Essas tecnologias chegaram agora às
preocupações do Superior Tribunal Eleitoral. Fazem parte das normas
eleitorais para o ano em curso, que começam a
ser anunciadas para análises em audiências públicas
presenciais e por videoconferências, transmitidas e administradas pelo canal da
Justiça Eleitoral no Youtube e pela TV Justiça, a partir das dez horas desta
terça-feira (03.02.26), estendendo-se até 5a feira (5.02.26). O
Tribunal, que sai do recesso de quase dois meses, vai definir as
alterações das normas para o pleito de outubro, que vão colocar o
país nas mãos de um mandado presidencial de mais cinco anos. Serão
discutidos os registro de candidaturas, o Fundo de
Financiamento (público) da Campanha, pesquisas ,
fiscalização , auditorias, prestação de contas e sistema
eleitoral. No Tribunal, sob a presidência, hoje, da ministra
Carmem Lúcia, preocupa o tratamento para as normas no campo
das midias digitais, ainda uma “zona cinzenta”. Informa-se que o
TSE estará atento à circulação de conteúdos digitais falsos, que posam interferir
na vontade livre do cidadão de escolher seus candidatos, e conduzir ao
descrédito do processo eletivo .
Não sei se o Tribunal desembarca tarde nessas
plataformas cibernéticas: programas, aplicativos e ferramentas
virtuais sofisticadas. Mas, a ministra tem razão: o avatar, por exemplo, é um
boneco virtual gráfico,
tridimensional, que personaliza um candidato ou a
marca de um usuário a partir de aplicativos digitais. Humaniza a
presença online, permitindo que pessoas interajam inocentes em redes
sociais; os chatbots simulam conversas identificando intenções
e respondendo perguntas em sites e redes sociais. Seguem um fluxo de
conversa com respostas prévias , como um menu resolvendo dúvidas
. Inteligência Artificial (IA) capta o contexto, e
produz orientações mais flexíveis e humanas, processando, por
analogias, soluções com as mesmas preocupações. O Metaverso propõe-se a
representar um universo virtual imersivo e compartilhado, onde usuários
interagem por meio de avatares, em ambientes 3D, simulando ou expandindo a
realidade virtual (RV) e aumentada (RA). Torna a experiência online mais
"presente" e interativa, como se estivesse literalmente, interagindo.
Comunica-se com os tais blockchain - fluxo de criptomoedas digitais
realizando operações e participando de reuniões, com outros avatares.
E assim conhecimentos pessoais vão
se acumulando coletiva e digitalmente envolvendo desde a
cotidianidade nas relações entre pessoas , até viagens espaciais.
Essas e outras tecnologias resolvem problemas, e induzem soluções que
melhor se ajustam às dúvidas do usuário, indivíduo ou eleitor. Algumas
circulam por meio de linguagens icônicas, de enquadramento
j semântico e jurídico difícil, criando uma “zona cinzenta” na
Lei. É um novo discurso, que pode estar conduzindo a “rejeição” aos velhos
líderes e seus métodos, como a de antecipar às proibições eleitorais do
Tribunal, autorizando empréstimos de R$206 bilhões (não é milhão) a
estados e municípios, todos endividados e caloteiros – oferecendo as garantias
do Tesouro para os pagamentos em caso de inadimplência, método já usado no
tempo da eleição de 2014.. .
Meu acesso às novas tecnologias é precário.
Mas começou nos laboratórios digitais da Universidade Católica de Brasilia
quando, em 2004, como professor, começamos a preparar um grupo de estudantes de
Jornalismo para cobrir as comemorações dos 100 anos dos Jogos Olímpicos da Era
Moderna (1886). Assisti à adoção, pela primeira vez, dessas novas tecnologias
nos Jogos Olímpicos de Atenas (2004). Com o apoio dos laboratórios de
informática da Universidade , do prof. Paulo Trindade, e de um grupo
de jovens estudantes curiosos, conseguimos autorização do Comitê Olímpico
para realizar um estágio pedagógico no exterior com os alunos .
Eles criaram um avatar (Athena Politéia) que desempenhava
papéis, ainda simples, como “âncora” do noticiário gerado ali na
praça Olímpica, traduzido para diversas línguas.
Não canso de me lembrar desse saltos
hiper-realistas que a tecnologia vai dando como um canguru. Em geral, começam
no meio militar ou das artes, passam pela indústria, pela política e
chegam ao cidadãos 30 a 40 anos depois. Agora no TSE. Estão nesse caso
as ferramentas digitais que vão surgindo e se infiltrando nas competências
humanas, no trabalho e no conhecimento, reduzindo distâncias, antecipando
tempos históricos, despertando e configurando o perfil das novas
gerações. Estão cheias de sujeitos inquietos, procurando
desvendar os segredos do mundo e da vida humana, tipo o curioso engenheiro Jack
Kilby (+Robert Noyce), que abriu mão das férias com os colegas professores para
futucar nos laboratórios de pesquisa da sua universidade até desvendar um segredo
guardado à sete chaves pela natureza. Estava lá num simples "chip"
(circuito integrado) poderoso componente eletrônico minúsculo (microchip),
uma peça de silício contendo transistores que processam dados eletrônicos,
enquanto o chip de celular (SIM card) armazena informações do assinante e
conecta o aparelho à rede.
Como será isso pelas novas normas
eleitorais? Projeta-se uma autêntica liberdade de expressão , mas as
estratégias da vigarice já está no tabuleiro, bem antes do início da
campanha . Há um receio de que a antecipação da
disputa política venha a prejudicar a gestão das políticas
públicas. Existe uma "zona cinzenta" , em que se inserem os
chamados "influenciadores" . As novas normas, talvez
por obsoletismo, podem , ao contrário, favorecer cinicamente os mais
ousados tecnologicamente gerando “rejeição”, mas
também fontes indiretas de financiamento privado para
candidatos, por meio de blochchains, moedas criptográficas e
favorecimentos virtuais para as campanhas. Essas ferramentas
hiper-realistas se já não tinham chegado ao Tribunal Eleitoral em 2014,
estão, por suposto, desembarcando, entre as 10 a 12 propostas de
alterações nas regras eleitorais para este ano.
*Jornalista e professor

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