Correio Braziliense
Sem informação sobre os mais vulneráveis, o
Estado atua no escuro. Com essa informação, é possível direcionar políticas
para os públicos mais vulneráveis e as regiões com maior desigualdade
O Cadastro Único para Programas Sociais do
Governo Federal, ou CadÚnico, completa 25 anos em 2026. Desde a sua criação,
tornou-se a principal base de identificação da população de baixa renda no
país. Hoje, 42,2 milhões de famílias — cerca de 96 milhões de brasileiras e
brasileiros — estão nele registradas. Isso representa quase metade da população
brasileira, um retrato fiel da diversidade e das desigualdades do nosso
país.
Criado em 2001 como um formulário para beneficiários de todos os programas federais de transferência de renda, o Cadastro Único ganhou escala a partir de 2003, com a criação do Programa Bolsa Família. Até então, cada programa mantinha o próprio registro de beneficiários. A unificação reduziu sobreposições e inconsistências, como resultado atualmente temos uma base de dados robusta e atualizada periodicamente.
A partir de 2005, o governo federal junto com
os estados e os municípios iniciaram um processo contínuo de qualificação dos
dados que compõem o cadastro. O trabalho é coordenado no âmbito do Sistema
Único de Assistência Social (Suas). Cada ente tem papel definido: municípios
coletam informações, estados apoiam a gestão local, e a União coordena,
normatiza, supervisiona e ajuda a financiar. Esse modelo descentralizado
garante a qualidade e maior precisão dos dados.
Com base nesses dados, 46 programas federais
selecionam seus beneficiários. Entre eles, estão o Programa Bolsa Família, o
Benefício da Prestação Continuada (BPC), o Pé-de-Meia — poupança de incentivo
financeiro-educacional para alunos do ensino médio —, a Tarifa Social de
Energia Elétrica, o Gás do Povo e o Minha Casa, Minha Vida. Estados e
municípios também usam o Cadastro Único para as próprias políticas públicas.
O CadÚnico reduz fraudes, melhora o
planejamento e garante que os recursos cheguem a quem mais precisa. As
informações coletadas incluem renda, moradia, escolaridade e acesso a serviços
básicos, entre outras. Em 2025, o novo sistema de Cadastro Único ampliou sua
capacidade de buscar dados em outras bases do governo federal. Isso permite
acompanhar mudanças na vida das famílias com mais rapidez.
O lema do Cadastro Único é "Conhecer
para Incluir". Sem informação sobre os mais vulneráveis, o Estado atua no
escuro. Com essa informação, é possível direcionar políticas para os públicos
mais vulneráveis e as regiões com maior desigualdade.
Por sua escala e êxito, o Cadastro Único
enfrenta também desafios: a ampliação do financiamento da rede do Suas, onde
ocorre o atendimento à população; a garantia da cobertura em áreas remotas,
como comunidades ribeirinhas e territórios rurais de difícil acesso; e a
democratização dos avanços tecnológicos, que precisam chegar a todas as
famílias de baixa renda, sem exclusão digital.
É por isso que nosso maior compromisso é
levar o máximo de famílias para a classe média. Essa é a forma mais segura de
garantir que o Brasil nunca mais volte ao Mapa da Fome. Queremos aproveitar a
atual retomada econômica para criar as condições estruturais de ascensão
social. O Cadastro Único é a ferramenta que permite identificar quem está
pronto para dar esse salto — por exemplo, famílias cujos jovens concluíram o
ensino médio e precisam de um primeiro emprego, ou microempreendedores
informais que podem acessar linhas de crédito orientado, por meio do Acredita.
Neste mês de abril, os 25 anos do Cadastro
Único serão marcados por atividades comemorativas em todo o país. No dia 15,
uma cerimônia no Teatro Nacional Cláudio Santoro, em Brasília, reunirá gestores
municipais, estaduais e federais. A data celebra uma rede de cooperação que
conecta políticas públicas às famílias que delas necessitam. Sem esse elo, a
redução da pobreza não ocorre na escala necessária.
A verdadeira celebração do Cadastro Único
acontece todos os dias nos Centros de Referência de Assistência Social (Cras),
nas comunidades ribeirinhas e nas periferias, onde ele promove o acesso a
direitos. Conhecer para Incluir não é apenas um lema, é um método de construir
justiça social.
*Wellington Dias — ministro da Assistência e Desenvolvimento Social, Família e Combate à Fome; Rafael Osorio — secretário nacional da Secretaria de Avaliação, Gestão da Informação e Cadastro Único

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