quarta-feira, 4 de março de 2026

Haddad quer um ‘novo Alckmin’ para vice, por Vera Rosa

O Estado de S. Paulo

Ministro busca perfil de centro para fazer dobradinha com ele na disputa pelo Bandeirantes

Falta apenas um mês para o ministro da Fazenda, Fernando Haddad (PT), deixar a equipe do presidente Lula. Embora ainda não admita a candidatura ao governo de São Paulo, o que Haddad procura, agora, é uma espécie de “novo Alckmin”: alguém com perfil de centro, e bom relacionamento com o empresariado, para fazer dobradinha com ele e ocupar a vaga de vice na disputa pelo Palácio dos Bandeirantes.

A ideia é montar uma chapa que não seja puro-sangue nem “pão com pão”, como costuma dizer o próprio Lula. Mas um arranjo que ultrapasse as fronteiras da esquerda não é tão fácil assim: depende de encontrar novos aliados em um cenário no qual a candidatura do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) aparece como favorita.

Haddad resistiu o quanto pôde a entrar no páreo, mas Lula disse a ele que não era possível arriscar para fazer “experiências” em São Paulo. Pesquisas já mostram o avanço do senador Flávio Bolsonaro (PL), desafiante do presidente, que precisa de palanques fortes em São Paulo e Minas Gerais, os dois maiores colégios eleitorais do País.

Em recente reunião do Grupo de Trabalho Eleitoral do PT, dirigentes do partido informaram que o senador Rodrigo Pacheco (PSD) será candidato ao governo de Minas. Mas Lula terá de entrar em campo porque o MDB de Minas e o União Brasil, partidos cogitados para abrigar o senador, que está de saída do PSD, planejam aderir à campanha de Flávio.

Geraldo Alckmin, por sua vez, continuará como vice de Lula na chapa da reeleição, a não ser que haja uma reviravolta de última hora. O presidente já o escalou para ajudar Haddad a angariar votos no interior paulista. Detalhe: foi justamente Haddad quem aproximou Lula de Alckmin em 2022. O vice assumiu ali o papel de nova versão da Carta ao Povo Brasileiro.

Apesar dos acenos de petistas na direção do MDB, nenhuma conversa sobre apoio da sigla, em troca da vice de Lula, foi adiante. A portas fechadas, o exministro José Dirceu afirmou que tirar Alckmin da chapa poderia custar a reeleição de Lula.

A ministra do Planejamento, Simone Tebet, será candidata ao Senado e negocia a migração para o PSB, uma vez que o MDB, seu partido, se aliou a Tarcísio.

Nesse jogo, a segunda vaga ao Senado por São Paulo também virou motivo de impasse: a ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, deixará a Rede e está disposta a voltar para o PT.

A ala ambientalista do partido, no entanto, tem ressalvas a Marina. O argumento é que o PT não conseguiu emplacar quase ninguém no ministério e os poucos foram por indicação da primeira-dama Janja. Na prática, porém, o PT não vai apitar nessa decisão: como sempre, quem dará a palavra final será Lula.

 

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