O Estado de S. Paulo
Estava claro e só não enxergou quem não quis
ver. Especialmente o presidente Lula. Fez mais uma aposta errada, uma das
piores na sequência de apostas políticas equivocadas que demonstram um líder
político em seu ocaso. As condições para a aprovação do indicado eram difíceis
de saída, sobretudo pela proximidade das eleições. Não só a oposição declarada,
mas um bom pedaço do centrismo no Senado achava que seria melhor uma indicação
depois do 4 de outubro – melhor até para o próprio STF.
Não se sabe quem garantiu a Lula que Messias passaria raspando, mas passaria. Se foi Alcolumbre, foi um conselho diabólico para pular para dentro do abismo. Pois a derrota política é histórica na pura acepção da palavra.
Uma boa parte das causas da derrota ficou
explicitada num momento-chave da sabatina do indicado, ali pela sétima hora de
perguntas e respostas. Foi quando o senador Alessandro Vieira cobrou Jorge
Messias não só pelo comportamento de alguns integrantes do Supremo no caso do
Master, mas sobre o ataque do STF em relação às CPIs – incluindo abertura de
ações judiciais contra o mesmo Vieira.
Antes mesmo que Messias dissesse qualquer
coisa (e o que disse acabou por ser irrelevante), Vieira recebeu efusivas
manifestações de apoio das principais correntes políticas. Ou seja, Lula e seus
operadores no Senado subestimaram a disposição dos parlamentares de dar um
troco ao que passaram a identificar como a suprema arrogância dos que assumiram
em público uma conduta de “intocáveis”.
Em várias respostas a severas críticas formuladas
pelos senadores ao STF durante a sabatina, o próprio Messias tinha deixado
claro que não assumiria ali o papel de defensor da Corte. Evitou como pôde
responder “sim” ou “não” à provocação do senador Cleitinho sobre se teria sido
imoral a conduta de alguns dos integrantes do Supremo, mas usou como recurso de
retórica texto de Celso de Mello aludindo à perda de confiança da população no
Judiciário.
Parece ter funcionado pouquíssimo a “fuga
para frente” que Gilmar Mendes ensaiou ao proceder um “road show” midiático de
enfrentamento direto da crise de credibilidade do Supremo. Ao contrário, o
decano produziu até aqui um clássico tiro no pé do ponto de vista político – ou
seja, convenceu seus adversários (grande parte deles dentro do Senado) da
fragilidade da postura da Corte.
O próprio Messias indicou isso indiretamente
durante a sabatina, ao assumir com aparente boa vontade a necessidade de
reforma do Judiciário e do Supremo. Chegou a ponto de sugerir que o Senado
elaborasse um tipo de código de conduta para os ministros da Corte.
Deve acentuar-se o isolamento político das figuras de maior projeção dentro do Supremo. E a ideia da infalibilidade da sabedoria política de Lula e sua infinita capacidade de articulação. Vai colecionando derrotas, achando que terá uma grande vitória.

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