado de S. Paulo
Lula erra e Flávio cresce, com percepção de
que pode ser o melhor candidato da direita
Ok, o presidente Lula é o favorito de outubro em todas as pesquisas e na maioria das avaliações, mas o ano da eleição começa com o PT tropeçando nas próprias pernas e o principal candidato da oposição, senador Flávio Bolsonaro, acertando o passo rumo às bases eleitorais de esquerda e, principalmente, do centro.
Como sempre, o ano do Brasil começa depois do carnaval e, em 2026, Lula sai da Sapucaí sem um único voto a mais e sabe-se lá quantos votos a menos, com ação contra ele no TSE por “campanha antecipada” e a oposição fazendo um segundo “carnaval” com o boneco de presidiário (que soa como “sujo falando do mal lavado”) e o rebaixamento da Acadêmicos de Niterói. Vexame.
Para piorar o desastre, as igrejas católica e
evangélica protestaram ao mesmo tempo, e pelo mesmo motivo, contra a ala
“Família em Conserva” da escola de samba, que agride os evangélicos e foi
rechaçada inclusive pela OAB-RJ como “intolerância religiosa”. Lula pode dizer
que não sabia, que não tem nada a ver com isso? Mesmo que seja verdade, não
cola.
Enquanto Lula dá de bandeja discurso, imagens
e fatos para a oposição, Flávio Bolsonaro faz acenos a movimentos negros e
LGBT+. Ou seja, um reduz sua margem de captura de votos e o outro aumenta a
sua, avançando para o centro e os indecisos, que realmente definem uma eleição.
E lá vem o petista João Paulo Cunha,
ex-presidente da Câmara e atual conselheiro de Lula, dizer em alto e bom som
que Flávio é um adversário mais difícil do que Tarcísio de Freitas, que fugiu
da raia pela reeleição em São Paulo. O que Lula ganha com isso e com um
conselheiro desses?
Nos setores financeiro e empresariais, há
grande resistência a Lula, mas também a Bolsonaro e não é incomum ouvir: “Sou
contra Lula, mas, se o Flávio for o candidato da direita, voto no Lula”. O
problema na fala do petista Cunha, porém, é outro: a turma da grana tende a
ficar com quem vai vencer e, se o próprio PT insufla as chances do filho 01, o
torna mais apetitoso na eleição.
Pesquisadores, analistas e, nós, jornalistas,
achávamos tão absurdo que não enxergamos em 2018 o que, olhando depois,
retrospectivamente, estava na nossa cara: apesar da biografia de militar
golpista e político inútil, que só servia para falar besteira, Jair Bolsonaro
se tornou competitivo e, enfim, vitorioso.
Flávio tenta repetir o pai, acrescentando um
jeitão mais polido, cautela na linguagem e ambição de atrair o centro e já
atropela os “governadores do Kassab” e assume o papel de “o” candidato da
direita. Hoje, a sensação é de que Tarcísio seria melhor presidente, mas Flávio
é melhor candidato. Logo, Cunha tem razão? Pode ter, mas em política nem tudo o
que se pensa se diz, principalmente se favorece o adversário.

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