O Estado de S. Paulo
O único troféu da CPMI do INSS foi jogar Lulinha no colo de Lula na campanha eleitoral
ACPMI do INSS morreu de madrugada, sem choro nem vela, e só teve um resultado prático: empurrar Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, para o centro da campanha eleitoral, atingindo o presidente Lula no seu ponto mais fraco e deixando em segundo plano as culpas de Jair Bolsonaro, agora doente, em prisão domiciliar e fora de combate. Lulinha é o único troféu do triste fim de mais uma CPI.
O pedido de prisão de Lulinha pode ser
questionável, porque, segundo sua defesa, ele não fugiu para a Espanha, já
vinha se preparando para mudar com a família desde 2023, mas as investigações
sobre relações, voos e interesses dele com pessoas do esquema do INSS devem
continuar, são caso não só da comissão, mas de polícia.
Desde o início, e ao longo de sete meses de
vida, a CPMI não deu mostras de estar efetivamente preocupada com os milhões de
aposentados e pensionistas roubados por uma quadrilha de larápios de diferentes
quilates. Isso era o de menos, o que de fato interessava era o jogo político.
Um jogo sujo, cujo melhor exemplo é a filiação do relator Alfredo Gaspar ao PL do senador Flávio Bolsonaro, dois dias antes do fim da CPMI. Seu parecer e o pedido de indiciamento de Lulinha podem até não ser, mas têm a cara, o jeito e o cheiro de parte do negócio com Flávio.
A reação do Planalto não foi muito melhor,
até infantil: apresentar um relatório alternativo ao de Gaspar, com uns 40
indiciados a menos e pelo menos um a mais, Jair Bolsonaro. O trabalho de Gaspar
foi jogado fora por 19 votos a 12 e o do Planalto, assumido pela bancada
governista na CPMI, nem saiu do lixo.
Em meio à bagunça, com ameaças, mistura de
INSS com Master e o STF prorrogando e “desprorrogando” a comissão, o deputado
Lindberg Faria (PT) e a senadora Soraya Thronicke (Podemos) entregaram à PF
“registros documentais e conversas” contra o relator Gaspar por estupro de uma
menina de 13 anos. Acaba a CPMI e não se fala mais nisso?
É tudo tão lamentável, desprezível, mas o
pior é o descompromisso da CPMI, e, portanto, do Congresso, com as vítimas de
um crime tão vil, que se repete há décadas e vai continuar se repetindo. Aliás,
o INSS usou bilhões de reais do Tesouro para ressarcir essas vítimas. E os
criminosos, vão “contribuir”?
A CPMI morre sem cumprir seu papel – ou melhor, jogando toneladas de papel ao mar e afundando ainda mais a imagem do Legislativo, em meio a avaliação baixa do Executivo e desconfiança crescente no Judiciário. Junta-se a isso a polarização política e o ano eleitoral está como o diabo, os oportunistas e os “salvadores da Pátria” gostam. Que o diga o Rio de Janeiro.

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