O Estado de S. Paulo
Outubro terá um candidato com o pai na cadeia e outro com o filho sob investigação
As quebras dos sigilos bancário e fiscal de
Lulinha remetem aos piores momentos da longa carreira política do presidente Lula
– mensalão, Lava Jato e prisão – e desabam sobre a campanha da reeleição
justamente quando o senador Flávio Bolsonaro se firma e ganha fôlego como o
principal candidato da oposição. Quanta poeira, ou lama, pode sair daí?
E, afinal, Lula não estava virtualmente
reeleito? A resposta, nua e crua, é não. Se as pesquisas até aqui capturavam o
favoritismo do presidente, agora registram que a campanha vai ser ainda mais
difícil do que a de 2022, que ele venceu por margem já bem apertada.
Sem antecedentes criminais, Lulinha tem uma relação que vai de mal a pior com a Polícia Federal, após as revelações sobre seus laços com o escândalo do INSS e a quebra dos sigilos, tanto pelo ministro do STF André Mendonça quanto pela CPMI do INSS. Ambos decidiram com base na PF.
Lulinha já foi comparado por Lula a Ronaldo
Fenômeno, um dos maiores craques do futebol, quando o País tentava entender
como um ex-funcionário de zoológico cria uma empresa de jogos, a franzina
Gamecorp, e fecha um negócio milionário, um ano depois, com a Telemar. Lula
considerou o filho um gênio dos negócios, mas a sociedade concluiu que foi
porque o pai era presidente.
Outubro terá um candidato com o pai na cadeia
e outro com o filho sob investigação
Logo, outubro terá um candidato com o pai na
cadeia e outro com o filho sob investigação, enquanto se engasgam com seus
próprios “probleminhas” na polícia e Justiça. Um enrolado com rachadinhas,
chocolates e compras esquisitas de casas. O outro é um ex-condenado e ex-preso
que teve seus processos anulados. A eleição vai pegar fogo.
Flávio é “a novidade”, já monta palanques nos
principais colégios eleitorais e deixa Tarcísio, Ratinho, Caiado, Eduardo Leite
e Zema como coadjuvantes. E Lula? Liderava as pesquisas eleitorais, sem superar
um obstáculo: a aprovação como presidente menor que a desaprovação. E só agora
começa a erguer sua campanha.
Em São Paulo, insiste em Fernando Haddad e,
portanto, no confronto Haddad-Tarcísio de 2022 que o atual governador venceu.
No Rio, o PT está nas mãos do prefeito de Maricá, Washington Quaquá, e, em
Minas, depois do naufrágio do PT, Lula vai de Rodrigo Pacheco, do PSD. E as
prefeituras? Em 2024, os quatro primeiros partidos no ranking foram do Centrão,
o PL de Flávio ficou em quinto e o PT amargou o nono lugar.
Assim como a eleição era incerta com Lula
favorito nas pesquisas, continua sendo com Flávio ganhando gás e Lula
enfrentando sérios problemas, inclusive o filho mais uma vez encrencado.
Gilberto Kassab tenta se recolocar e reajustar a estratégia do Centrão, entre
um e outro.

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