Alí discutimos sobre a situação política no Brasil e a avaliação do Comitê Central do PCB, então no exílio, de que se fazia necessário organizar o trabalho dos comunistas na Câmara dos Deputados. Giocondo sugeriu que eu deveria voltar ao Brasil e, junto com Marcello, assumir esta tarefa.
Depois de discutir com Giocondo e outros
companheiros sobre a data que eu e Zelda, minha esposa, deveríamos voltar ao
Brasil concluímos que o final de Março de 1979, data em que haveria a troca de
ditadores, o General Geisel saindo e o General Figueiredo assumindo a
Presidência da República, seria a data mais oportuna.
Em 29 de Março de 1979 embarcamos num voo da
Swisser para o Rio de Janeiro. Marcello e Raymundo de Oliveira foram nos pegar
na porta do avião para prevenir qualquer truculência da polícia. No saguão do
aeroporto um grupo de amigos, dentre eles Oscar Nyemeier, nos aguardava. Zelda foi
liberada, mas a Policia Federal me “convidou” para um interrogatório. Depois de
algumas horas fui liberado com condicionantes.
Depois de providenciar a estadia no Rio,
Marcello me levou a Modesto da Silveira, deputado federal, comunista e o
informou da nossa tarefa. Semanas depois fomos á Brasília para contatar Roberto
Freire e Alberto Goldman com o mesmo propósito. A partir daí fomos agregando
outros deputados em torno da política do CC do PCB, tendo como objetivo central
a derrota de ditadura e a conquista da democracia.
A lei da anistia de agosto de 1979 foi uma
conquista das forças democráticas para a qual a Fração Parlamentar do PCB deu
considerável contribuição. Com a volta da direção do PCB ao Brasil Marcello
continuou na luta pela democracia e pela justiça social.

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