sexta-feira, 6 de fevereiro de 2026

O acesso relâmpago. Por Raquel Landim

O Estado de S. Paulo

Chama a atenção a facilidade com que Vorcaro chegou também ao mais alto cargo do Executivo

As datas não são precisas, mas impressiona a velocidade com que o banqueiro Daniel Vorcaro conseguiu acesso ao gabinete do presidente da República.

Em novembro de 2024, Vorcaro foi chamado ao Banco Central para assinar um “termo de comparecimento”. Conforme revelado pelo Estadão, era uma espécie de alerta que dava a ele 180 dias para resolver os problemas de liquidez do Master.

Em dezembro daquele ano, portanto, cerca de um mês depois, ele chegava ao Planalto para uma reunião com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Um en controque não constava na agenda oficial, marcado pelo ex-ministro Guido Mantega. Lula diz que chamou para a reunião o chefe da Casa Civil, Rui Costa, e, naquela época, o quase presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo.

Conforme apurou a coluna, quando Galípolo chegou à sala, os outros já estavam sentados e conversando. Ele estava ali a pedido de Lula para esclarecer as dúvidas do presidente.

No fim de 2024, o mercado já sabia do carrossel financeiro do Master, que vendia papéis de alto risco contando com a cobertura do Fundo Garantidor de Crédito, e havia alertado o BC. O que ninguém imaginava é que a autoridade monetária estava nos calcanhares de Vorcaro.

Lula disse em entrevista ao portal UOL que Vorcaro afirmou no encontro que era “vítima de perseguição” dos concorrentes. O presidente afirmou ter garantido ao banqueiro que não haveria “posição política pró ou contra o Master, mas uma investigação técnica”.

Operadores políticos experientes “leram” a cena para a coluna. Vorcaro chegou ao Planalto graças a padrinhos políticos fortes. Oficialmente teria sido Mantega, mas é conhecida a relação de seus sócios com o PT da Bahia.

Tentou, portanto, chegar ao chefe para ameaçar o subordinado. Lula chamou Galípolo e, a se confirmar o relato do presidente sobre o encontro, o respaldou. Não há notícias de interferências do governo federal contra ou a favor da liquidação do Master.

Era conhecida a influência de Vorcaro junto ao Centrão, que montou uma “bancada” a seu favor, que tenta até agora barrar qualquer iniciativa mais concreta de investigação no Congresso. A imprensa revelou ainda os tentáculos do banqueiro no Judiciário. A facilidade com que ele chegou também ao mais alto cargo do Executivo é de assustar. •

 

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