É dificílimo
para qualquer presidente, independente da sua orientação ideológica, implantar
seu programa de governo na atual dinâmica. A maioria precária é formada a
partir das articulações políticas e do compartilhamento de espaços de poder e
de verbas orçamentárias. Ainda assim, partidos que tem dois ou três ministérios
no governo, em votações decisivas, dividem-se ao meio e entregam menos de 50%
de seus votos no Congresso. Essa disfuncionalidade evita que o Brasil avance
mais rápido rumo a um determinado rumo escolhido pela maioria da população.
As eleições
majoritárias para presidente, governador ou prefeito mobilizam muito mais as
atenções da sociedade do que as para vereador, deputado e senador. Quase todo
mundo sabe o nome do presidente, do governador e do prefeito. Em contrapartida,
reiteradas pesquisas de opinião feitas nas últimas décadas revelam que, um ano
após as eleições, 70% dos brasileiros não lembram em quem votou para deputado.
O nosso sistema eleitoral é um dos piores do mundo. Como o eleitor mineiro, por
exemplo, pode comparar os 2.500 candidatos registrados a deputado federal em
Minas Gerais, em 2022, competindo num território equivalente à França, sem
sequer conhecer a maioria deles? Isto não acontece nas democracias avançadas da
Europa, da Ásia, dos EUA e do Canadá, onde o voto é distrital ou na lista
partidária. Aqui decreta-se uma balburdia política e uma anarquia em termos de
qualidade da governabilidade e governança.
É essencial que
cada um de nós se empenhe em qualificar a opção de voto para deputado e senador
nas eleições de outubro e procure coerência entre as escolhas feitas para o
executivo e o legislativo.

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