quinta-feira, 26 de março de 2026

Reag, Master, BRB, Fictor: tem mais máfia no mercado? Como isso foi possível? Por Vinicius Torres Freire

Folha de S. Paulo

Com nova operação da PF, é razoável suspeitar que possa existir mais gangues na finança

Regulação e fiscalização fracas e corruptos fortes facilitaram a ramificação do crime

Reag, Master, BRB, Fictor. Gente do comando do grupo Fictor é investigada por ter contatos com um Thiago de Azevedo, vulgo "Ralado", que tinha negócios com o "Bonde do Magrelo", braço do Comando Vermelho no interior de São Paulo. "Ralado" corrompia gente de bancos, conseguia empréstimos para empresas de fachada e, então, quebrava ou fechava as fachadas e sumia com o dinheiro. Um pequeno Master.

Há mais bancos, fundos e operadores financeiros de outra espécie que estejam prestando serviços para o crime ou que sejam eles mesmos máfias, como o Master?

Falamos muito de política podre, com razão, mas há podre na finança, do descalabro na regulação e na fiscalização ao puro crime. Essas gangues prosperaram durante os anos de expansão daquilo que se chama vagamente de "fintechs", as muitas empresas que prestam serviços variados na finança. "Durante" não quer dizer necessariamente "por causa de".

A expansão das fintechs foi uma desregulamentação, na prática. Isto é, regulação muito mais leve, digamos, permitiu a expansão desse setor da finança. Serviu para aumentar a concorrência, parece. Nesse ônibus, entraram também bandidos. Como não se multavam ônibus desgovernados ou dirigidos por gente suspeita, a audácia derivou em parte para o crime. Além de Master e de BRB, haveria outro banco de verdade no rolo? A relação desse ambiente de regulação e fiscalização ruim com o crime é questão nacional.

A esquerda quer pegar Roberto Campos Neto, "RCN", presidente do Banco Central de fevereiro de 2019 a dezembro de 2024, eleitor de Jair Bolsonaro e tarcisista. O nascimento e a expansão de fintechs relevantes começam em 2012, 2013. A digitalização dos tempos da epidemia deu mais impulso ao negócio. A regulação seria arranjada, digamos, a partir de 2020. Durante o tempo em que RCN comandou o BC, o Master floresceu e barbarizou. Logo, RCN seria de algum modo responsável pelo escândalo, no mínimo por omissão, segue o argumento da esquerda.

De objetivo, o que se sabe de RCN até agora é isso: nos seus anos de BC, Master e aparentados espalharam imundície. Mas RCN e outros responsáveis devem ser chamados a explicar como isso foi possível, para começar uma conversa séria de investigação e reforma. E onde estava a Comissão de Valores Mobiliários? Aliás, onde está? Continua sem meios e à beira de ser dirigida por criatura controversa. A Receita Federal teria tido meios e direito de pescar alguma coisa? E a fiscalização da Previdência Complementar? Cupinchas de políticos no comando de fundos de previdência de servidores eram amigos do Master. Parte do TCU dedicava-se a pleitos do Master.

A Reag era a maior administradora independente de fundos de investimento. É acusada de prestar serviços para a gangue do Master, para empresas dos crimes com combustíveis, talvez ligadas ao PCC. O BRB estava à beira de aceitar a desova do cadáver do Master.

A atual direção do BC impediu que o BRB ficasse com a carcaça falida e fraudulenta; pegou executivos do próprio BC corrompidos por Daniel Vorcaro. Polícia Federal e Receita tomam atitudes. Mas é muito pouco, mesmo que o problema se restringisse a crimes financeiros. É necessária reforma de alto a baixo e cadeia para todos os lados. Pior, pode ser que o mercado do crime ainda esteja operante. Enquanto isso, parte da cúpula da República tenta fugir da polícia ou acordões (no caso Master, no caso das emendas, no caso do INSS etc.).

 

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