O Estado de S. Paulo
Flávio Dino pediu vista. Tem dúvidas. Esperará pelo acórdão do TSE sobre o julgamento que tornou inelegível Cláudio Castro. Pareceu querer respeitar a Justiça Eleitoral. Na prática, faz pressão para que o tribunal entregue cassação que não declarou. É pesada a carga por eleições suplementares diretas. Não descartado que essa carga seja fachada para outra solução. O laboratório do Supremo está ativo.
O TSE poderia cassar o ex-governador sob o
entendimento de que renunciara para escapar da cassação. Ele pretendeu mesmo
escapar. Não há dúvida. Tampouco há dúvida de que o TSE não lhe considerou a
fuga. Cármen Lúcia, também presidente do TSE, foi explícita a respeito: não
havendo mais o mandato, ficara prejudicada a cassação. Não terá sido à toa que
os outros ministros membros do tribunal eleitoral, André Mendonça e Nunes
Marques, anteciparam votos: para reforçar a posição do TSE.
O placar está em 4 a 1 pela eleição indireta
no Rio de Janeiro – aquela que teria por colégio eleitoral a Assembleia
Legislativa. Quando Dino concluir o seu exame, virá a blitz xandônica pela
eleição direta. Xandônica porque, embora seja Cristiano Zanin o relator, a tese
foi plantada por Alexandre Moraes – tese que, avançando, produziu e sustentará,
sem qualquer direito que a embase, o prolongamento da condição de um juiz como
governador. Enquanto Dino não conclui o exame, o Rio será governado pelo presidente
do Tribunal de Justiça.
O STF parece gostar da obra de engenharia
política por meio da qual mantém um desembargador à frente do Estado. Um togado
governante! Para nos salvar. O Rio está na lama – e o Judiciário decerto nada
tem a ver com isso. Na quinta, ministros que não pisam no mesmo chão das
gentes, senão naquele que os leva do palácio ao jatinho (do Vorcaro), e que
ignoram a realidade do lugar sobre o qual deitam regras para cortes de rede
social esqueceram-se – “Deus tenha piedade do Rio de Janeiro” – de mencionar o
togado, desembargador federal graças à reabilitação promovida pelo CNJ, que
passava informações sigilosas ao ex-presidente da Alerj condenado junto com
Castro. Togado que, a rigor, passava informações ao Comando Vermelho.
Quando o julgamento estava no plenário
virtual, Dino formou com Xandão, Zanin e Mendes. Seria o 4 a 4. Não poderão
contar com Cármen desta vez. Contarão com Dias Toffoli. O voto de Fachin seria
decisivo. Isso se não considerarem a chegada de Messias – membro seguro da bancada
governista – para resolver a parada. Já há os que testam essa hipótese no
mercado das ideias.
A Alerj não tem presidente. Terá em breve,
recomposta a linha sucessória. O Supremo precisará criar arte sem precedentes
para justificar que esse deputado não assuma o Estado. Você se lembra da
referida carga por eleição direta como fachada para outra solução? O STF já
abriu o campo para que, alegada a inexistência de condições à organização de
eleição suplementar tão próxima da ordinária, haja somente o pleito de outubro,
e para que o desembargador governe até janeiro. •

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