Folha de S. Paulo
Pelas projeções do meio jurídico, as delações
serão de conhecimento público no auge da campanha
A dúvida é se, e em que medida, o que for
revelado terá o poder de influir nas escolhas do eleitorado
Se estiverem certas as projeções correntes no
meio jurídico, as delações premiadas de Daniel
Vorcaro e companhia, se aceitas pela Polícia Federal, Ministério Público e Supremo
Tribunal Federal, vão chegar ao conhecimento público no auge da campanha
eleitoral.
Considerando que não cabe aos delatores escolher quem entregam ou quem protegem, se quiserem contar com os benefícios previstos em lei, eles não poderão ser seletivos. Vão precisar entregar todos os que pretenderam ou conseguiram cooptar para manter seu esquema fraudulento em pé.
Ao que se sabe até agora, a ofensiva sobre os
poderosos da República foi ecumênica. Em maior ou menor grau, incluiu gente de
direita e esquerda, de governo ou de oposição, atingindo personagens ligados
aos Bolsonaro e aos Lula da
Silva.
Portanto, o que vem por aí a ser revelado, há
danos presumidos para as candidaturas do presidente e do filho do
ex-presidente. Nenhum deles está imune aos respingos do escândalo.
Em tese, abre-se um caminho pelo qual pode
transitar a ainda incipiente e desacreditada via alternativa, na composição dos
nomes de Ronaldo Caiado (PSD), Romeu
Zema (Novo), Renan Santos (Missão), Augusto Cury (Avante), Aldo Rebelo
(DC) e demais nanicos. Vai depender da qualidade do diálogo que esse grupo
conseguir estabelecer com o eleitorado e se a corrupção for considerada fator
importante na decisão do voto.
O eleitor talvez esteja farto de denúncias e
vacinado pelo desmonte de escândalos e, nesta hipótese, o escândalo do Master
teria pouca ou nenhuma influência na disputa pela Presidência. Mas isso se o
caso do banco liquidado não tivesse respingado forte no Supremo
Tribunal Federal e feito a corte ficar entregue à própria sorte em sua
crise de reputação.
Isso pode desviar o eixo do conteúdo das
denúncias para os juízes e, assim, colocá-los num campo cujos atacantes já não
seriam só os de direita. A esquerda, pela voz de Lula e do PT, percebeu
potencial do tema e já tratou de incluir a reforma do Judiciário na agenda do
partido.

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