segunda-feira, 2 de março de 2026

Marcello Cerqueira, um lutador da democracia - Sergio Augusto de Moraes*

Conheci Marcello Cerqueira no movimento estudantil, nos idos de 1963/4, quando ele era vice-presidente da UNE. Anos depois, em 1978, eu estava asilado na Suiça, em Genebra e Giocondo Dias me chamou para um encontro com Marcello, então deputado federal, num bar nos arredores da cidade.

Alí discutimos sobre a situação política no Brasil e a avaliação do Comitê Central do PCB, então no exílio, de que se fazia necessário organizar o trabalho dos comunistas na Câmara dos Deputados. Giocondo sugeriu que eu deveria voltar ao Brasil e, junto com Marcello, assumir esta tarefa.

Depois de discutir com Giocondo e outros companheiros sobre a data que eu e Zelda, minha esposa, deveríamos voltar ao Brasil concluímos que o final de Março de 1979, data em que haveria a troca de ditadores, o General Geisel saindo e o General Figueiredo assumindo a Presidência da República, seria a data mais oportuna.

Em 29 de Março de 1979 embarcamos num voo da Swisser para o Rio de Janeiro. Marcello e Raymundo de Oliveira foram nos pegar na porta do avião para prevenir qualquer truculência da polícia. No saguão do aeroporto um grupo de amigos, dentre eles Oscar Nyemeier, nos aguardava. Zelda foi liberada, mas a Policia Federal me “convidou” para um interrogatório. Depois de algumas horas fui liberado com condicionantes.

Depois de providenciar a estadia no Rio, Marcello me levou a Modesto da Silveira, deputado federal, comunista e o informou da nossa tarefa. Semanas depois fomos á Brasília para contatar Roberto Freire e Alberto Goldman com o mesmo propósito. A partir daí fomos agregando outros deputados em torno da política do CC do PCB, tendo como objetivo central a derrota de ditadura e a conquista da democracia.

A lei da anistia de agosto de 1979 foi uma conquista das forças democráticas para a qual a Fração Parlamentar do PCB deu considerável contribuição. Com a volta da direção do PCB ao Brasil Marcello continuou na luta pela democracia e pela justiça social.

*Sergio Augusto de Moraes, engenheiro, foi membro do CC do PCB de 1982 a 1992

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