O Globo
Comissão Parlamentar de Inquérito deve
terminar sem resposta para aposentados
A CPI do INSS deve chegar ao fim nesta
semana. Criada para investigar fraudes contra aposentados, foi capturada pela
disputa eleitoral e perdeu o rumo na tentativa de pegar carona em outro
escândalo.
A comissão foi instalada após a descoberta do esquema que afanou idosos com descontos indevidos. Segundo a Controladoria-Geral da União, os desvios somaram R$ 6,3 bilhões entre 2019 e 2024, do início da gestão de Jair Bolsonaro à metade do atual mandato de Lula.
O caso veio à tona em abril do ano passado,
quando uma operação da Polícia Federal derrubou o presidente do INSS,
Alessandro Stefanutto. Instalada quatro meses depois, a CPI virou ringue de
luta entre governo e oposição, que saiu na frente ao eleger presidente e
relator.
A direita se esforçou para colar o escândalo
em Lula. Primeiro tentou convocar Frei Chico, irmão do presidente e
ex-dirigente de um sindicato de aposentados. Depois mirou em Fábio Luís, filho
do petista que já havia aparecido em rolos passados. Os governistas tentaram
revidar com ataques à ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro.
Até aqui, os embates produziram muito barulho
e pouca informação revelante. Melhor esperar o avanço das investigações da PF,
que apura a natureza das ligações de Lulinha com Antonio Camilo Antunes, o
Careca do INSS. A defesa já admitiu que o filho do presidente fez uma viagem
paga pelo lobista, mas nega seu envolvimento com fraudes. O caso deve ter novos
capítulos, com potencial para prejudicar a campanha de Lula à reeleição.
Depois da prisão de Daniel Vorcaro, a CPI se
desviou do foco original e passou a correr atrás do caso do Banco Master. Há
pontos de contato entre os dois escândalos, mas o movimento se concentrou
apenas na busca por holofotes.
Nos últimos dias, a comissão aprovou convites
para ouvir o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, seu antecessor,
Roberto Campos Neto, e até a modelo Martha Graeff, ex-namorada de Vorcaro. É
provável que nenhum dos depoimentos ocorra. A CPI entra hoje na semana
cderradeira, e o Supremo já autorizou muitos convocados a não comparecer.
Às vésperas do prazo final, não há sequer
garantia de que a comissão terminará com a publicação de um relatório. A
oposição elabora um calhamaço de mais de 5 mil páginas, mas não sabe se terá
votos para aprová-lo. Os governistas preparam um texto paralelo, sem
referências ao caso Master e aos parentes de Lula.
Em qualquer dos cenários, o desfecho tende a
decepcionar os aposentados que confiaram na CPI para pegar a quadrilha do INSS.
O fantasma de Adriano
O Ministério Público denunciou Raimunda Veras
Magalhães, ex-assessora de Flávio Bolsonaro, sob acusação de lavar dinheiro do
jogo do bicho. Ela é mãe do miliciano Adriano da Nóbrega, que foi condecorado
na cadeia pelo Zero Um.
O ex-PM foi morto em 2020, num cerco policial
com ares de queima de arquivo. Ele nunca contou o que sabia, mas seu fantasma
deve assombrar a campanha de Flávio.

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