O Estado de S. Paulo
Lula entregou aos leões o homem que ele diz em público ter salvado a democracia, o ministro Alexandre de Moraes. Ao recomendar ao ministro que “salve sua biografia” e se declare impedido de julgar qualquer coisa relativa ao escândalo do Master, Lula pediu para Moraes não atrapalhar a reeleição.
Explícito nesse conselho é o reconhecimento
de que a situação do STF – perda de credibilidade e legitimidade – terá impacto
eleitoral. Bastante evidente, aliás. Na noite do primeiro turno já se sabe qual
será a composição da Câmara dos Deputados e do Senado.
Portanto, qual o peso da tropa para se pedir votos no segundo turno contra o STF – visto como associado a Lula.
As posturas públicas de integrantes das duas
principais alas em que se divide hoje o Supremo indicam que a luta por
“preservar” a i magem da instituição cedeu lugar à luta para salvar
literalmente a pele de alguns de seus integrantes. Não ganhou tração no debate
a tentativa de tratar a crise em que se encontra o Supremo como esforço para
preservar a institucionalidade diante de ataques infundados.
Formou-se um tipo de “onda”, de “momento” na
política, no qual a hipertrofia do STF é percebida amplamente como intolerável.
E surgiu bastante distante, mas está na linha do horizonte, o temor de algum
tipo de desobediência civil. A tal da “autocontenção” nem sequer é percebida
como tal.
Ao contrário. A resposta à crise dada pelo
STF é vista pelo público como o emprego mal disfarçado de subterfúgios
“técnicos” para limitar o poder de investigação do Legislativo, cercear a
distribuição de conteúdo obtido por órgãos como a PF, mudar regras do jogo para
dificultar a tramitação de pedido de impeachment dos ministros e, por último,
contestar o alcance e valor de delações – quando virão várias no Master.
Talvez seja a arrogância do poder irrestrito
que tenha levado alguns integrantes do STF a acreditarem que está em curso um
novo tipo de lavajatismo. O paralelo possível com aqueles tempos é outro: é o
grau da indignação em vários setores da sociedade com a podridão e falta de
moral no “sistema”. A Lava Jato foi um grande grito de “basta”. É o que se ouve
novamente.
As duas “saídas” em curso no momento para a
situação do Supremo são o forte espírito corporativista do Judiciário em geral
e da Corte Suprema em particular. E um tipo de entendimento “informal” com um
Senado que não mais comanda o mesmo respeito que já teve. Ficou mais parecido
com a Câmara dos Deputados e suas “negociações”, inclusive políticas.
Seria mesmo difícil vislumbrar como “saída” uma eventual ajuda vinda de um mandatário que admite em público estar no cargo graças ao Supremo. Lula ensinou que em política não existe gratidão nem lealdade.

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