O Estado de S. Paulo
Supremo prefere acordo do dono do Master no primeiro semestre para evitar embolar com eleição
Ministros do Supremo Tribunal Federal preferem que o acordo de delação premiada de Daniel Vorcaro seja selado até junho, para diminuir a chance de interferência no processo eleitoral. Com pré-candidaturas delineadas, as campanhas têm início oficial programado para 16 de agosto.
A expectativa é de que os depoimentos e provas apresentadas pelo dono do Banco Master atinjam boa parte da classe política e jurídica.
Embora seja uma preocupação no STF, a
prioridade não é fechar a delação rápido, e, sim, conduzir o acordo de forma
atenta, para não dar margem a um pedido de anulação no futuro por
irregularidades. Tanto que entraram em campo para negociar com a defesa de Vorcaro,
ao mesmo tempo, a Polícia Federal e a Procuradoria-Geral da República.
No gabinete de André Mendonça, relator das
investigações, a ordem é usar o tempo que for preciso para os interrogatórios e
a produção de provas – ainda que isso implique avançar no período de campanha
eleitoral. Ou seja: o ideal é selar o acordo ainda no primeiro semestre. Mas
somente se for possível. Mendonça tem dado autonomia para PF e PGR atuarem de
forma técnica.
Integrantes do STF ouvidos pela coluna, no entanto, não têm ideia de quanto tempo levará para a conclusão do acordo de delação, porque ninguém sabe ainda a proporção que ele pode alcançar. A defesa não apontou quantas pessoas serão implicadas em provas e depoimentos do banqueiro. Nas palavras de um ministro, ninguém sabe o que Vorcaro fez no verão passado, mas sabe-se que boa coisa não foi.
Dentro do Supremo, há apreensão sobre se
Vorcaro vai apontar a mira para os integrantes do tribunal. Em mensagens
vazadas, foi revelada uma conversa do banqueiro com Alexandre de Moraes no dia
da primeira prisão de Vorcaro, em novembro do ano passado. Também há negociação
financeira de fundo ligado ao banqueiro com Dias Toffoli e um contrato
milionário do Banco Master com a advogada Viviane Barci, a esposa de Moraes.
Também há ansiedade no Judiciário sobre como
a delação pode impactar a nomeação de Jorge Messias para a vaga aberta no STF.
A avaliação é a de que, a depender de como as informações prestadas pelo
banqueiro vão impactar a vida de políticos aliados do presidente do Senado,
Davi Alcolumbre (UniãoAP), é esperado que a sabatina e a votação do nome do
candidato pela Casa sejam mais adiadas.
Um ministro da nata do Judiciário pondera que,
seja qual for a delação prestada por Vorcaro, haverá impacto direto na disputa
eleitoral deste ano – com o acordo fechado no primeiro ou no segundo semestre.
Segundo ele, não há como evitar isso. O jeito é comprar pipoca para maratonar a
delação.

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