O Estado de S. Paulo
A ‘biruta’ de Trump sopra como as pesquisas e
os fatos, a favor de Flávio Bolsonaro
Tanto quanto como Quaest, Datafolha e Atlas, os últimos movimentos de Donald Trump apontam uma reversão de expectativas a favor de Flávio Bolsonaro e contra Lula, que atravessou 2025 como favorito, mas chegou a 2026 sob dúvidas que evoluíram para temores no Planalto. Enquanto Flávio cresce, Lula não só estacionou como enfrenta um turbilhão de notícias negativas.
Flávio é hoje candidato praticamente único da direita e tem empate numérico com Lula num 2.º turno. Tornou-se “novidade” contra um candidato manjado, que sofre desgaste pelas peraltices de Lulinha, os vexames de Dias Toffoli e a queda do pedestal de Alexandre de Moraes.
Como biruta de aeroporto, o humor de Trump
com o Brasil depende dos ventos. Neste momento, a biruta, ou o biruta, parece
soprar de volta para os lados dos Bolsonaro e, como enviou o diplomata Ricardo
Pita para discutir crime organizado em maio de 2025 e ele foi parar na casa de
Jair Bolsonaro, ainda solto, Trump agora manda o assessor Darren Beattie.
Ele é o novo responsável por observar o
Brasil e ajudar a “fazer a cabeça de Trump” em relação às eleições e usa a
mesma história para visitar o ex-presidente, na Papudinha, mas Moraes decidiu
vetar. Entre as duas visitas, Washington admitiu que pode classificar PCC e CV
como “organizações terroristas”.
Esse velho embate entre Brasil e EUA volta
com força, após Trump usar o terrorismo como pretexto para invadir a Venezuela
e sequestrar Maduro. O que é mais ameaçador? PCC e CV como “criminosas”, ou
como “terroristas”, podendo justificar ingerência na região?
Trump impôs ao Brasil o maior índice (50%) no
tarifaço, a Lei Magnitsky contra Moraes, ministro do STF, a suspensão de vistos
para autoridades e notas acusando o País de “censura”, “perseguição política” e
“ataque às liberdades”, tudo para, supostamente, evitar a prisão de Bolsonaro.
Consumada a prisão, Trump mudou.
Ele e Lula tiveram alguns segundos na ONU,
admitiram boa “química”, trocaram telefonemas e, enfim, se encontraram na
Malásia. Evaporaram-se os 50%, a Magnitsky, as acusações e tudo ia bem, mesmo
com as estocadas de Lula em Trump, até que as birutas, de lá e de cá, deram
sinais de alerta. Trump diz que convidou Lula para a reunião de chefes de
Estado nos EUA, o Itamaraty nega. O novo encontro seria em março, não vai ser
mais. E esse “enviado” a Bolsonaro?
Tudo somado, Trump apostou em Bolsonaro
quando ele estava em campo, pulou para Lula quando ele ficou na boca do gol e,
agora, com a bola dividida mais uma vez, pula para Flávio. A biruta de Trump
não é (só) ideológica, mas pragmática: vai para o lado que vai ganhar – hoje,
ele acha que é Flávio.

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