O Estado de S. Paulo
Dos ‘outsiders’ de 2018, dois caíram em desgraça e outro virou candidato a presidente
Três ilustres desconhecidos, que surgiram do
nada, lançaram-se na política e foram eleitos governadores em 2018, na onda do
bolsonarismo e contra o “sistema, a política, a corrupção e a violência”,
tornam-se hoje ótimos “cases” sobre “outsiders” na política. Dois caíram em
desgraça, um virou candidato a presidente.
Os dois que não deram certo vieram da área jurídica, hoje tão abalada por revelações chocantes, e apresentaram-se como impecáveis cumpridores da lei e impolutos guerreiros contra a corrupção. Ibaneis Rocha, advogado muito bem-sucedido e ex-presidente da OAB-DF, foi eleito e reeleito no DF, mas... E Wilson Witzel, ex-juiz federal (vejam só!), foi tão efêmero como governador quanto meteórico como candidato no Rio.
Ibaneis teve um fim dramático, com muita
coisa a explicar sobre como o BRB, banco estatal, foi embolado com o Master e
dilapidado na sua gestão. Grande “azarão”, Ibaneis teve 70% dos votos no
segundo turno de 2018 e foi reeleito já no primeiro turno em 2022. Será que não
tinha a menor ideia do assalto ao BRB, como não teve no 8 de janeiro do golpe?
Quanto a Witzel, foi afastado do governo do
Rio, um ano e sete meses depois de eleito, e finalmente sofreu o impeachment,
por unanimidade, meses depois. Por quê? Por fazer o oposto do que prometera na
campanha – como Ibaneis, que sobreviveu, mas ainda vai enfrentar uma longa
batalha na polícia e na Justiça.
Witzel caiu da toga, mergulhou na campanha do
Rio como “outsider” e “contra a velha política” e pulou de 1% nas pesquisas
para 4,7 milhões de votos (60%) no segundo turno contra o veterano Eduardo
Paes, que fora prefeito da capital por dois mandatos, aliás, bem avaliados.
Quem elegeu Witzel foram petrolão, mensalão e
sucessivos escândalos no Rio, que não apenas tiraram votos do “candidato do
sistema” como produziram 4,6 milhões (41%) de abstenções e votos nulos e
brancos, mais do que Paes. Os que lavaram as mãos e não votaram definiram o
resultado.
O terceiro “outsider” foi Romeu Zema,
empresário, formado em Administração pela FGV, com especialização em Harvard,
que se filiou ao Partido Novo em Minas e venceu com 7 milhões de votos (72%) no
segundo turno contra Antônio Anastasia, ex-governador tucano, que sucumbiu com
o fim do PSDB e do PT no terceiro PIB do País.
Zema lançou-se à Presidência e, enquanto
Lula, Flávio e Caiado estão cheios de dedos ao falar do STF, ele roubou a
bandeira do “anti-Supremo” e soltou a língua, ainda mais depois de Gilmar
Mendes virar seu maior cabo eleitoral. De outsider, Zema não tem mais nada, mas
essa continua sendo sua fantasia em 2026.

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