O Estado de S. Paulo
Com citação a filho de Kassio Nunes Marques,
só 50% do STF passa ao largo do Master
Brasília está lotada de craques, e não é de hoje. O presidente Lula já comparava o filho Lulinha a Ronaldo Fenômeno nos primeiros mandatos e os filhos e parentes de um ministro atrás do outro do Supremo Tribunal Federal (STF) parecem não ficar atrás. Timaço, regiamente tratado pelo agora liquidado Banco Master e a já famosa JBS.
É curioso, aliás, como os negócios, contratos
e rolos do Master e da JBS, vira e mexe, se embolam e como, talvez por pura
coincidência, ambos têm conexão direta com o ministro do STF Dias Toffoli. Além
de todos os caminhos de Toffoli levarem ao resort Tayayá e ao Master, foi ele
quem, para assombro geral, tentou melhorar o já supercamarada acordo de
leniência dos irmãos Joesley e Wesley Batista, da JBS.
Toffoli abriu a fila, mas há novas conexões
do Master e de Daniel Vorcaro com o STF. Toffoli meteu no jogo os irmãos;
Alexandre de Moraes não explica os R$ 130 milhões do escritório da mulher;
agora, o Estadão nos conta sobre o repasse de R$ 18 milhões de Master e JBS a
uma empresa com faturamento de R$ 25,5 mil e repasse de R$ 282 mil para o filho
de Nunes Marques. História muito intrincada.
Nesse contexto, a ida de um filho do ministro
Luiz Fux ao camarote do Master na Sapucaí é insignificante, mas ilustra como
Vorcaro e seu sócio, Augusto Lima, o Guga, tinham o
Supremo como prioridade na infiltração nos
Poderes e na sua desabalada carreira rumo ao sucesso nos negócios.
São dez ministros hoje e já são quatro os de
alguma forma citados, inclusive Fux, superfluamente. A eles se soma Gilmar
Mendes, que não fica sossegado enquanto não se joga numa fogueira. Logo, só 50%
da Corte passa ao largo.
Gilmar anulou a decisão da CPI do Crime
Organizado de quebrar o sigilo do fundo Arleen, que é administrado pela Reag
(central no escândalo Master) e comprou as cotas da família Toffoli no Tayayá.
Segundo o ministro, sua canetada segue a do ministro Flávio Dino, que anulou a
quebra de sigilo de Lulinha, na CPI do INSS, sob argumento de “desvio de
finalidade qualificado”.
Ou seja, assim como a comissão de inquérito
do INSS não pode investigar o filho do presidente, a do crime organizado não
pode escarafunchar o escândalo Master. Uma coisa é uma coisa, outra coisa é
outra coisa e, como alegam os dois ministros, o que se espera da Justiça é que
preserve os direitos constitucionais.
Mas peraí! Se não há uma CPI do Master, se a
do crime organizado não tem a ver com o caso, se o Supremo está em modo
autoproteção e se a PGR parece alinhada com a Corte... a Polícia Federal vai
ficar sozinha no front da investigação? E sob fogo cruzado? •

Nenhum comentário:
Postar um comentário
Observação: somente um membro deste blog pode postar um comentário.