quinta-feira, 5 de março de 2026

Turma de Vorcaro agia como a Máfia, por Adriana Fernandes

Folha de S. Paulo

Era tudo coisa de gângster: Vorcaro e sua turma construíram um cenário de brutalidade de longo alcance

Com nova operação da PF, as suspeitas de que o antigo relator do caso, o ministro Dias Toffoli, atrapalhou as investigações aumentam

As revelações que vieram à tona no rastro da nova fase da operação Compliance Zero, deflagrada na manhã desta quarta-feira (4) pela Polícia Federal, mostraram que a quadrilha montada pelo banqueiro Daniel Vorcaro agia como uma máfia.

Era tudo coisa de gângster. Vorcaro e sua turma construíram um cenário de brutalidade de longo alcance.

A sua organização criminosa atuava em quatro núcleos detalhadamente descritos na decisão do ministro do STF André Mendonça que levou à ação da PF: 1) financeiro, responsável pela estruturação das fraudes contra o sistema financeiro; 2) corrupção institucional, voltado à cooptação de servidores públicos do Banco Central; 3) ocultação patrimonial e lavagem de dinheiro, com utilização de empresas laranjas; 4) intimidação e obstrução de justiça, responsável pelo monitoramento ilegal de adversários, jornalistas e autoridades.

O quarto núcleo é o ingrediente novo trazido na operação e que torna o escândalo do banco Master ainda mais assustador, estampado nas palavras escritas em trocas de mensagens de Vorcaro contra o jornalista Lauro Jardim: "Esse Lauro quero mandar dar um pau nele".

O ex-banqueiro, agora novamente preso, tinha em seu grupo até uma pessoa apelidada de Sicário, nome dado a matador, facínora, capanga. A alcunha foi atribuída a Luiz Philippi Machado de Moraes Mourão, que mantinha relação direta de prestação de serviços para Vorcaro.

Sicário fazia o jogo mais sujo, atuando como responsável pela execução de atividades voltadas à obtenção de informações sigilosas, monitoramento de pessoas e neutralização de situações consideradas sensíveis aos interesses do grupo investigado.

Vorcaro também fez determinação expressa ao seu sicário para "levantar tudo" sobre um funcionário seu e um chefe de cozinha a ele associado.

Um quinto núcleo, não descrito, poderia ser incluído na lista. É o núcleo das festas e da participação de autoridades em eventos organizados pelo dono do Master.

Com a operação, as suspeitas de que o antigo relator do caso no STF, o ministro Dias Toffoli, atrapalhou as investigações aumentam. Vorcaro não deveria ter sido solto na primeira prisão em novembro do ano passado.

Toffoli não só deve explicações como o STF precisa aprovar a quebra de sigilo da Maridt Participações, empresa da família do ministro.

A extensão dos núcleos de investigação revela que novas fases das operações vão acontecer em breve.

 

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