sexta-feira, 20 de março de 2026

Toffoli só abriu a fila... por Eliane Cantanhêde

O Estado de S. Paulo

Com citação a filho de Kassio Nunes Marques, só 50% do STF passa ao largo do Master

Brasília está lotada de craques, e não é de hoje. O presidente Lula já comparava o filho Lulinha a Ronaldo Fenômeno nos primeiros mandatos e os filhos e parentes de um ministro atrás do outro do Supremo Tribunal Federal (STF) parecem não ficar atrás. Timaço, regiamente tratado pelo agora liquidado Banco Master e a já famosa JBS.

É curioso, aliás, como os negócios, contratos e rolos do Master e da JBS, vira e mexe, se embolam e como, talvez por pura coincidência, ambos têm conexão direta com o ministro do STF Dias Toffoli. Além de todos os caminhos de Toffoli levarem ao resort Tayayá e ao Master, foi ele quem, para assombro geral, tentou melhorar o já supercamarada acordo de leniência dos irmãos Joesley e Wesley Batista, da JBS.

Toffoli abriu a fila, mas há novas conexões do Master e de Daniel Vorcaro com o STF. Toffoli meteu no jogo os irmãos; Alexandre de Moraes não explica os R$ 130 milhões do escritório da mulher; agora, o Estadão nos conta sobre o repasse de R$ 18 milhões de Master e JBS a uma empresa com faturamento de R$ 25,5 mil e repasse de R$ 282 mil para o filho de Nunes Marques. História muito intrincada.

Nesse contexto, a ida de um filho do ministro Luiz Fux ao camarote do Master na Sapucaí é insignificante, mas ilustra como Vorcaro e seu sócio, Augusto Lima, o Guga, tinham o

Supremo como prioridade na infiltração nos Poderes e na sua desabalada carreira rumo ao sucesso nos negócios.

São dez ministros hoje e já são quatro os de alguma forma citados, inclusive Fux, superfluamente. A eles se soma Gilmar Mendes, que não fica sossegado enquanto não se joga numa fogueira. Logo, só 50% da Corte passa ao largo.

Gilmar anulou a decisão da CPI do Crime Organizado de quebrar o sigilo do fundo Arleen, que é administrado pela Reag (central no escândalo Master) e comprou as cotas da família Toffoli no Tayayá. Segundo o ministro, sua canetada segue a do ministro Flávio Dino, que anulou a quebra de sigilo de Lulinha, na CPI do INSS, sob argumento de “desvio de finalidade qualificado”.

Ou seja, assim como a comissão de inquérito do INSS não pode investigar o filho do presidente, a do crime organizado não pode escarafunchar o escândalo Master. Uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa e, como alegam os dois ministros, o que se espera da Justiça é que preserve os direitos constitucionais.

Mas peraí! Se não há uma CPI do Master, se a do crime organizado não tem a ver com o caso, se o Supremo está em modo autoproteção e se a PGR parece alinhada com a Corte... a Polícia Federal vai ficar sozinha no front da investigação? E sob fogo cruzado? •

 

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