sexta-feira, 13 de março de 2026

Biruta de aeroporto, por Eliane Cantanhêde

O Estado de S. Paulo

A ‘biruta’ de Trump sopra como as pesquisas e os fatos, a favor de Flávio Bolsonaro

Tanto quanto como Quaest, Datafolha e Atlas, os últimos movimentos de Donald Trump apontam uma reversão de expectativas a favor de Flávio Bolsonaro e contra Lula, que atravessou 2025 como favorito, mas chegou a 2026 sob dúvidas que evoluíram para temores no Planalto. Enquanto Flávio cresce, Lula não só estacionou como enfrenta um turbilhão de notícias negativas.

Flávio é hoje candidato praticamente único da direita e tem empate numérico com Lula num 2.º turno. Tornou-se “novidade” contra um candidato manjado, que sofre desgaste pelas peraltices de Lulinha, os vexames de Dias Toffoli e a queda do pedestal de Alexandre de Moraes.

Como biruta de aeroporto, o humor de Trump com o Brasil depende dos ventos. Neste momento, a biruta, ou o biruta, parece soprar de volta para os lados dos Bolsonaro e, como enviou o diplomata Ricardo Pita para discutir crime organizado em maio de 2025 e ele foi parar na casa de Jair Bolsonaro, ainda solto, Trump agora manda o assessor Darren Beattie.

Ele é o novo responsável por observar o Brasil e ajudar a “fazer a cabeça de Trump” em relação às eleições e usa a mesma história para visitar o ex-presidente, na Papudinha, mas Moraes decidiu vetar. Entre as duas visitas, Washington admitiu que pode classificar PCC e CV como “organizações terroristas”.

Esse velho embate entre Brasil e EUA volta com força, após Trump usar o terrorismo como pretexto para invadir a Venezuela e sequestrar Maduro. O que é mais ameaçador? PCC e CV como “criminosas”, ou como “terroristas”, podendo justificar ingerência na região?

Trump impôs ao Brasil o maior índice (50%) no tarifaço, a Lei Magnitsky contra Moraes, ministro do STF, a suspensão de vistos para autoridades e notas acusando o País de “censura”, “perseguição política” e “ataque às liberdades”, tudo para, supostamente, evitar a prisão de Bolsonaro. Consumada a prisão, Trump mudou.

Ele e Lula tiveram alguns segundos na ONU, admitiram boa “química”, trocaram telefonemas e, enfim, se encontraram na Malásia. Evaporaram-se os 50%, a Magnitsky, as acusações e tudo ia bem, mesmo com as estocadas de Lula em Trump, até que as birutas, de lá e de cá, deram sinais de alerta. Trump diz que convidou Lula para a reunião de chefes de Estado nos EUA, o Itamaraty nega. O novo encontro seria em março, não vai ser mais. E esse “enviado” a Bolsonaro?

Tudo somado, Trump apostou em Bolsonaro quando ele estava em campo, pulou para Lula quando ele ficou na boca do gol e, agora, com a bola dividida mais uma vez, pula para Flávio. A biruta de Trump não é (só) ideológica, mas pragmática: vai para o lado que vai ganhar – hoje, ele acha que é Flávio.

 

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